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13 de novembro de 2010 - 14:52F1

Abu seita, 7

SÃO PAULO | A situação mudou. E agora é Vettel quem precisa de Webber para tirar o título de Alonso.

A Red Bull não mexeu nas posições da corrida do Brasil e bateu no peito antes de arregaçar seu macacão a camiseta de sua filosofia esportiva. Pois o resultado em Interlagos trazia uma situação já esperada, a de que Vettel poderia ser o peso da balança taurina a favor de um companheiro que de longe é seu amigo de fé ou irmão camarada. Enquanto o povo da F1 viajava a toque de caixa para Abu Dhabi, o mundo discutia se Webber seria, enfim, beneficiado. A indicação veio na última quinta-feira, quando na coletiva Vettel se lançou como candidato a funcionário do mês da empresa e admitiu que, pelos poderes da latinha energética, ajudaria o australiano.

Mas a F1, como a vida, é uma caixinha de surpresas.

Poucas horas antes da decisão deste domingo no circuito árabe, a situação virou na Red Bull. A classificação, que hoje é a primeira e mais importante parte de uma corrida de F1, apontou que é Vettel quem mais tem condições práticas de ser campeão e que precisaria ser apoiado por um Webber que se escondeu com o cair do sol. Esqueçam, Webber não será campeão nas CNTP. Além de demonstrar que não é mais aquele Webber forte da vitória na Inglaterra, a estatística da temporada corrobora que suas chances são ínfimas: apenas uma vez em 2010 um piloto que largou em quinto chegou à vitória. Foi Button, na China, em pista molhada. Não há dança aborígine da Tasmânia no mundo que faça chover em Abu Dhabi — a água que veio esta semana foi uma aberração. Nem milagre que faça os quatro que estão à frente do australiano quebrar.

O negócio de Webber é fazer a largada mais bem feita da história para tentar passar aquele que está fisicamente à sua frente no grid, o competente Fernando Alonso, que achou o terceiro lugar quando parecia que ele, sim, ficaria em quinto. Tão importante que ficar à frente de Webber foi Alonso bater este Button que buscou motivação com um carro decente. Alonso não parece ter equipamento para brigar com as McLaren — se se mantiver diante do inglês na largada, terá de se redobrar sua atenção no retão de Abu Dhabi por conta do eficiente duto frontal dos prateados. Assim, sua posição normal no ritmo de corrida é o quarto lugar.

Cair para quinto, pois, vai depender de Webber e da estratégia da Red Bull — que, agora, vai trabalhar com a maior eficácia e empolgação já vistas em uma equipe de origem austríaca para traçar a melhor estratégia que permita tal troca de posição. E Webber não poder se negar a ajudar, não, com risco de ser execrado e defenestrado a pontapés da janela do hangar da Red Bull.

Aqueles dois abandonos de Hamilton, Itália e Cingapura, quando estava em quarto em ambas… 24 pontos que, hoje aplicados, dariam a coliderança no campeonato e a grande chance de conquistar o bi. Hamilton pode dizer que perdeu o título de 2010 por seus erros. A tarefa que tem é impossível, e nem adianta ficar até minutos antes ajoelhado e virado para Meca. Resta-lhe vencer a prova — que não ganhou no ano passado por uma quebra — para apagar a imagem ruim que carrega em si. É Lewis a maior ameaça à vitória e ao título de Sebastian.

A McLaren, talvez, não se oporia a uma vitória de Vettel. Inimiga figadal da Ferrari, os mclarianos trazem em seus registros uma história que não terminou da forma mais amigável e cordial com Alonso. E foi lá que os atritos com Hamilton se iniciaram. Mesmo sem uma aliança formal e pública, a McLaren não hesitaria em fazer um ‘jogo de equipes’ com a Red Bull. Tipo aquele visto há 13 anos, quando Ron Dennis se aliou a Frank Williams para que Villeneuve derrotasse Schumacher na decisão em Jerez de la Frontera. A recompensa da McLaren, que vinha numa seca braba de vitórias, foi ver Villeneuve abdicar da vitória daquela corrida para dar a dobradinha a Hakkinen e Coulthard — que hoje é conselheiro da Red Bull, puxa vida, baita coincidência.

Então são quatro os concorrentes na matemática, três deles entraram no fim de semana com chances reais e agora o cenário só aponta para dois na cabeça. É Alonso ou Vettel, não parece sair disso. Ou melhor dizendo, é Alonso ou Vettel (Hamilton e Button). A dúvida é onde encaixar Webber na equação.

4 comentários

  1. eduardo disse:

    Todos erraram durante o ano não apenas o Vettel, perder um titulo vencedo e contando com uma quebra de motor faltando 5 voltas quando liderava a antepenultima corrida, resuntado que permitiria entar na corrida final com 8 dedos na taça ou perder o titulo fazendo uma corridinha só o titulo resgata o Webber enquanto Vettel vai para 2011 mais esperiente e com a equipe na sua mao

  2. Arthur disse:

    Concordo com o maurício e não pode se esquecer que alonso foi o mais rápido com os pneus duros. Rumo ao tricampeonato alonso força Ferrari!!!!!

  3. silva jr disse:

    Porque a descrença no Webber? Ele tem melhor carro do que Alonso, Button e Hamilton, o que o impede de ultrapassar os tres? O circutio é ruim de passar? E dai? E os boxes? Equibilibrio do carro em andar com pneus macios por mais tempo? Na minha equação o Webber é o segundo na ultima volta, e pronto, campeão, ja que o Alonso nao tem condições de acompanhar as mclarens de Hamilton e Button, e talvez do Schummy, que vai querer zoar o negocio.

  4. Mauricio disse:

    Não acho que a Mclaren vai ser superior à Ferrari amanhã.
    Hoje eles usaram uma configuração própria para volta lançada. Mas amanhã não poderão correr com tão pouca carga aerodinâmica, pois a pista consome pneu sem dó.

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