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11 de julho de 2010 - 12:14F1

Molho inglês, 5

SÃO PAULO | Webber ficou puto, mas tão puto, putíssimo, que desde o fim do treino classificatório, sem engolir muito a história da asa que era sua e foi passada para o ‘primeiro piloto’ Vettel, ficou se remoendo, vingativamente pensando na largada do dia seguinte, num piso sujo, numa reta não muito grande e estreita. Webber jantou, dormiu, acordou, escovou os dentes, viu-se no espelho e deparou com dois olhos cheios de sangue. “É hoje”, me disseram que disse sem der dito, e partiu para Silverstone.

O Webber visceral e gutural nunca foi posto à prova. Nunca precisou mostrar muita coisa a quem quisesse. Embora o mundo saiba que seu tratamento seria, mais ou menos dia, de segundo piloto diante de um companheiro sabidamente mais talentoso, Webber sempre teve de ser o único a não aceitar e evitar tal situação. Mas Webber sempre reagiu sempre num tom mais camarada e nobre, vide sua reação no acidente com Vettel na Turquia. Só que uma simples asa mais evoluída que lhe foi tirada aponta a notória mágoa e o sentimento de que foi subjugado e passado pra trás.

Todos nós sabemos que, movidos pela ‘vendetta’, acabamos nos superando. Webber se superou hoje. Olhando agora, era óbvio que seria ele o vencedor na Inglaterra. Webber passou um dia se preparando. Vettel não largou tão mal, havemos de rever mil vezes e analisar. Foi Webber quem largou super bem.  Webber conseguiu chegar no fim daquela pequena reta já à frente do parceiro. E ninguém no mundo o faria perder aquela primeira posição por um segundo que fosse.

A vingança de Webber funcionou como malogro para Vettel, que três curvas depois escapava e caía para último com um furo no pneu. Má influência. Vettel, se fosse esperto, teria usado uma figa vermelha sob aquele macacão de touro. Hamilton, que passou um zicado Alonso e que naturalmente seria quarto nesta corrida face o desempenho nos treinos, recebia o segundo lugar de presente. Sabedor de um carro limitado, fez a corrida certa para manter-se à frente no campeonato. Mas Hamilton foi mero coadjuvante diante de seu público.

Porque os olhos de Vettel também se fizeram vermelhos. Vettel não podia simplesmente aceitar e ver os dedos duvidosos apontados para si como o piloto protegido sem argumentos suficientes. Numa prova comum, é bem verdade que pouco faria. Seb andava em 15º, 16º, e não se aproximaria sequer da zona de pontos vendo o andor em toada de procissão. Mas fez-se o safety-car por De la Rosa, outro zica do pântano.

A corrida, então, mudou. Lá atrás. Vettel, então próximo dos outros, foi passando um a um. O decadente Liuzzi, o frágil Massa, o valente Alguersuari, o oscilante Petrov, o mediano Hülkenberg, o Schumacher que hoje estava alerta, e o excelente Sutil, à força. Um sétimo lugar que, no fim, traz alguns pontos que o mantém ali na briga. Mas que o põem atrás de Webber, que foi sarcástico. “Nada mal para um segundo piloto.”

A frase, dita na comemoração segundos depois após a bandeirada, via rádio para o mundo ouvir, foi o ‘teaser’ para o que estaria por vir. O satisfeito e vingado Webber ainda mostrava os resquícios da mágoa, prometeu uma conversa séria com a cúpula da Red Bull já nesta segunda e foi enfático: não teria assinado renovação nenhuma se soubesse que seria relegado daquela forma. E convenhamos: Webber tem toda razão. Se a Red Bull apregoa disputa, não tinha de mexer no vespeiro de Webber para dar o mel a Vettel. E agora cutucado, é Webber quem solta as abelhas e expõe um princípio de cisão que ele mesmo achava que aconteceria entre Hamilton e Button na McLaren.

Rosberg foi outro beneficiado com as ausências de Vettel e Alonso ali na frente. Ficou com um pódio. Sem se destacar, manteve-se à frente de Button que, mais uma vez, foi discreto e eficiente. Partindo em 14º, já era oitavo nas primeiras voltas e, após a parada nos pits, acabou subindo para sexto, para quinto, para quarto. O abandono de Kubica também lhe foi benéfico. O pneu furado de Massa, idem.

