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9 de julho de 2012 - 12:05F1

Os pneus que derrubam muita gente

SÃO PAULO | Quem pega a tabela de classificação do ano passado e desta vai ver que, depois de nove provas, Webber tinha mais pontos em 2011 que agora — 124 a 116 —, o que passaria a impressão errônea de que o australiano estava melhor que nos dias atuais. A frieza dos números deixa de expressar que a temporada anterior foi totalmente dominada pela Red Bull — então Webber tinha a obrigação de, pelo menos, formar dobradinhas com Vettel — e a absurda competitividade desta — em que o australiano, ao lado de Alonso, é o único a ter duas vitórias na lomba.

Se o Webber de hoje fosse o de ontem, dificilmente passaria dos 70 pontos. Fecha.

Button também tinha mais pontos no ano passado, muito mais: 109 a 50. Em comum, venceu uma corrida — Canadá em 2011 e Austrália, agora. Mas a linha é totalmente diferente: ascendente e descendente, respectivamente. Ninguém espera que Button, hoje, termine entre os cinco primeiros numa corrida, que é algo inimaginável para o que fez no ano passado, quando foi atrapalhar o domínio da Red Bull por tantas vezes, e da forma que começou esta temporada. Jenson não é sombra de si.

Fosse Button o mesmo do ano passado, facilmente já estaria com mais de 110 pontos. Junta.

O Button de hoje é o Webber de ontem, e vice-versa. Button e Webber têm características semelhantes: não são exemplos de arrojo absurdo nem de aparições espetaculares. Aos seus modos, conduzem de forma eficiente. Button levou um título com a Brawn destruindo Barrichello na primeira parte de 2009; Webber, na real, perdeu o de 2010 que lhe parecia ganho também por culpa sua, quando se quebrou ao cair de bicicleta no caminho para a decisão.

Os currículos dos dois pilotos apresentam mais desempenhos aceitáveis que adversos. Webber tirou Pizzonia da Jaguar, foi melhor que Heidfeld na Williams, ajudou a Red Bull a trilhar o caminho das vitórias e só em 2011 teve uma performance absolutamente abaixo da crítica. Button quase saiu da F1 ao se lançar como playboyzinho assumido deste mundo e só depois que tomou tento na vida acordou. Passou pelas mãos de Flavio Briatore até cair na BAR do sério David Richards. Lá, com um carro ótimo, brigou pelas primeiras posições, diferente de Sato, e quando a equipe virou oficial da Honda, fez-se líder. Aí surgiu Brawn. Aí a McLaren cresceu os olhos nele. Em 2011, até porque Hamilton estava uma caca, deu um banho.

Webber e Button, em suma, são pilotos acima da média — e não vale aqui pegar uma régua ou uma trena para medir com exatidão o quanto. Mas as exceções de suas carreiras merecem uma análise, entender o porquê de Mark ter ido tão mal em 2011 e Jenson estar uma draga em 2012. E um ponto em comum então pisca ali, lindão: a Pirelli.

Os dois, como a velha safra da F1, haviam passado por Bridgestone e Michelin e sempre tiveram à disposição a excelência dos pneus. Ainda que as duas fornecedoras tenham filosofias diferentes de competição — os japoneses preferem o monópolio, os franceses gastam tubos para serem melhores contra alguém —, as borrachas fornecidas pelas duas eram de amplo conhecimento de pilotos e equipes, isto é, não havia surpresas — exceto Indianápolis 2005, que arruinou a vida da turma de Bibendum, sem referências a nenhum ser rotundo. Então, no ano passado, chegou a turma italiana para ajudar a chacoalhar a F1 com uma nova filosofia da F1: diferentes compostos, macios e duros e suas vertentes.

A Pirelli foi perfeita nisso, ainda que pneus que se desfizessem como Trident parecessem ser um antimarketing, e se esmerou ainda mais para esta temporada. Cada tipo de roda colorida tem seu segredinho para funcionar melhor, o que faz com que o trabalho piloto/equipe seja imprescindível para atingir a temperatura ideal de aquecimento e em que nível deve-se andar em treino e corrida para que o desgaste não seja acentuado.

Para este ano, a tocada de lorde de Button é absolutamente ineficiente, enquanto para o arrojo de Hamilton já é mais aprazível. Se Jenson freia antes para sair lançado nas curvas, perde tempo porque demora mais para deixar os pneus na temperatura ideal, diferente do companheiro. Com Webber, é bem provável que tenha acontecido algo semelhante no ano passado: seu estilo de guiar era totalmente incompatível com o que a Pirelli apresentava. Assim, Vettel deitou e rolou.

Com Massa, isso aconteceu abertamente. Só que por muitos anos o discurso de que a adaptação aos pneus foi seu grande problema, mesmo na época dos Bridgestone. Mas a evolução nas últimas corridas pode fazer com que esta desconfiança geral seja revista. Na corrida de ontem em Silverstone, nas CNTP, Felipe terminou menos de 10 segundos atrás de Alonso, o que pode ser considerado um feito e tanto para quem andava tomando até volta. Tomando por base os discursos de seus superiores, Massa é um piloto totalmente diferente daquele que começou 2012, quando ia de mal a pior. Um trabalho conjunto em Maranello foi realizado para que o conjunto evoluísse. O carro acabou tendo um passo à frente do que o piloto, mas as recentes aparições de Felipe, tirando seus azares, até que permitem consentir que há uma mudança.

