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14 de outubro de 2010 - 11:45F1

Sobre Sochi e Deodoro

SÃO PAULO | A notícia mal teve tempo de emergir como boato, e Vladimir Putin anunciou hoje a confirmação do GP da Rússia a partir de 2014 em Sochi, a mesma cidade que vai receber as próximas Olimpíadas de Inverno — não curiosamente em 2014.

Sochi Olympic ParkA pista — tilkiana, óbvio, há um monopólio do marasmo — será construída em torno do Parque Olímpico, o que significa que vão fazer as obras em uma leva só. Menos gastos, pois.

Assim, a ação da F1 com o COI será semelhante ao que se viu em Montreal e Barcelona, que foram sede dos Jogos, digamos, de verão em 1976 e 1992, respectivamente.

Trazendo tal cenário para o Brasil, sede dos Jogos de 2016, é bem verdade que o que Ecclestone fala geralmente não se escreve, mas Bernie vem fazendo duras críticas a Interlagos por sua falta de acessibilidade, face as arenas automobilísticas cheias de pompas e trololós. “É o pior circuito que tem no calendário”, e as ameaças de que a festa da F1 vai acabar sempre pingam aqui e ali.

Evidentemente que a situação é muito diferente pelo modo que as coisas são conduzidas nestas terras de cá, o descaso abrupto com que Jacarepaguá foi tratado, a história do novo autódromo, que não sabe ainda se sai da moita, mas será nada estranho um lobby ou uma avalanche de rumores para que Deodoro, se concebido, roube de Interlagos o posto de sede do GP do Brasil a partir de 2016 — ou mesmo 2015, considerando que o atual contrato da FOM com a pista paulista vai até 2014 —, num grande esquema ‘agquitetado’ pelo ‘pgesidente’ da ‘confedegação’ ‘bgasileiga’.

Dirigente oportunista pra isso não vai faltar.

16 comentários

  1. Alan Magalhães disse:

    Nem me fale desse gago com chiliques e tremiliques. É um câncer instalado no esporte brasileiro, que sempre que pode trabalhou contra o automobilismo. No início dos anos 90 teríamos uma lei de incentivo a esportes a motor e ele fez todo o lobby possível e imaginário para vetar e vetou. O Deputado Federal na época, Dilso Sperafico foi um bravo defensor da lei que acabou sepultada em baixo dos tremiliques desse ditador oportunista.

  2. Davi Ribeiro disse:

    Essa união seiria sempre possível. Poderia ser feito em Jacarepaguá, sem desativar a parte norte do circuito. Mas, parece que fizeram de propósito para desativar a pista.
    Quanto ao Tilke, acho que as primeiras pistas foram boas. Sepang é muito boa, tem dois esses de alta interessantíssimos. Bahrein e China tem retas bem longas, que proporcionam ultrapassagens, e têm trechos de alta também.
    Pode-se dizer que as pistas dele – exceto Sepang e Turquia, que têm vários tipos de curva – são compostas de retas longas com cotovelos – curvas bem fechadas -, a fim de gerar pontos de ultrapassagem. E esse princípio não está errado não. Mas, em Abu Dhabi e na nova pista Coreana também, ele exagerou na quantidade de curvas de baixa. Ele faz isso para evitar que o carro da frente, em uma curva de alta gere vácuo que o carro de trás é forçado a dar uma distância pois no vácuo não tem downforce para fazer a curva com a devida velocidade, e, em consequência, permitir que os carros andem colados, proporcionando mais ultrapassagens. O que, do ponto de vista da corrida em si, torna esses trechos extremamente chatos. Creio que ele poderia colocar algumas curvas de média e alta no miolo de seus circuitos – um trecho técnico – para quebrar um pouco a regra de reta, curva de baixa, reta, curva suave de alta, curva de baixa…

  3. RafinhaDias disse:

    E nessas os circuitos clássicos vão dando tchau. Bando de cartolas de bosta, precisa tanta corrida na Asia?
    Pelo visto nas Américas ficaremos só com Austin (no papel ainda), já que Montreal e Interlagos estão costuradas na boca do sapo.