Massa, Massa. Primeiro que Felipe anda reunindo toda a zica que Alonso, De la Rosa e o eterno zicado Trulli têm. Peitou Alonso, chocou-se de leve com o companheiro, ficou à frente e logo na metade da primeira volta via seu pneu traseiro direito dechapado. Caiu lá para trás, e como anda acontecendo, lá permanece, sem passar ninguém. Aí, em 15º, na curva Lutfield,  escapou, evitou uma rodada, foi parar na entrada dos pits. A RGT tratou como “circunstância especial”, um lindíssimo eufemismo que encontraram para semelhante erro — aliás, a emissora voltou a tratar a Virgin como VRT, em novíssimo sinal de continuação de suas eternas babaquices pseudojornalísticas padronizadas. Massa, que chegou a ser líder do Mundial pela constância nas primeiras provas, agora está constantemente atrás de Alonso e tem tido constantemente apresentações ruins. Ainda que aponte a má sorte, Massa não tem feito nada para se recuperar nas corridas. Não dá, há de dizer alguém. Dá. Com o carro que tem, tem de dar. Para Vettel deu. Para Hamilton, sempre dá. Para Alonso às vezes dá. Então dá.

Alonso, Alonso. Tinha mais carro que Kubica, mas não passava nunca, até porque o talento de Kubica rende cavalos a mais no limitado carro da Renault. Sem espaço ali na região da curva Club, acabou na ‘grama’, a área de escape. Por ela, superou o polonês, e até já esperava que poderiam lhe mandar devolver a posição. Os comissários, lentos, pensando na vida, não se pronunciaram. Aí Kubica abandonou. Aí os comissários acordaram. Aí, como não havia como promover a troca de posições, tacaram o drive-through em Fernando. A punição até pode ser considerada exagerada, mas era o que tinha de ser feito por um benefício indevido que Alonso teve. É que, zicado, deu azar por Kubica ter problema no diferencial. Aí, putinho, ele soltou: “Não quero mais falar no rádio durante a corrida”. Piti mundial no meio da corrida. Que coisinha, ui, ui…

Diferencial tem sido Barrichello na Williams. Um quinto lugar que ilustra, novamente, seu bom momento e sua expertise — como adora dizer Flavio Gomes quando quer rebuscar seus medianos textos — aplicada no carro azul e branco. Kobayashi, então, brilhante com este obscuro carro da Sauber. Belíssimo sexto lugar. Sutil acabou oitavo, antecedendo os compatriotas teutônicos Schumacher e Hülkenberg.

Agora, a questão é ver como a Red Bull e Webber vão se portar daqui pra frente. Curioso que a F1, na metade do campeonato, tem um protagonista que a vida toda fez papel de coadjuvante. Mas que, se ler isso, vai querer mostrar, com ‘sangue nos zóio’, que é o maior piloto da história.

31 comentários

  1. Gustavo disse:

    O Horner é um idiota… o que ele não fala é que haviam duas asas novas, uma para cada piloto, mas o Alemão Asno Voador, quebrou a dele….

    se huvesse apenas uma asa e ess fosse dada ao Vettel, tudo bem… o problema é que após o Asno ter quebrado a dele… foram e retiraram do carro do Webber (sim como em desmanche da Av. Cursonho de São Paulo) ppara colocar no carro da Anta Veloz…

    E se houvessem apenas 2 motores o o Vettel estourasse o dele? O que aconteceria?

  2. Sandro Marques disse:

    Bravo Victor! Bravíssimo! Excelente post.
    Li o texto imaginando que fosse uma grande história, sendo interpretada por um locutor, com produção musical e tudo.
    É muito bom quando vocês jornalistas conseguem aliar informação e descontração com algo muito bem escrito como o texto de hoje.
    Parabéns pela inspiração.

  3. Gilberto disse:

    Concordo com vc sobre os textos “medianos” do Flávio.
    Pra ele bom quem e o que é de fora.
    Parabéns pelos excelentes textos

  4. Ricardo Soares disse:

    Sim, parabéns pelo texto Victor, muito bom mesmo…e continue suas ironias que são ótimas, o Flávio agradece rsrs. Para os “chatos” dos politicamente corretos, as ironias e brincadeiras nunca acontecerão num mundo irreal como o deles…
    Abraços.

