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3 de setembro de 2012 - 15:38F1

Terra do Sinal de Botrange, 4

SÃO PAULO | É só dar um carro decente na mão de Button que, pronto, ele resolve. Pilotagem suprema, com uma parada só, e andando no ritmo de quem trocou pneus mais vezes. Neste campeonato oscilante, a McLaren engatou uma segunda vitória que já permite lhe colocá-la à frente das rivais nesta parte final do campeonato. Não à toa que Alonso tem dito que seu abandono, raro, não foi tão devastador porque Hamilton também ficou no zero, vítimas de Grosjean que foram. O lorde teria de fazer milagre para alcançar a chiliquenta.

Grosjean tava pedindo, né? Camarada não consegue passar ileso uma primeira volta em 50% das vezes: exatamente em seis das 12 provas do ano aprontou alguma. Esta de Spa, pelamor: jogou o carro pra cima de Hamilton, que já não tava com a cabeça boa. Primeiro, a tia morreu quando ele estava viajando para a Bélgica. Depois, putito por ter tomado uma naba de Button, resolveu divulgar no Twitter os dados de telemetria da McLaren. Quase que Whitmarsh e cia. o suspendem sem precisar dos comissários da FIA.

Bom, aí Grosjean completa o strike levando Alonso e Pérez. Pobre Monisha Kaltenborn nos pits da Sauber, que levou as mãos aos céus e pediu shanti ashtangi ao ver o carro de Kobayashi também ser atingido. Mito voltou com o carro em cacareco, mas nada pôde fazer. Mas entre nós: vai largar mal assim lá em Fuji, fio.

Depois, Hamilton ameaçou dar uns catiripapos em Grosjean, enquanto Alonso se retorcia de dor e tomava na cara fumaça de extintor. O pastelão tinha de ter Maldonado ali no meio, que queimou a largada e foi tocado, voltou, estranhou-se com Glock e abandonou, o que lhe rendeu mais duas punições. Maldonado tem mais castigos que a classe inteira da escola de Carrossel.

Então sem o segundo, o quarto, o quinto, o sexto e o sétimo no grid, o único adversário real que Button tinha era Raikkonen, apontado como o mais perigoso pelo seu retrospecto na pista belga. Mas ao virar presa de Hülkenberg na relargada da corrida, Kimi logo mostrou que não tinha carro à altura.

A corrida de segundo pra cima foi bem agitada, com o grupo de Hülk e Raikkonen completado por um empolgado Schumacher, as duas Toro Rosso fazendo bonito com Ricciardo e Vergne, Di Resta caindo pelas tabelas sem poder usar o KERS, Massa, as Red Bull, que brigaram entre si — com vantagem para Vettel —, e Senna. Foi a vontade de escalar o grid que fez Seb ir passando todo mundo e parar na hora certa para chegar à segunda colocação. Kimi teve de resmungar, de novo, com um terceiro posto.

Massa ficou em quinto num bom ritmo de corrida do meio para o fim. Mas que ninguém se engane: não iria além de um nono se o curso normal da prova tivesse seguido. O resultado é importante, dá força, é quase um biotônico Fontoura, mas é preciso relativizá-lo. O que chamou mais atenção foi a declaração dele depois de que, se oferecessem a ele o quinto lugar, “eu assinaria na hora”. Ali, como bem disse o curvado Thiago Arantes em seu blog, foi um atestado de coadjuvante. Ele passa a dar razão ao jornalista sem recurso que pergunta: “Você quer/espera vencer?”, “Não, hoje tô bem a fim de chegar em quinto”, coisa que Piquet fazia, à Piquet. Tem quem ache que seria impossível Felipe dizer que ganharia saindo em 14º. OK.

E Senna, que vinha até num ritmo aceitável, foi tragado por conta da tática da Williams de uma parada só. Esse esquema só deu certo para a McLaren; a Mercedes, assim que viu que não conseguiria muita coisa para Schumacher, teve de chamá-lo de volta. Uma corrida que parecia plenamente pontuável ao brasileiro deixou-lhe em 11º.

No geral, o estrago para Alonso foi razoável em relação a Vettel e nenhum para Hamilton, que, sim, parece ser a maior ameaça ao espanhol por conta do rápido carro que a McLaren apresenta. Mas a Red Bull parece ser melhor de corrida que a Ferrari, e Sebastian pode ir tirando aos poucos a diferença de 24 pontos. Button está longe, coitado, e precisaria engatar uma sequência de umas quatro vitórias para se aproximar. Sabendo que é impossível, o que resta é acompanhar aquele que vai se transformar no grande coringa do Mundial.

 

3 comentários

  1. Emmanuel disse:

    concordo com o Fernando Passos. melhor ele admitir que 5° tá bom pra ele do qu ficar falando que é apenas um brasileirinho contra o mundo. mais do qualquer um, ele sabe que naão está em condiçoes de vencer.

  2. Sei lá Victor, não vejo a declaração do Massa dessa maneira.

    Ele declarou isso sabendo dos problemas do carro e de que tinha concorrentes com carros muito melhores e, como ele mesmo disse, “Se alguém chegasse antes da corrida e falasse se eu queria o quinto lugar… assinaria”. Antes da corrida tinha Alonso, Hamilton e Grosjean.

    Considerando o grid inteiro e a Ferrari do jeito que está, lógico que ele aceitaria um quinto lugar.

    Por favor, sem hipocrisia de nossa parte de esperar que ele dissesse: “Não, eu queria sair de 14° pra ser o primeiro!” ou, entoando alguma frase de livro de auto ajuda do Lair Ribeiro tipo “Eu nasci para vencer!” ou “Eu não desisto nunca!” ou “Eu sou brasileiro e não desisto nunca!”… ah, sem essa!!! Se ele dissesse isso eu teria ficado puto, porque obviamente ele estaria dando um tapa na nossa cara com uma “frase de efeito” completamente fora da realidade. Gostei que ele foi sincero e que mostrou na declaração que, basicamente, quinto é o que tem pra hoje pra ele com esta Ferrari, afinal ele sabe que não é o Alonso!

  3. Emmanuel disse:

    E eu pensando que o B Senna tinha feito a maior merda possível na largada do ano passado em Spa.

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