  4. Nelson disse:

    Bom dia Victor.

    Lendo seu artiigo fiquei com dúvida sobre falta de acessibilidade, a qual vc se referiu, à de acesso através dos transportes, ou internamente para pessoas cadeirantes ?

    Pergunto isso pois sou especialista em acessibilidade, e se o caso for este segundo que eu citei, posso sim ajudar.

    Abraço

  5. Rodrigo Mota disse:

    Vladimir Putin não perde tempo hein? o Czar da KGB quer mostrar ao mundo que a grande mãe Russia tem poder, une olimpíadas com automobilismo, daqui a pouco vão querer a INDY também.

    Com uma diferença, quando Putin quer, bem, á um membro da KGB falando. alguém em sã consciência na Russia vai discordar?

    Só não vai ser em Moscou por que unir 2 eventos em 1 sai mais barato e mais chamativo…

    “Ya Ruski”!

  6. Ricardo disse:

    Outra coisa, Conrado. Acho que, tão grave quanto o marasmo e a pouca diversidade das pistas, é a pouca valorização da F1 para com sua história. Longe de mim defender Interlagos com papagaiadas de “sou brasileiro e não desisto nunca” e outros afins. O que vale é o descaso de Bernie Ecclestone com o passado da categoria, bem como um igual desinteresse dos demais envolvidos em fazer alguma coisa que saia da promessa – só nesse ano, Martin Whitmarsh criticou duramente o trabalho de marketing da categoria umas três vezes.

    Assim, até me contento com Tilke criando obscenidades automobilísticas na India, Abu Dhabi, Bahrein e outros pastos para vacas sagradas e camelos. Pelo menos ele não matou nem descaracterizou nenhuma outra pista verdadeira depois de Hockenheim. Agora, o que fico fulo da vida é de ver a F1 correndo nessas merdas.

  7. Luiz disse:

    Sou carioca, mas tenho que admitir que GP do Brasil fora de Interlagos perde a maior parte do charme.

  8. Carlão disse:

    Pistas do Tilke boas ??? Me desculpe, mas não são mesmo. O que ele fez com Hockeinheim é tenebroso. Abu Dhabi, é horrivel o traçado. Valencia na Espanha, uma me…a. Esse cara não desenha curvas. Desenha esquinas. Qual é a graça da primeira curva na pista da China ??? E a ultima curva ??? Uma esquina. A nova Bus Stop na Belgica ??? Uma bela porcaria.
    Vamos ser sinceros, pistas de verdade, foram Nürburgring, o velho Interlagos ( elogiado até por Fangio !!! ), Le Mans e mais algumas outras. A FIA tem culpa, mas o Tilke tem mal gosto.
    Virtualmente (rFactor), adoro andar em pistas rápidas, e sem grandes “purpurinas”. Circuitinho travado, não dá. Só se for pra kart.

    • Juan paul montracy disse:

      No jogo já ñ é tão fácil de passar na realidade parece ser pior, fato é q no jogo minha pista preferida é suzuka, mas ñ nego q eu gosto de pilotar em Hungaroring, pois ter q andar rápido em um circuito lento me parece desafiador.

  9. Amaral Neanderthal disse:

    Boa, Vitor.
    Você é o primeiro que vejo levantar essa possibilidade, que eu andava imaginando ser bem possível.
    Pensei nisso no dia que li notícia de mr. EccL levantando novamente a questão da premiação por medalhas – a insistência dele nessa mudança claro está tem a ver com o desejo de tornar a F1 um esporte olímpico.
    Aventuro-me a imaginar que se ele já tivesse conseguido esse objetivo maior, talvez Jacarépaguá pudesse ter sido conservado no traçado original, para encaixar o GP com as Olimpíadas.

    Se bem que lá dançou na história porque ninguém dos dirigentes olímpicos toleram automobilismo, pois é esporte de burguês.
    César Maia foi comunista de carteirinha na juventude, não iria nunca dar força prum esporte supostamente anti-popular – melhor dizendo, anti-populista.

