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12 de janeiro de 2010 - 2:09F-Truck, Stock Car

Truck veta Pizzonia

SÃO PAULO | Foi nos primeiros dias de abril de 2008 que veio ao meu conhecimento uma história de que a Vicar, respaldada ou incentivada pela TV Globo, havia traçado por linhas não tortas como regra, a cláusula 7ª de um tal “Contrato de credenciamento e outras avenças”, o veto da participação de qualquer piloto da Stock Car em qualquer categoria do automobilismo brasileiro que não fosse transmitida pelo sistema Globo — o que incluía o SporTV. Na prática, então, a regra impedia que um piloto da Stock Car também corresse na F-Truck, atualmente produto da TV Bandeirantes.

Literalmente, a malfadada e mal-escrita cláusula sétima era isto: “Os eventos, provas e treinos, (sic) são alvo de transmissão e reportagens, que irão ao ar através de sinal de empresas detentoras dos direitos de exibição em TV aberta, TV fechada, internet ou outros meios analógicos ou digitais, ficando vetada a participação dos piloto (sic) da Copa Nextel Stock Car [V8], (sic) em campeonatos nacionais de outras categorias que tenham transmissão ao vivo ou em VT, em outras emissoras de TV aberta, TV fechada ou internet que não as detentoras dos direitos de exibição.”

Consultei gente da Globo e da Vicar. Carlos Col confessara ser uma “imposição da Globo”; a Globo devolveu com um “isso é negócio da Vicar”. E falei com o então presidente da CBA, Paulo Scaglione, que disse à época que mal sabia da existência daquele efeito proibidor. “A CBA não aceita qualquer tipo de restrição à carreira do piloto. O promotor e o patrocinador não têm poder para exigir isso, e nós não aceitamos. A função do promotor é promover, e as funções técnicas e desportivas são exclusividade da CBA. E esta questão é desportiva”, disse o ex-dirigente.

No fim das contas, faltando três dias para o início do campeonato da Stock, a cláusula foi derrubada. Só que Col não a derrubava ad eternum. “No futuro pode ser que exista um tipo de situação que tenha que acordar com a Globo e com os pilotos. Para este ano, a regra era inócua”, salientou.

Teve quem me dissesse que a Truck fazia a mesma coisa. O caso acabou morrendo ali.

Pouco menos de dois anos depois, a regra de exclusividade torna a ser assunto. Só que desta vez, teve efeito prático. Agiu contra um piloto que queria correr na F-Truck, e que só não fechou contrato por a gloriosa categoria dos caminhões impediu. O piloto é Antonio Pizzonia. 

A Truck não disponibiliza seu regulamento no site oficial, nem fala abertamente destes contratos paralelos. Sabe-se, no entanto, que há um item que proíbe o piloto de participar de qualquer outro campeonato, não só no Brasil, mas no mundo. Pizzonia negociava um lugar de Djalma Fogaça, a DF Motorsport, com um caminhão Ford. Diversos pilotos, inclusive, fariam testes pela equipe. Fogaça abriu mão destes testes só para ter o amazonense, que pretendia conciliar suas atividades com a Superliga.

Daí foram conversar com a Truck para resolver a situação. Não resolveu. A categoria reiterou o veto. Por isso Pizzonia teve de continuar na Stock. Dias antes do Natal, Antonio assinou contrato com a Hot Car, de Amadeu Rodrigues, penúltima colocada no campeonato de 2009.

À Ford e a Fogaça restaram procurar outro nome de peso. Foi sugerido o nome de Bruno Junqueira. Djalma conversou com Pedro Aquino, diretor da montadora, e consultou os demais diretores envolvidos. O processo todo, entre a indicação e a aprovação do nome de Junqueira, levou menos de 10 minutos. Junqueira será companheiro de Danilo Dirani.

E este é mais um capítulo que demonstra o porquê de o automobilismo brasileiro estar assim. Muitas cabeças pensantes (?) apenas nos umbigos palmos abaixo de si.

32 comentários

  1. Ever Rupel disse:

    mas e o Mazzacane?
    que corre na f-truck e turismo argentino??
    por que pode?

    e o pessoal que anda de kart?

