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27 de maio de 2011 - 16:04F-Indy

Hoosiers, 27

INDIANÁPOLIS | Gil de Ferran não para. Mesmo depois do fracasso com a equipe De Ferran Dragon no ano passado, quando o time foi desfeito por conta da falta de patrocínio, o brasileiro já trabalha em novo projeto. “Não me vejo fora do automobilismo”, disse o ex-dirigente em Indianápolis. Apesar da busca por um novo caminho na carreira, Gil admitiu que vai ficar de fora das competições neste ano, mas fez uma ressalva. O intervalo profissional tem mais a ver com a questão de não se fazer algo pela metade.

“Infelizmente, a gente não conseguiu levantar patrocínio suficiente pra poder participar de maneira competitiva, e aí a gente dissolveu nossa parceria. Meu relacionamento com o Jay (Penske) e o Steve (Luczo) continua 100%, e eles seguem meus amigos. O Jay está tentando fazer um novo negócio, mas eles não conseguiram se classificar para esta corrida. Quanto a mim, este ano vou ficar de fora, mesmo, porque não vejo sentido fazer alguma coisa no meio termo”, explicou o ex-piloto ao GP. Gil anda dando consultoria e fazendo trabalho de relações públicas nestes tempos sem estar numa equipe. Mas há algo engatilhado. “Estou começando a trabalhar em coisas para o futuro. Não sei o que é exatamente ainda — ou não estou preparado para falar isso no momento”, escondeu. “Eu sempre fui ambicioso e irrequieto. Eu não me vejo de férias para o resto da minha vida. Não me vejo fora do automobilismo”, reiterou.

O lado mais agitado da personalidade de De Ferran também o faz não descartar possibilidades no futuro. É claro que a ideia parecer ser mesmo a de permanecer nos EUA, mas um retorno à Europa também não é encarado com maus olhos. “Não tenho nada contra a F1, e se tiver de voltar, volto. Para mim, o automobilismo é um mundo muito pequeno. Eu sempre fui assim, e foi por isso que eu vim pra cá. Se eu fizer meu trabalho bem feito, consigo criar uma organização que seja competitiva em qualquer lugar, e isso é muito importante”, enfatizou o brasileiro. “Quando você menos espera, sempre tem um projeto interessante porque tem muitas coisas interessantes acontecendo pelo mundo, dentro e fora do automobilismo. Eu acho importante você manter a mente aberta e estar preparado para poder atender as oportunidades que passam pela sua frente. A verdade é que você nunca sabe o ônibus que vai passar”, acrescentou.

Falando em F1, Gil ainda comparou o cargo que desempenhou na principal categoria do automobilismo, quando foi diretor-esportivo da extinta Honda, e o trabalho à frente da equipe na ALMS (American Le Mans Series) e na Indy. No começo da análise, De Ferran até viu que era diferente, mas no decorrer da comparação encontrou pontos similares. “São duas experiências diferentes”, afirmou. “Numa eu era diretor-esportivo de uma equipe enorme e era responsável por tudo que acontecia na pista, inclusive contrato de piloto e tudo mais. Na verdade, apesar de eu ter sido dono e presidente em ambas, são meio parecidos, porque em nenhuma delas você fabrica os carros. Então, em termos de responsabilidades, são parecidos”, completou.

Gil também não se furtou de falar de Indianápolis. O brasileiro, que saiu vencedor da famosa prova de 500 Milhas em 2003, revelou que se lembra com detalhes do fim épico contra o então companheiro de Penske, Helio Castroneves. “Eu lembro de tudo, quase que minuto a minuto, principalmente no fim da corrida, com o Helio (Castroneves) fungando no meu cangote. Foi um dia fantástico, e me recordo da concentração e que não poderia cometer nenhum erro e ao mesmo tempo forçar ao máximo para ele não me passar. Esse momento ainda está super vivo na minha cabeça”, salientou De Ferran, que deixou as pistas no final da temporada de 2009, quando competia ALMS.

Ao ser perguntado sobre o desejo de pilotar, Gil reafirmou que ainda gosta. Porém, de novo, deixou novamente à mostra o traço da personalidade que não o permite fazer nada pela metade. “Eu gosto de pilotar? Adoro. Mas eu sempre vi isso de uma maneira que é ou tudo ou nada. Já era difícil andar bem o tempo inteiro quando você está fazendo isso 100% do seu tempo, completamente voltado a ser o melhor piloto possível. Você chega lá no fim de semana só por chegar e tentar não é meu estilo”, finalizou.

4 comentários

  1. Tássilo Vinicius disse:

    O melhor piloto brasileiro depois da era senna. E a solucão para organizar a bagunça que está na Ferrari.

  2. Anderson disse:

    Gil foi um dos melhores pilotos de sua época. Uma pena que no Brasil existe o pensamento retrógrado que se uma coisa não é da F1, não presta. Isso quando conhece alguma coisa além de F1.

  3. Lucius disse:

    Gil na Williams?

  4. Alê disse:

    Victor, ótima conversa com o Gil, parabéns. Só um detalhe, vazou no texto um crédito do banco de imagens (…completou. Getty Images Gil também…) no penúltimo parágrafo.

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