  10. Conrado Andrade disse:

    Victor,
    Vc já deu alguma volta virtual (simulador de F1 mesmo de PC) nessas pistas “Tilkeanas”? A maioria são simplesmente excelentes de correr e bater pegas.
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    Acho um p*** vacilo ficar falando mal do Tilke e de seus circuitos megalomaníacos. A grandiosidade da coisa é culpa do Bernie Ecclestone. A segurança, culpa da FIA. E os traçados são magnificos pros carros e motos de hoje em dia. O fato é que a falta de ultrapassagens – consequencia que cai praticamente direto no projetista – não é decorrente da pista onde se corre. Temos bons pegas nos dois tipos de pistas: modernas e tradicionais.
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    O problema é dos carros. É tudo mais rápido que um reflexo: reaceleração e frenagem especialmente. Além do que, “pegar o vácuo” não é mais como antigamente, qndo os carros produziam tal efeito. Disputar frenagem até dá. Mas a reaceleração de um F1 é tão impressionante, que não adianta vc ser 0,3 segundo mais rápido na saída de uma curva – em uma tentativa de passada – pq o outro carro se recupera. Gostaria de traduzir isso melhor em palavras…
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    Acho que seria legal perder essa mania de culpar o projetista da pista. Nenhuma pista dele tem o traçado ruim. Pelo contrário, na China, na Turquia, no Bahrein… todas essas pistas tem curvas especiais, retonas… tudo pra proporcionar os maiores pegas seguros possíveis. Ah, e já reparou? Nenhuma pista do Tilke tem chicane!!!
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    Não gosto desse excesso de segurança – como espectador obvio – e por isso, prefiros as pistas mais tradicionais, como Monza, Spa, Suzuka, etc. O fator “risco de sair da corrida” é um ingrediente muito especial em corrida de carros. Essencial, eu diria. Assim como o perigo. E essa adrenalina extra a gente não encontra nas pistas novas. Culpa da FIA, não do Tilke.
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    Nos moldes de hoje, a F1 seria melhor, se limassem as artimanhas no difusor; diminuissem o aerofolio dianteiro; liberassem as equipes pra correr com o pneu que quiser; acabassem com a telemetria real-time; e por fim, acabar com o campeonato de construtores – forçando a briga entre pilotos. 1 carro por equipe tb é interessante.
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    Mesmo assim… vimos o Kobayashi passando um monte em Suzuka, de novo mostrando que tem bolas e que falta coragem pros outros pilotos. De repente seria uma boa haver pontuação por ultrapassagens… De repente Webber reconsiderava a não-tentativa de ultrapassar Vettel nessa última prova…
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    abraços

    • Diogo disse:

      As pistas são até boas, mas o que pega mesmo são as áreas de escape asfaltadas. O piloto pode abusar e errar à vontade que volta à pista com um bom desempenho e sem perder tempo. Se voltarem a usar grama e/ou brita, esses erros causariam maiores prejuízos ao piloto e permitiria a aproximação dos adversários.

    • Anderson disse:

      Boa parte da culpa é dos circuitos sim. Diria que no mínimo 70%. As melhores pistas em questão de ultrapassagens são/eram Interlagos, Indianápolis, a do Canadá e a antiga da Alemanha, entre outros. Coincidentemente são as mesmas que sofrem ameaças de serem retiradas ou já saíram do calendário. Outras foram completamente desfiguradas, como a da Alemanha. Era a melhor de todas, na minha opinião. Foi palco da inesquecível primeira vitória (pelo menos para mim) de Barrichello em 2000, onde largou na posicao 18 e venceu a corrida. Tem até um link interessante que conta a história de como foi. A pouco tempo eu assisti a corriad completa no youtube.

      http://paddockformula1.blogspot.com/2007/07/primeira-vitria-dos-pilotos-brasileiros.html

      Pra concluir, é só comparar estes que citei acima com os tilkódromos. Completamente diferentes. Tem grandes retas com curvas de baixa no início e no fim. O Tilke tem um tesão quase sexual por curvas de alta, que por mais legais que sejam de pilotar (real e virtualmente), não acrescenta em nada a competição.