  2. ticaracatica disse:

    boatos que Julio Campos pode integrar a equipe do fogaça….testou e foi muito bem

  3. Carlos Sato disse:

    Paulo Scaglione: “A CBA não aceita qualquer tipo de restrição à carreira do piloto. O promotor e o patrocinador não têm poder para exigir isso, e nós não aceitamos. A função do promotor é promover, e as funções técnicas e desportivas são exclusividade da CBA. E esta questão é desportiva”, disse o ex-dirigente.

    Ah é assim???? Pergunta ao pessoal que correu de Billand se isso é verdade mesmo ?!?!?!?!

  4. Marcos disse:

    Na semana passada conversei com um amigo meu, piloto da fòrmula Truck e ele me confirmou a existência desta cláusula de exclusividade. Uma vergonha…

  5. Marcos disse:

    A Truck permite apenas que seus pilotos participem de alguma categoria na Argentina, mas no Brasil…nenhuma.

    O Mufato correu sim duas corridas na Truck apenas para substituir o Pedro, seu pai, por esse ter passado por uma operacao, e conseguiu uma licensa especial so pra essas duas corridas.

    Mas a Stock Car permite sim que seus pilotos participem de qualquer que seja a categoria, seja no Brasil ou no exterior. A Formula Truck é que tem vetado isso, o que acho um absurdo.

  6. Rodrigo Janazi disse:

    O mazacane não corre na truck e na top race V6? Alias coisa comum no automobilismo argentino um piloto correr em varias categorias.

  7. Joao Ferreira disse:

    É lamentável, realmente, culpo os dirigentes e as detentoras de transmissão, o engraçado, que o Cacá Bueno, entre outros pilotos disputaram provas na TC2000 e ninguém brigou com eles e tal, mas quando é uma categoria concorrente no Brasil, chamam esta claúsulas feitas por estas cabeças pensantes que acham que entendem de automobilismo para impedir a vinda dos pilotos….

    É vergonhoso, só para lembrar, estas categorias são as mesmas que deixam equipes pegarem fogo na estrada e não tem nenhuma compaixão, que derrubam ou acabam outras categorias para terem exclusividade de transmissão, muito triste, sendo que nem uma e nem a outra traduz o automobilismo brasileiro, uma real disputa, sempre colocando regras absurdas, que só estragam o espetáculo, quando a corrida é boa, vêm uma regra do nada para impedir que o Cacá da vida perca a corrida ou inventam punições para que voltem a disputa, ou simplesmente dividem a corrida com uma bandeira amarela programada, que porra é essa? Quando vão parar com isso e deixar o esporte puro, cru, sem frescura???

    Não sou contra as regras, mas não gosto que inventem uma para tirar a emoção ou que deixem a corrida uma bagunça….

    Um abraço!!!

    • Eduardo disse:

      Outro dia (na falta de algo mais interessante pra fazer) estava vendo essa corrida de caminhão, estava até intessante, até que o narrador avisa dessa tal bandeira amarela programada. RIDICULO

      Já não basta os radares (que o amigo um pouco acima foi atencioso ao explicar a razão da mesma) e agora essa tal de bandeira amarela.

      Esporte tem que ser simples. Que vença o melhor.

      Prefiro uma corrida chata, mas verdadeira, do que uma “emocionate”, mas de mentirinha

  8. Fulano de tal disse:

    Acho q isso não existe. Me explique como poderia o Chico Serra ter tido uma rápida passagem na Truck e David Muffato que já substituiu seu pai, Pedro Muffato. E ambos estão na Stock atualmente

  9. Paulo Aidar disse:

    Ridículo como tudo que cerca o automobilismo tupiniquim.

    Querem ser grandes, europeus, mas agem como a pior espécie de um quinto ou sexto mundo.

    A verdade é que estamos nas mãos de comerciantes nada preocupados com o que não seja o que podem colocar no bolso.

    O esporte ? Ora, o esporte que se dane.