  5. ricardo disse:

    Vitão, muito bom o texto. Putz, o primeiro que vi falando sobre a manobra do Alonso da forma que tem que ser. Abraço

  6. Augusto disse:

    Gostei da sigla RGT, Victor! Acho que todos deviríamos adotar isso para falar da emissora. Dizer VRT é ridículo, assim como SRT e RBR…

  7. Franca Jr disse:

    Webber, voce lembra do que fez para o Pizzonia? O Vettel e’ muito mais talentoso, e’ mais piloto, tem mais carater que voce.

    • Sergio disse:

      Fez o que ? O Pizzonia é o maior bração. Por que todos os brazucas incompetentes tem que ser “injustiçados”.

      O Pizzonia “foi” uma promessa que não deu certo, como tantos outros.

    • Núcio disse:

      Não entendi a crítica. O Pizzonia não choramingou que nem um bebê porque era vencido pelo Webber por este possuir um equipamento superior, com as inovações e chassis sem rachaduras e CA4? Poisé, sempre chorou, e nunca andou na frente (a não ser naquela corrida que, dizem, pegou o carro do canguru). Agora, veja o Webber, pegou o chassi rachado do Vettel, com a asa menos desenvolvida, e ganhou a corrida! Qual a desculpa que o Pizzonia vai dar agora?

  8. Edgard disse:

    …falando na RGTV, dá nos nervos de ouvir o ‘extremo’ cuidado com que eles pronunciam os nomes dos pilotos, é de doer ter de ouvir Fétel, Uéber, Kubitzza e outras barbaridades.
    O mais ridiculo foi o metido a narrador falar Fétel e em seguida, Vettel, na mesma frase…deve ter uma ordem interna pra imitar as palhaçadas do babaca-mor.

  9. Sergio disse:

    Bela análise. É ótimo ver que os “endeusados” (Vettel no caso) fazem merda atrás de merda enquanto os “medianos” (Webber, Barrichello) estão dando um show.

    O Schumacher, campeão 543 vezes é mais humilde que este outro alemão. Deve ser os 22 ou 23 anos que ainda devem fazê-lo pensar que é Deus.

  10. Daniel Ramos de Oliveira disse:

    Acredito que o clima na casa da Red Bull,já tava quente desde da Turquia,naquela babaquice do Vettel,e acho que o Webber tá puto desde daquela época,por ter continuado favorecendo o Alemão,mesmo depois do erro idiota.Essa asa,foi só o estopim pro o Australiano,pois ele quis mostrar que pouco se importa se tem um carro mais ou menos desenvolvido,ele vai conseguir superar o Alemão,meteu o pé no pedal direito,colocou o motor Renault pra trabalhar,e disse:”Bay,Bay Vettel”,e ainda teve o prazer de dá uma volta em cima do Vettel,se fosse eu,daria ainda um Tchauzinho pro o Alemão(rs.).
    Acredito que isso ainda vai dá muita briga,uma briga,que eu achava que ia acontecer no tempo do Counthard,mas que não aconteceu,e se fosse naquela época,ia ser BEM diferente,o Counthard ia deixar o coitado do Webber comendo poeira,mas isso é uma outra história…Essa briga do Webber com o Vettel,ainda vai dá muita coisa,mas se for pra jogar o campeonato fora.Só se for por culpa do Vettel,porque o Webber é um piloto inteligente e pensa no que vai fazer,antes de fazer.

  11. Harlan Rodrigo disse:

    Bom texto. Mas vc tá escrevendo muito parecido com seu chefe…até nos títulos para cada etapa…

  12. Egon Kniggendorf Jr. disse:

    Citar Flavio Gomes e dizer que ele eventualmente gosta de “rebuscar seus medianos textos”… não deu pra engolir.
    Gosto de você e te acompanho de todas as formas, mas você terá que nascer algumas vezes pra escrever a metade do que ele escreve, talvez.
    Uma pitada de humildade e ética, lhe cairão bem.

    • Victor disse:

      VM responde: Uma pena que vc ainda não entende ironias. Mas tudo bem.

    • Rodrigo disse:

      Como tem nego Burro nesse mundo!
      Victor Martins, sempre estou lendo Gomes, você, pra mim os melhores desse mundo de corridas.
      Post de hoje? sem palavras!! parabéns!! muito certo em suas palavras!!!!!!

    • Clovis disse:

      Nascer várias vezes??? O FG só escreve besteira, é cabeça dura e não gosta de ser contestado… Verdadeiro babaca.