Assim, se os pilotos estavam apenas habituados a pilotar carros e ir fazendo adaptações aqui e ali para que rapidamente se encontrassem, agora não sabem com exatidão o que encontrar pela frente porque têm de trabalhar seus estilos às borrachas fornecidas.

A Pirelli ajudou muito a F1, e os fãs devem se curvar a ela todo dia virando para a fábrica em Milão para agradecer. Já alguns pilotos não têm nem de longe esta devoção.

18 comentários

  1. roxxon valdez disse:

    a emoção toda do campeonato é que os pilotos não sabem como esse pneus pinéis vão reagir. parece que em cada pista são diferentes em comportamento e dão vareio em todo mundo. fico perguntando se não vai ocorrer uma bosta como a da la VILLOTA? não tem nada a ver com pneu, é, eu sei. mas as empresas e escuderias são responsáveis pelos equipamentos que mandam seus pilotos dirigir. e então fazem merda e começam a tirar rabo da reta. alguém sabe ao certo o que causou o acidente do SENNA? todas as escuderias saem pela tangente. se o acidente dele nada podemos concluir com cereteza, nem a williams o explicou direito o que dirá dessa pobre coitada iniciante. a escuderia “nunca” será culpada… e quando esses pneus causarem um grande acidente??????????????vai valer a emoção. para quem liga a televisão para gorilas se esmurrando deve ser o máximo.

  2. Carlos disse:

    Os pneus deram um plus nessa temporada, mesmo. A turma tá tendo q se virar pra andar bem. Tanto que já aconteceram surpresas a balde, numa pista é a Sauber q anda bem, na outra a Williams voa, e por aí vai, praticamente todo mundo já fez uma gracinha nessa temporada. Mas qdo o carro ou o piloto não casa com os pneus, é um problema. Um exemplo que me veio agora. Ninguém liga pra “Agaerretê”, eu sei, mas o que eu leio deles (do pouco que sai, claro, só quem é especializado em automobilismo vai falar alguma coisa deles) é que eles estão comendo o pão que o capeta amassou com os pneus. Aí, um carro que já é uma draga vira cadeira elétrica de vez.

  3. Danilo Barros disse:

    Caro Victor Martins, estou aqui pela primeira vez, gostei muito da abordagem. Na minha opinião, a Pirelli só peca numa coisa: os compostos escolhidos para as corridas deveriam pular um tipo, assim se o primeiro composto escolhido fosse o macio, o outro deveria ser o duro, não o médio, caso fosse o supermacio, o outro seria o médio, não o macio. Assim a diferença de performance dos pneus seria maior, e o pneu poderia ser melhor (os pilotos poderiam extrair o máxima de cada composto), o que vc acha?

  4. ba disse:

    O que me impressiona é que os pneus não explodem, não causam acidentes por si sós.

  5. luis disse:

    confesso que sinto falta do bonecao da michelin, do macacao verde da petrobras na williams. mas mudou, e pra melhor, entao o saudosismo se deixa de lado.

    e webber é o que o barrichello deveria ter sido. sabe do seu potencial (frase de pagodeiro), e aceita seu posto. deu brecha, como esta dando esse ano, ele vai la e luta pelo campeonato. ele nao tem a força de um schumacher, alonso, vettel, mas é um piloto que eu gostaria de ter na minha equipe. o button a mesmissima coisa.

    so pra registrar, li uma noticia que a f1 deu 4 pontos. ficou em terceiro, atras da record e sbt que tiveram 6.

  6. Anderson Puff disse:

    Concordo, em partes, se o cara é bom, de outro planeta, não importa o pneu, pode andar só no aro….assim é Alonso, acho que Hamilton tambem, estão em um nivel superior aos demais.

  7. Paulo disse:

    Esses pseudo-pneus….
    F1 é performance máxima….limite do limite….
    Pneu podre e DRS são bons para o show e péssimo para o esporte…..
    Anteriormente o mais rápido ganhava….hoje em dia o mais econômico….
    Sou ABSOLUTAMENTE CONTRA as táticas restritivas (DRS, somente o 11° colocado em diante que pode escolher o pneu que vai largar)
    É apenas a minha opnião (gostem ou não)

  8. Concordo em quase tudo o que você falou, apenas discordo em um ponto: No ano passado, não é que Webber estivesse mal. Muito pelo contrário, se Vettel não tivesse se adaptado ao conjunto tanto quanto se adaptou no último ano, o australiano poderia até ter disputado o título, pois estava pau a pau com os demais. Também discordo quando você fala que ele não é do tipo que tem uma tocada espetacular, acho que ele arrisca até um pouco mais em certos momentos, com naquela fantástica ultrapassagem sobre Alonso em Spa. No mais, concordo que os pneus deram um “Up” nesta temporada, pois os compostos não permitem que uma boa fase de um time dure mais do que uma ou duas corridas, ,até que se escolham outros compostos. Nos anos 80 as opções de compostos também eram grandes, o que permitia uma competitividade que até hoje é considerada histórica. E palmas para a Pirelli!

