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13 de setembro de 2011 - 11:07F-Indy

A cereja podre do bolo

SÃO PAULO | A Indy pode indiretamente confessar nesta terça-feira à tarde seu maior fiasco nos últimos tempos, ao mudar no desespero as regras de um jogo definido há quase seis meses, teoricamente bem bolado, mas pessimamente bem jogado. A corrida que prometia dar US$ 5 milhões a cinco ‘forasteiros’ escolhidos a dedo na verdade vai apenas deixar Dan Wheldon como candidato a metade do prêmio — a outra parte será sorteada a um fã.

Entre março e abril, a Indy lançou o interessante desafio: será que existe algum piloto de fora capaz de sentar a bunda nos velhos monopostos feitos pela Dallara e ganhar a prova final de Las Vegas? Para atiçar, garantiu a maior bolada da história a quem conseguisse. O esquema estava todo preparado: entre julho e agosto, testes com os cinco eleitos pela categoria seriam realizados e teriam o tricampeão Dario Franchitti como uma espécie de técnico e preparador.

De início, a Indy ganhou certa popularidade e foi aplaudida pela proposta. Em Indianápolis, nomes como Alessandro Zanardi e Jacques Villeneuve eram tidos como certos. Dois dos maiores sucessos da história da categoria nos anos 90, o provável retorno de ambos já apontaria por si a tacada certeira. Só que a Indy se esqueceu de uma coisa: dá trabalho às equipes colocar um carro extra na pista. Zanardi só se arriscaria a voltar se fosse pelas mãos da Ganassi. E Villeneuve, igualmente, pela Penske — ainda mais depois dos convites que a equipe lhe fez para fazer corridas pela Nationwide, o campeonato de suporte da Nascar.

Ganassi e Penske, como bem se sabe, são as duas principais equipes da Indy e estão novamente lutando para fazer um de seus pilotos campeão — os mesmos do ano passado, Franchitti e Will Power, respectivamente. Ainda que os US$ 5 milhões sejam altamente tentadores, seria de certa forma imprudente que ambas passassem a dedicar seu tempo também para acomodar um astro e perder o foco na disputa pelo título. Com o passar do tempo, foi ficando muito mais claro que Chip e Roger sentiam muito, mas se viam obrigados a declinar do desafio. Da mesma forma, Zanardi desistiu e Villeneuve pôs-se a declarar que jamais voltaria à Indy no estado em que se encontra.

Na miúda, o presidente Randy Bernard tentou manter a proposta instigando gente da Nascar, como Scott Speed e Joey Hand. Speed passou dias turbulentos em Indianápolis com a equipe Dragon, notoriamente não conseguiria se classificar para a corrida e foi substituído às pressas por Patrick Carpentier. Hand, com trocadilho embutido, não iria dar uma mão ao negócio. Foram, então, para cima de Travis Pastrana, nome forte do mundo dos X-Games. Mas ele fraturou o pé e o tornozelo numa competição de motos em julho. Bernard viu-se numa zica do pântano.

Porque, se um dia falaram que a lista de candidatos chegou a 13, não havia mais ninguém interessante para desafiar o grupo da Indy. Agosto se foi, o tal teste agendado não foi realizado, disseram aqui e ali que fariam um anúncio no começo de setembro e, depois de uma visita ao GP da Itália da F1, Bernard marcou um anúncio para hoje. Wheldon, vencedor das 500 Milhas em maio, será o único que terá o direito de ganhar o superprêmio, e tão logo os colegas souberam, reclamaram.

O primeiro a bradar foi Tomas Scheckter: “Então eu posso disputar os US$ 5 mi de Vegas?”, e nisso Graham Rahal o apoiou. O sul-africano, que fez provas esporádicas pela Dreyer & Reinbold e SH, parceira da KV, começou a pedir aos seguidores no Twitter que fossem encher os pacová da Indy para aprovarem sua candidatura. Bruno Junqueira foi outro a falar, em tom de brincadeira, que a Newman-Haas poderia lhe dar um carro. Entrei em contato com o brasileiro, que disse: “A categoria não ia deixar eu competir pelos US$ 5 mi, mas agora com o Wheldon correndo, acho que mereço uma chance também.”

Da mesma forma, os pilotos que não participam regularmente do campeonato vão se sentir lesados — mesmo que não seja a melhor palavra para definir. A lista destes apresenta Paul Tracy, Ho Pin-Tung, Giorgio Pantano e, agora, João Paulo de Oliveira. Fazer de Wheldon um astro, ainda mais um piloto que já ganhou a Indy 500 e que é o responsável pelo desenvolvimento do chassi Dallara do ano que vem, é a pior saída que Bernard e seu grupo poderia ter encontrado, representando a cereja ao marraschino do bolo para uma temporada que beirou o desastre em termos esportivos — leia-se Brian Barnhardt, chefe de operações e diretor das provas. Para agradar, ou que ponha estes no mesmo balaio ou que se premie o vencedor, seja quem for.