    • Paulo Franco disse:

      Pô, e eu que gostei BEM da parte dos “textos medianos”…
      Dá até para ele por no cartão de visitas, ressaltando a sua expertise.
      FG: “O mini escritor de textos medianos”
      Heheheehe!
      Ficou legal isso!!

  13. Junior disse:

    Guardadas as devidas proporções, quem nasceu para Mansell nunca vai aceitar ser Barrichello.

  14. Tom Ferreira disse:

    Temos que comprar mais latinhas para a Red Bul dar mais asas?

  15. Adilson Murizini disse:

    Belo comentário Victor
    A RBR pode estar cometendo o mesmo erro de outras equipes, que por priorizarem um número 1, antes das disputas se efetivarem de fato, tiveram seus campeonatos prejudicados. Hamilton que já provou deste veneno, sabe que esta é a hora de somar pontos e buscar um campeonato que já deveria estar definido, se não fosse os próprios erros da RBR e seu queridinho Vettel.
    Entre os brasileiros um Di Grassi na aprendizagem, um Massa totalmente longe de seu melhor e pior, parecendo sem reação e um Rubinho guiando e dando aulas de fato ao seu companheiro e queridinho da Williams.

  16. Luis disse:

    Ninguém quer ser Barrichello. Será que rola rescisão contratual?

  17. ze_busqueta disse:

    tá certo o canguru, tá no meio do campeonato para que ficar com essa palhaçada, sempre vi dizer que no touro nao tem essa de favorecimento, a briga é com eles na pista, se for isso os equipamentos tem que ser iguais ou quase , prq, dois carros 100% iguais nunca vai ser,dai vence é quem tiver mais braço, acho que tá na hora do dono do touro chegar e botar ordem no curral, prq senao nao vao ser campeoes de nada, com o melhor carro da f1, heim
    claramente esse horner tá pxando a sardinha pro lado do babyzinho, ele que cresça e enfrente o canguro, e nessa corrida ele ja queria dar uma esprimida no canguru, bem feito, devia era estar fora da corrida, isso sim, to torcendo pro canguru, flw

  18. Raphael disse:

    Bela analise Victor!!!

  19. Claudio disse:

    Red Bull te dá asas… se você for o Sebastian Vettel, para o Webber, dá as costas…
    Devemos é agradecer à Red Burro por garantir algumas emoções extras. E alguem precisa dizer para o Vettel que juizo e cabeça no lugar também ajudam a ganhar corrida. E campeonato.

    • Philipe disse:

      Como amante da fórmula 1 que sou, não esperava nada além do que Webber fez, chamou a responsabilidade pra si e enfrentou Vettel como um gladiador, não precisou de asa nova pra se impor. Agora, o Sr Cristian Horner “chefe da Red Bull” deve estar com a cara no chão pois o critério usado para beneficiar Vettel foi vergonhoso, ou seja, se Vettel tivesse ficado com a asa “velha” talves Webber não tivesse ficado irado e ter peitado toda a cúpula da RBR. Webber já está na parte final de sua carreira, 32 anos conra 23 de Vettel pesam pra quem é egoísta como essas equipes que adotam um piloto jovem e talentoso e desmeressem os velhos veteranos, isso é um preconceito estúpido pois por mais que critiquem Schumacher pelo seu retorno o multi campeão ficou 3 anos fora e já com 41 anos de idade ainda “dá uma calor” nas crianças que começam agora, por isso Jean Toddy pediu mais respeito para com o maior da história, e neste caso Webber mostra que ele Webber é maior do que qualquer preconceito, ele sabe que ele é capaz e não tem medo algum de expor ao mundo sobre seu sentimento sobre este epsódio desnecessário. Webber pode até perder o emprego e ir para outra equipe menor, mas ficará na história como aquele que nunca ganhou nada e mesmo assim impôs sua índole a uma grande equipe da qual sabe administrar várias pessoas trabalhando mas não consegue admistrar e ser justa com um funcuonário apenas, Webber deu um “cala boca” em seu chefe e agora pode muito bem sentar na mesa de reunião com a equipe e ficar calado só ouvindo as explicações babacas do Horner, no final o que conta é o troféu de primeiro.

      Vettel precisa é trabalhar a cabeça, não vai achando que é estrela não, afinal temos um hepta-campeão do mundo que vive reconhecendo seus erros “Schumacher” e enquanto Vettel ainda não é nada a não ser um grande talento!!!

      GO CROCODILLO DANDY!!!!!!!!

    • silvana disse:

      MERECER —– desmerecem.

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