  10. Eu disse:

    Bom turma, o problema é um só: dinheiro !
    Lembram quando a Truck não podia andar em Interlagos porque “estragava o asfalto” ??? Pois é, que estava por trás disso era a Globo e o IPT deu o laudo positivo …
    A briga é de “cochorros muito grandes” e por isso rola o anda aqui não anda ali e assim por diante.
    Infelizmente quem perde somos nós que gostamos de automobilismo e bons pegas …

  11. Vitor Cardoso disse:

    pelo que eu li este veto soh c aplica entre stock e truck, pois tem pilotos correndo na gt3, argentina e agora no linea, ta mta obscura essa situação hein? parece claro que eh uma guerra entra globo e band, abraçoss

  12. Está aí uma novidade pra mim, mas uma coisa que não me surpreende, afinal de contas o nosso automobilismo só tem duas categorias de expressão a nível nacional, então nada mais justo que elas tenham comportamento de “estrelas”, achando que por serem as melhores podem tudo, culpa da CBA que mama naquelas tetas e não quer criar caso.
    O nosso automobilismo a nível nacional tem muito que aprender ainda.
    Graças a deus que no meu estado ainda consigo ver automobilismo de verdade, digo Gaúcho de Marcas e Pilotos

  13. fabianorodrigues disse:

    Como foi anunciado no propio grande premio antes do fim de ano Popo Bueno andaria tambem na Truck
    Pelo visto nao vai mais ira de stock e linea.
    Fiquei sabendo que tambem foi proibido de correr na truck.
    como queria fazer duas categorias foi para o linea assim como Caca Bueno e com certeza outros da stock vao aparecer por la como Marcos gomes , xandinho negrao, lossaco.
    e outros vao para gt3 como Camilo , Ricardo mauricio, Alan Kodair, Valdeno Brito

  14. JOSE disse:

    David Muffato piloto da STOCK,correu na TRUCK substituindo seu pai quando o mesmo se recuperava de uma cirurgia.

  15. Vitor Cardoso disse:

    talvez uma boa alternativa seja espalhar radares no restante da pista e naum na reta dos boxes, uma vez que eh na reta que a esmagadora maioria do publico c encontra, abraçoss

  16. Vitor Cardoso disse:

    deixei um comentario falando do radar na truck q foi respondido pelo felipe, concordo com sua resposta felipe, mas tbm temos q concorda q a pessoa q vai assistir uma corrida naum quer ver um radar no meio da reta dos boxes como acontece em interlagos, mesmo que os caminhões soh chegassem a 161 km/h, o simples fato do publico saber q existe um radar ja desmotiva, abraçoss

  17. dcoelho disse:

    Atualmente, apenas a Truck continua com essa palhaçada de veto. Na Stock Car, vários pilotos disputam paralelamente o campeonato de GT3. Allan Khodair, Thiago Camilo e Valdeno Brito são alguns exemplos.

  18. Estevam disse:

    Falando da CBA, é impressionante como entra presidente, sai presidente, e a coisa nao muda.
    Uma das coisas que acho um absurdo, já nesse novo mandato, é simplesmente um pai de dois pilotos que estao na ativa (Marcos e Paulo Gomes), ocupar um cargo de destaque na CBA. Será que eles nao tem o bom senso de analizar que é no minimo suspeito, esse fato? Será que caso um dos seus dois filhos se meta numa situacao em que a CBA tenha que julga-los, o sei pai nao tentara influenciar seus “colegas”, para tomarem partido so por serem seus filhos? Bom, no minimo vai sempre ser suspeito, e se eu fosse a CBA, evitaria essa situacao. Falta de bom senso.
    Queria saber tua opiniao sobre isso, Victor

  19. Marcos disse:

    Isso que aconteceu com Pizzonia acontece a todo momento na Truck. A organizacao simplesmente nao permite que nenhunm piloto que compete na F Truck, participe de qualquer outra categoria. Agora me pergunto, pq?? Será que realmente os pilotos da F Truck nao teriam tempo para se dedicar a outra categoria? Ou é medo da organizacao que seus pilotos facam mais sucesso em categorias concorrentes? Já que a CBA eh contra esse tipo de veto, pq a F Truck continua a vetar piltos de outras vategorias, assim como tb veta seus pilotos?
    Sinceramente, acho isso um ABSURDO. Será que um piloto que seja capaz, que tenha patrocinadores, deve mesmo ser vetado apenas por participar de outra categoria???

  20. Tiago S. disse:

    Concordo com o que o pessoa falou ai. Se parte da equipe do piloto é até aceitável mas da Globo/Nextel é ridículo.

    Eu no português bem claro cago e ando pra Stock e pra Truck, é triste porque são as “principais” categorias que temos aqui. Mas levada como é, não faço nem questão de saber o que acontece. Se falir ou se continuar existindo, não me faz diferença alguma. Já acompanhei, hoje não assisto e nem sou mais preocupado com o que acontece.