A Indy, no afã de se restabelecer como categoria séria nos Estados Unidos, começa a dar tiros no pé — os primeiros foram a manutenção de Barnhardt e a decisão de tirar da internet as imagens dos treinos e da corrida. Bernard, trazido a peso de ouro para ser o bate-estaca na cagada construída por Tony George, tem igualmente mirado nos dedos certeiramente, bom caubói que é. Assim que acabar o ano, seria de ótimo grado o presidente pegar o que foi 2011 e usá-lo como ‘turning point’, como dizem por lá, para começar a dar uma dentro, aproveitando a mudança dos carros. Do contrário, vai dar voz a quem insiste, com razão, em ver a várzea que está tornando a simpática categoria.

16 comentários

  1. Hugo Becker disse:

    Quem diria que esse imbróglio todo terminaria justamente com a morte do Wheldon… que cereja…

  2. Anderson Puff disse:

    É TRISTE, ver no que a finada INDYCAR se tornou…..depois de ter Mario Andretti, Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell………….. para agora se acabar em nada, no Brasil mesmo, eu não vou mais nem comentar, se SBT e Record fizeram questão de destruir as transmisões por aqui, agora é a vez da Band, que passa uma corrida na integra no ano, a INDY SP, e NADA MAIS…pior que isso, chegam ao RIDICULO de cortar a INDY 500 no final para passar algum jogo qualquer do campeonato Brasileiro em seu inicio e não valendo NADA…
    Já sobre a Indy, o que falar da corrida dupla do Texas?, aquilo foi ridiculo, sortear o Pole!!! lamentavel, e vez parecer que tudo era só uma brincadeira, só que a 300 km/h…
    Cade a tradicionl prova de Surfers Paradise??, Cade a disputa de Motores??, Porque não dar uma nova chance aos caras que fizeram da categoria americana, ser quase tão importante quanto a F1?? Pois no final dos anos 80 e inicio dos 90, foi isso que aconteceu, e o grande Tony George conseguiu estragar tudo, e transformar a INDYCAR em um campeonato que uma única prova, a INDY 500, que alias neste ano foi notavel ver que não estava lotada…

  3. leandro 440 magnum disse:

    E de pensar que há quinze anos atrás ,era um prazer enorme assistir corridas da Indy ,sabendo que tinham motor Chevrolet,Ford,Honda e Mercedes.Pneus Firestone e Goodyear.Chassis Penske,Lola e Reynard.
    Pilotos de todos os continentes alguns oriundos da F1 iam se aventurar nos milharais de Ohio e Indiana,no aeroporto de Cleveland, nas ruas do Canadá,na praia carioca e outros lugares pitorescos,que festa!
    Patrocinadores locais e alguns internacionis de peso pondo seus nomes em evidencia na categoria que não tinha a fleuma do principal campeonato europeu de carros Formula,mas era ate mais divertido de assistir
    Aí me chega o Tony George e começa a desmontar algo que estava funcionando de uma forma genial , em nome de um nacionalismo ufanista e imbecil,pois a historia de utilizar apenas material(chassi,motor ,pneu,pilotos) estadounudense e circuitos somente ovais e dentro dos EUA como na NASCAR não apenas não deu certo como os pilotos americanos ,as empresas patrocinadoras americanas e estrangeirasforam para outras categorias(afinal há outros mercados fora do interior dos EUA)inclusive dando uma visibilidade maior ainda para os carros de turismo da NASCAR,a verdadeira arquirival da Indy dentro dos EUA.
    Quem ganhou com isso tambem foi o senhor Ecclestone que evitou que seu circo milionário ganhasse um rival pobre e tão interessante esportivamente quanto a ormula Ecclestone.Pois a Indy correria em qualquer oval no mundo custando a metade do preço da Formula Ecclestone.
    Faltou para 2012 uma liberação para chassi ,uma vez qua a dallara não da conta do recado,pô segurar um mesmo modelo de chassi e para acabar com a categoria.

  4. Jacaré e Capivara do Tietê disse:

    Fizeram a corrida de SP na várzea do rio e a gora a várzea está tomando conta da categoria inteira! É a praga dos morados daqui, os vizinhos do minha “chez” aqui na marginal. É marginal sem número, mas pelo menos honesta.
    Impressionante como nada mais presta no mundo. Decadence avec elegance, tipo várzea mesmo!!!

  5. Ricardo Arcuri disse:

    Engraçado como as mascaras caem com o tempo. Nao falo de Randy Bernard, pois ele ainda conseguiu colocar em evidencia uma categoria de carros velhos e totalmente desinteressante tecnicamente. Tanto que nem mesmo eu, que assisto a Indy desde 89, estou dando muita trela para este ano por la. Tava mais que na hora de mudar mesmo.

    O problema esta em Brian Barnhart. Ele ate que começou acertando, mas suas decisoes quase sempre erradas desportivamente e seu modo um tanto quanto pedante de lidar com os pilotos fez sua popularidade despencar ate mesmo dentro da categoria. É fato que ele nao serve para este cargo e deveriam trazer alguem com mais conhecimento. Pq nao Tony Cotman? Sua funçao vai acabar em meados do ano que vem! Ele é um cara que ja viveu de tudo no automobilismo e sabe como lidar com essas coisas…

    No fim de tudo, a Indy tera um ano decisivo em 2012. Acredito que a mudança tecnica traga visualizaçao e sucesso a categoria. Se nao trouxer, nao haverá um 2013.