  9. Alberto Durand disse:

    Acho que pneus é com a equipe existem profissionas que recebem para isso não. Agora mudando de pau pra cacete você Vitor já reparou que nenhum piloto não tem a mesma inical do outro. Ex. SV e MW (RBR), LH e JB (ML), FA e FM (F)… e por aí vai. Interessante não?

  10. Celso disse:

    Ao que parece e apesar de ser um piloto excpcional, Button só consegue tirar o máximo de um carro quando o mesmo está perfeitamente adaptado ao seu estilo. Foi assim na Brawn em 2009 e na Mclaren ano passado.

    O problema do Webber em 2011 foi que ele não conseguiu se adaptar ao RB7 e seu sistema de escapamento soprado tanto quanto Vettel. Não foram os pneus da pirelli. Nesse ano, o RB8 está muito melhor adaptado ao seu estilo de guiar. O próprio Webber confirmou isso em uma entrevista.

  11. Samuel Santos disse:

    Mais uma análise leve e gostosa de ler. Parabéns, Victor!

    Acredito que os compostos são sim fator determinante na atual F1, e os resultados ruins de Webber, Button e Massa, cada um a seu tempo, podem ser depositados na conta da Pirelli.

    Porém, essa mesma Pirelli sem dúvida alguma deixou as corridas mais saborosas e apetitosas para os fãs.

    Então, que a marca italiana continue aprimorando na “diferenciazação” dos pneus para as próximas temporadas. Pois assim, o fator piloto equilibra força com fator carro. Mostrando quem são os Tops-driver da categoria.

  12. MARCO ANTONIO disse:

    BUTTON e WEBBER são bons pilotos, mas nunca foram acima da média. Elem têm lampejos de pilotos acima da média, mas não possuem o nível de HAMILTON e VETTEL. Estes sim são acima da média. No ano passado, os pneus fizeram com que nós tivéssemos essa falsa impressão com BUTTON e, nesse ano, com WEBBER. Mas não podíamos nos iludir achando que eles são melhores que o HAMILTON e VETTEL. Os pneus beneficiaram ambos o que é bem diferente de adaptar-se aos pneus. Quem se adapta a qualquer coisa e anda forte em qualquer circunstância é o ALONSO. Por isso está acima dos demais. Por isso o ALONSO não é somente acima da média, ALONSO é “extra série”.

    1- ALONSO (extra série)
    2- HAMILTON (acima da média)
    3- VETTEL (acima da média)
    4- WEBBER, MASSA, BUTTON (na média)

    Obs.: O SCHUMACHER não conta (é extra série também, senão nem lá estaria mais com 43 anos)

  13. De início, fui contra essa filosofia da Pirelli. Mas como a análise do próprio Victor sugere, esses novos pneus trouxeram de volta à F1 uma maior peso pro componente “piloto”.
    Até 2010, dada toda a tecnologia, o piloto só servia pra girar o volante na hora certa. Era o carro que fazia toda a diferença.
    Agora saber lidar com seu equipamento tem sido o grande diferencial. Prova disso é Alonso em primeiro na tabela mesmo com um carro que certamente não é o melhor do grid.

    A F1 está encontrou o caminho de volta pro grande espetáculo. Agora é torcer para que os dirigentes não arruínem tudo com regulamentos e decisões extra-pista (tapetão).

  14. Luiz Ronaldo disse:

    Acho que no caso do Button a coisa é mais no carro que nos pneus, porque o cara não tá indo bem com NENHUM composto.

    O caso do Massa parece claramente ser o mesmo do Schumacher: os dois tem estilos agressivos demais para estes pneus, e acabam por, ou não encontrarem a temperatura certa, ou quando encontram esfarelar a borracha rápido demais.

  15. Excelente texto mesmo. Acho que é exatamente isso o que vem deixando Button tão mais ineficiente e rápido do que o ano passado. Estava achando que o problema era a Michibata já, mas não é mesmo. Button não se encontrou com os pneus e como guiar em uma equipe de ponta traz aquela pressão comum e pesada, resultados ruins atrás de resultados ruins minam a confiança. Button, é certo, que tem o potencial para fazer bonito em qualquer pista diante dos adversários de hoje, mas precisa primeiro recuperar toda aquela habilidade com os pneua para poder sonhar com isso.

  16. Bruno Valle disse:

    Esse tal de Victor Martins, viu…. Escreve bem o meninão! Muito feliz e sutil o paralelo entre o Markola e o Buttonez. Foi bem coerente. Ao mesmo tempo, é coerente aliviarmos em algumas críticas (se esses dois acima da média e experientes passam por esses problemas os outros também devem sofrer). E mais, precisamos enaltecer, ainda mais, quem consegue se sobressair constantemente. Assim, o playba do Alonso merece ser idolatrado. FILADAMÃE o figura.
    Quando os fatores são oscilantes ou aleatórios, o sujeito com a maior capacidade de leitura do cenário prevalece.
    Abraços!

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