    A CBA é uma piada, ela ao menos sabe do que se trata o regulamento das categorias? Só dizem que são contra, depois que alguém da imprensa vai lá e conta, depois passa e tudo bem, acende o charuto que apagou e pega mais gelo pro wisky que tá tudo certo.

  21. Vitor Cardoso disse:

    a truck e a stock fazem parte do mesmo cenario, um automobilismo brasileiro desorganizado, alem d uma c apoia na outra e crescerem juntas naum, fica com essa palhaçada d canibalismo, tentando fu** com a outra, a stock com o favorecimento explicito a caca bueno e a truck com um radar nas retas principais, assim fica dificil, abraçosss

    • Felipe Mazorca disse:

      Vitor, o radar é necessário para a Truck. Sem ele, quase todo mundo iria ter problema com motor e freios durante a corrida. Os caminhões dificilmente aguentariam uma corrida inteira sem que tivesse o ponto de restrição de velocidade em determinada parte da pista. No Brasil há radar limitador de 160 km/h em um ponto da pista. Se não me engano, na Europa, a velocidade máxima é de 160 km/h, em todos os pontos da pista…

    • Eduardo disse:

      Então podem chamar isso de tudo, menos de CORRIDA.

      Podem falar o que quiser, dar explicações técnicas, porém na minha modesta opinião, esse radar vai contra a lógica do esporte a motor, onde sem se busca ser mais rápido.

      Ah, mas o motor e o freio não aguenta. Paciência, que se trabalhe então para desenolver algo que preste.

    • Felipe Mazorca disse:

      Também acho que o radar é contra o esporte, só estou colocando o porque ele existe.

      Talvez, sem ele, a corrida simplesmente não pudesse acontecer. Talvez não seja fácil desenvolver os equipamentos para que o radar não precise ser usado. Talvez fique caro demais e prejudique o andamento da categoria. Não sou engenheiro, não sei. Só acho que devemos tentar entender o que se passa antes de criticar.

      Sim, sou ontra sua existência, mas podeser que ele seja necessária. E a Truck faz de tudo para desenvolver o esporte. Acredito que se pudesse, eles tirariam o tal do radar. Talvez seja, por alguma razão, fora de mão não tê-lo.

  22. EduardoRS disse:

    Tem gente que curte a Truck. Eu acho uma categoria tão ridícula quanto a Stock atual. E são as duas “principais” categorias do Brasil – daí se tira uma ideia do nível que estamos…

  23. Rafael Dias disse:

    De novo me caiu os butiás do bolso. Eu só entenderia essas restrições se elas partissem do chefe da equipe de um piloto ”A” com medo que ele sofresse um acidente na categoria paralela ou se o patrocinador pessoal do bravo piloto ”A” fosse Lambretta e na categoria paralela corressem de Vespas. No basquete existe agora o Novo Basquete Brasileiro, a CBA precisa de novos e frescos miolos também.
    P.s.: Um dia chego lá …um dia coloco termos em Latim nos meus texto! Viviiiiiiii :-p

  24. Felipe Lima disse:

    Olá, achei o post dos bastidores excelente, rende muito pano pra manga ainda. De qualquer forma, eu fiquei com algumas dúvidas quanto à Fórmula Truck:

    Felipe Giaffone disse já ter recebido convites para fazer a Indy 500 depois de ter voltado ao Brasil. Ele poderia?

    Kart não conta pelo visto? Já que o Danilo Dirani continua competindo.

    Os testes que o Beto Monteiro fez visando GrandAm e Nascar são permitidos? Ou ele só estaria proibido caso cogitasse fazer provas nessas categorias?

    Agora o caso que mais me intriga. Gastón Mazzacane. O hermano compete de certa forma, constante, no automobilismo de lá, principalmente em Endurance. Ele pode?

    obrigado!

    • dcoelho disse:

      Para todas as perguntas, a resposta é sim.

      O Giaffone pode correr na Indy 500 porque é transmitida pela Band…

      O Dirani vai no kart porque não é categoria “top”, e nem tem transmissão pela TV.

      O Beto Monteiro testar nos EUA é um belo instrumento de marketing para a Truck, tanto por aqui quanto nos EUA.

      Da mesma forma, o Mazzacane correndo de Truck faz marketing para a categoria lá na Argentina.

      Essa cláusula de exclusividade só vale para aquilo que não é conveniente aos interesses da categoria. Pode ser quebrada facilmente.

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