  6. André disse:

    Acho justo que qualquer piloto que tenha participado de apenas uma etapa este ano possa se candidatar ao prêmio. JP, Wheldon, Junqueira, e outros. Se o critério fosse de nçao ter disputado nenhuma etapa este ano, ainda assim teriam pilotos, mas teriam de se contentar em correr em equipes menores, como Conquest, Panther, HVM e Dragon, Herta e AFS, que não têm tantos carros sob seus comandos.
    Pra mim, isso é culpa da vaidade desses pilotos como Villeneuve, Zanardi e todos os demais que amarelaram por não poderem correr pelas equipes de ponta. E a lista é extensa e cheia de opções: Montoya, Hornish, Allmendinger, Gil de Ferran, etc.
    André / Piloto no http://www.f1bc.com

  7. Pequim disse:

    Não tem gente pra competir? PIADA SEM GRAÇA!!
    Em 7 posts o pessoal já achou uns 10 pra correr.
    Só o Wheldon pode competir? Se eu sou outro piloto, dou no meio dele e ninguém leva!!!
    Pô, o Hildebrand merecia uma nova chance pois perder as Indy 500 na ultima volta é de cair o c* da b*nda….kkkk
    Faz assim: já que na visão turva dos dirigentes não tem quem possa competir, libera o prêmio pra quem ganhar. Chegou em primeiro, levou 5 mi de doletas e tamos conversados.
    E pensar que a gente parava pra ver as provas nos anos 90 e começo dos 2000 (epoca da CART e finalmente Indy)…
    Será que os dirigentes do automobilismo brasileiro fizeram curso de “aperfeiçoamento” com os caras da Indy?

  8. Flavio disse:

    Pior que já vi muitos por aqui dizendo que a Indy é melhor que a F1, que a F1 já era e etc. Olha aí a perfeição…

  9. Bruno Bertolo disse:

    Putz, que confusão!

    E não é que a IndyCar confirmou que somente Wheldon disputará o prêmio?

    Resultado: alguém duvida que o inglês será implacavelmente perseguido e levará uns bons chega-pra-lá de todos durante a prova? Isso sim que é querer acirrar os ânimos contra uma só pessoa. Podiam colocar o patrocínio da Ganassi no carro dele: Target… Hahaha!

    A categoria, a meu ver, trocou de posição com a Fórmula 1. Claro que a F1 sempre teve mais visibilidade (exceto nos EUA) e mais tecnologia, mas a Indy era extremamente competitiva na década de 90 até o ano de 2001. Com a cisão entre CART e IRL a categoria perdeu espaço e atualmente enfrenta o problema que outrora era da F1: a falta de ultrapassagens (até em ovais, pasmem).

    O GP de Toronto foi lamentável, uma pancadaria generalizada. Todo mundo batendo em todos… E ninguém recebeu qualquer punição… Para coroar as burrices de 2011, o Barnhardt resolveu dar a relargada com a pista semi-úmida em New Hampshire (um oval), causando um belo strike. Como consequência, gerou aquele protesto da Newman-Haas pela vitória do Servia…

  10. Diogo disse:

    Não tem gente pra participar? Cata um ou dois ex-F1 (Nelsinho Piquet, por exemplo), vai na Nascar e convida Montoya, Kasey Kahne ou algum outro bom nome fora do playoff, pega o campeão da Indy Lights, o Sam Hornish Jr., e até a Milka Duno, mas dizer que não tem gente pra competir é piada.

  11. Ligeirinho 42 disse:

    Chama eu, se esse é o problema! E ainda corro por apenas 1/5 do premio!

  12. RAFAEL disse:

    CHAMEM O LEÃO NIGEL MANSEL…ELE GANHA COM UMA DAS MÃOS NO VOLANTE E A OUTRA DANDO TCHAUZINHO…ELE FOI CAMPEÃO NO 1º ANOEM QUE CORREU POR LÁ NA DECADA DE 90

  13. Tohmé disse:

    Chama o Barrichelo, oras.

  14. Wellington Costa disse:

    O jeito é a INDYCAR arrumar uma desculpa esfarrapada nesses moldes: “Só tem cagão no automobilismo e ninguem quis desafiar nossos pilotos em um oval”. Mas acho que o Patrick Carpentier, Scott Speed, Bruno Junqueira, Paul Tracy, Tomas Scheckter, Wade Cunningham, Ed Carpenter, Martin Plowman, João Paulo de Oliveira, Davey Hamilton, Ho-Pin Tung e Raphael Matos também deveriam participar do desafio já que o Wheldon pode participar.

  15. Amilton disse:

    A Indy é um lixo de competição. Já era….

  16. Marcos disse:

    é lamentável mesmo que a indy faz. Deixar o Barnhart fazendo cagadas, e agora essa, depois de um anúncio pomposo, fazer uma senhora cagada. Realmente um ano com poucas coisas boas pra se lembrar e muitas para esquecer…

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