    • Ricardo disse:

      Caro Conrado, pare de jogar videogame e vá assistir Fórmula 1.

    • Conrado Andrade disse:

      Diogo, concordo perfeitamente.
      Foi o que quis dizer quando mencionei o fator perigo das pistas tradicionais. Não se pode sair da pista em um racha se não vc morre; em um couro na serra, na estrada… no fim, corridas de carro são representações disto. E é por isso que prefiro essas pistas mais tradicionais. Mas o Tilke não tem nada de culpado! As pistas dele inclusive, facilitam muito as ultrapassagens. Acho que falta essa coisa de não poder errar. De explorar o “guts” de cada piloto. As areas de escape asfaltadas são como uma nova vida em um joguinho de videogame.
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      Anderson, discordo de vc – exceto pela vitória do Rubens e aquela magnifica pista – sobre a comparação com os “tilkodromos”. Sinceramente, só lembro de uma corrida boa em Indianapolis, apesar de gostar do circuito. Sou fã de Canadá, embora este ano tenha deixado a desejar e principalmente de Interlagos… que é simplesmente única, apesar de curta.
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      Mas veja bem: tanto em 2009 como em 2010, Monza foi um saco; Spa quase não houve ultrapassagens; até Canadá não foi o que costuma ser… não é a pista!!!
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      Vamos traçar um paralelo?
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      Imagine agora que aquela Hockenheim tem imensas áreas de escape asfaltadas. Isso não foi feito, até onde me recordo, basicamente por causa da Floresta Negra que envolve a pista – protegida. Mesmo que houvesse, o fator risco teria sumido e a pista ia perder TODA a graça que tinha.
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      Agora imagina o contrário: que aquele curvão da Turquia, ou o outro da Malasia e na China… se não fossem de áreas de escape asfaltadas? O fator “risco de vida” (rs) ia bater direto no senso de perigo de cada piloto e isso iria mostrar quem tem ou não tem bolas pra fazer aquilo mais rápido. Não acha?
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      Sem brincadeira: se só a turbulencia acabasse; se o vacuo voltasse como já foi um dia; já teríamos uma booooa melhora…
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      Carlão,
      Estas pistas que vc citou são lendas. Não dá nem pra brincar de comparar! Agora… não tem como imaginar uma corrida de F1 em Norschleiffe hoje em dia, mesmo sabendo que Heidfeld deu umas voltas com a BMW F1.06 por lá. Ninguem ia passar ninguem. Le Mans? Quem dera… se voltasse Imola, limassem aquela primeira chicane em Monza… tem muita pista boa por aí… muita!
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      A primeira curva na China é extremamente técnica e se vc bobear, destrói seu pneu em “5″ voltas.
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      O traçado de Abu Dhabi parece bobinho, cheio de esquininhas… mas se trata de uma traçado extremamente extenso e dificil de equilibrar o carro. Quase impossivel fazer duas voltas iguais e isso por si só é um desafio. As esquinas retratam bem qualquer corrida de rua… particularmente gostei bastante de assistir a corrida do ano passado. O pega no fim foi espetacular! Kobayashi tb deu show se não me falha a memória!
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      É isso… só uma opinião! Abraços!

  11. highdownforce disse:

    Victor,

    Coincidência, ou não, a data planejada para o início das operações de Deodoro – conforme a proposta apresentada – é justamente no decorrer do ano de 2014.

    O que mais me incomoda nesta história, é o fato de que será feito em Sochi o que seria feito em Jacarepaguá. Durante os preparativos para o Panamericano de 2007, Tilke foi convocado para projetar o parque olímpico ao redor do traçado do autódromo. A parte destruída do circuito corresponde justamente a um dos aparelhos que foi posicionado no interior do início do retão.

    Sobre a substituição de Interlagos, não vejo ainda, força política e investimento suficiente para que o comentado circuito de Deodoro venha a ser uma ameaça.

    Na pior das hipóteses, imagino, haverá um revezamento.

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