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5 de maio de 2013 - 18:45F-Indy

Anhembindy IV, 4

ANHEMBI | É daquelas corridas que a gente vai se lembrar por um tempo, sobretudo pelo final, em que os dois candidatos a astros da Indy levantaram a sala de imprensa e o pessoal na arquibancada – que foi devidamente mostrado pelas câmeras da douta emissora detentora dos direitos. Numa análise rápida, foi a que teve o melhor desfecho desde as 500 Milhas de Indianápolis de 2011, aquela que Wheldon tinha de ganhar e que jogou Hildebrand – Hildebrando, para alguns – no limbo.

Predicados como épica, histórica, excitante e espetacular surgiram rapidamente, sobretudo porque até o último instante não se sabia quem iria ganhar. Deu Hinchcliffe, na última curva, com Sato, o nipobrasileiro. Mas poderia ter sido Newgarden, por exemplo.

Newgarden teve a chance da vida de sair da vida de Incognito e dar a chefe Sarah Fisher sua primeira vitória. Com pneus melhores e mais push-to-pass que Sato, gastou tudo sem conseguir passar o brilhante japonês, permitindo que Hinch se aproximasse. No fim dos fins, o que poderia ser a vitória acabou num quinto lugar – o melhor da carreira, mas amargo pelo cenário geral.

Entre o canadense e o japonês, o negócio foi tão bom que fez os brasileiros aplaudirem. Sato fez Hinchcliffe perder seus botões de ultrapassagem com maestria, mas como James é mais experiente que Josef, havia ainda um bote a ser dado: o da última curva. Takuma, às vezes Sakumam, deu leve escapada na freada com seus pneus acabados, e o rival recebeu a bandeirada antes.

Mas seria leviano dizer que a prova resumiu-se à parte final. Kanaan fez a alegria da galera com sua meia mão e logo se pôs à ponta jantando Franchitti, Viso e Hunter-Reay, por vezes Rei-Hunter, outras Hunter-Rahal. Segurou o atual campeão tranquilamente, e no vaivém das amarelas e dos pit-stops, sempre aparecia ali entre os primeiros. Até que a KV falhasse de novo. “Foi a telemetria”, alegou a equipe, ao ver seu piloto parar na linha de chegada com pane seca, mal calculando cinco voltas de combustível. Tony ficou emocionado, puto, raivoso, e tudo isso com a mão latejando, inchada, como a cabeça. Que hipérbole.

No outro extremo, Bia apareceu ali como o primeiro abandono. Justamente quando fazia uma prova decente e andava ali no meio do pelotão. “Foi a transmissão”, afirmou a equipe, depois de ver que o escapamento foi pro espaço. Figueiredo ficou emocionada, chorou, reclamou da perda da possibilidade. Pecado. Já Castroneves redefiniu a teoria heliocêntrica hoje: todos os problemas giravam em torno de si. Deu leve toque em Power na largada, escapou pela área fora da pista quando estava em terceiro numa relargada, envolveu-se numa celeuma com Pagenaud, Hildebrand e alguns outros que provocaram um furo no pneu, foi tentar desviar de Pagenaud noutro momento e recebeu um toque de Dixon… ficou na merda. Terminou em 13º. “Foi uma zica”, houve de pensar, abrindo os olhos para o japonês que já está de olhos abertos.

Power só tem do que reclamar. Porque o rapaz se ferrou ontem na tática/regra bocó da Indy de não parar o tempo com bandeira vermelha num Q1, largou em 22º, foi passando um a um, rápido, consistente e feroz, estava em 11º, e aí o motor estourou. A central de zicas do pântano da Penske está ativa. Deve ser Briscoe, enxotado, que passou numa ‘mother-of-saint’ da Carolina do Norte bem poderosa.

E quem diria que Sato vai chegar a Indianápolis para o mais esperado evento do ano na condição de grande líder. Hinchcliffe, o que mais venceu no ano, ganhou duas e abandonou as outras duas. “Mas você prefere ganhar ou abandonar a próxima?”, ainda perguntaram na coletiva para o canadense, que claramente pensa em chegar em 33º na Indy 500. Andretti, na miúda, foi terceiro na corrida e é segundo no campeonato. A equipe do pai vai bem demais no ano, a ponto de colocar Marco nas cabeças. Castroneves é o terceiro agora.

A temporada da Indy, sem Penske ou Ganassi vencendo, está tão competitiva e legal de ver como a da F1. E se há outro paralelo a fazer, é o das corridas em SP, que geralmente são acima da média.

11 comentários

  1. Sanzio disse:

    Não foi o Sato que liderou quase que as 500 milhas inteiras do ano passado e bateu na última volta?

  2. Fernando disse:

    Além do Sakuma e do Ryan Hunter-Rahal, tinha também o Jésten Wilson e o Sebastian Bordô…as vezes até o Michael Andretti assumia o cockpit, no lugar do Marco…

  3. Impressionante o amadorismo da KV. Me lembra os vacilos da Walker nos tempos do Gil de Ferran. O problema é que a paciência vai acabar uma hora.

  4. André disse:

    Sou fã da Sarah Fisher Racing e gritei muito em casa com o Newgarden finalmente fazendo uma ótima prova sem cometer os erros grotescos do passado. Por um momento me arrependi em não ter ido ver pessoalmente esse ano com minha camisa da Sarah Fisher. Seria a segunda vitória da SFHR (a primeira foi em Kentucky 2011 com Ed. Carpenter).
    Mas não deu. De qualquer modo foi uma corrida fantástica e Hinchicliffe mereceu. Foi a vitória da experiência mesmo o pódium com Sato, Hinch e Andretti. Aliás, dificil saber quem de fato vai disputar o título esse ano.

    OBS: gostei de ver um maior respeito da organização com os ritos iniciais. Nada de Luan’s Santana’s no hino nacional e um “Drivers, Start your Engines” levemente mais animado que dos anos anteriores.

  5. Nossa! Esse time de beldades está valendo mais que a vitória!

  6. Pedro Taveira disse:

    Sempre que possível leio seu blog e o do Flávio Gomes. Parabéns pela cobertura! Muito legal trabalhar ao lado (ou a algumas mesas de distância) de gente boa e competente, embora provavelmente não tenha conversado ou me apresentado a ninguém do site devido à correria. Abs.

  7. Cláudio F1 disse:

    Excelente corrida!! Também gostei muito dessa foto que mostra o James Hinchcliffe com seu carro impulsionado pelo motor Chevrolet ao lado de um capôzinho de fusca fazendo o “vê” da vitória. Essa Volkswagen, sempre fazendo propaganda subliminar nas categorias alheias,kkk!!!

  8. Fernando Strongren disse:

    Grande sacada com a “redefinição da teoria heliocêntrica”! Parabéns!

  9. Leandro Coelho disse:

    Victor, só um detalhe: a Sarah já ganhou como dona de equipe com o Carpenter em Kentucky 2011. Parabéns pelo blog, leio sempre! Abraços!

  10. Alex disse:

    O mais legal de ver um final tão fantástico como esse, é ver o Sato, sorridente como sempre, cumprimentando o Hinchcliffe pela manobra. Final mais do que fantástico, foi um exemplo de espirito esportivo que carece na F1

    • luiz alberto disse:

      Só por isso fiquei fan do japonês, Tomara que seja campeão,pois é nobre saber reconhecer o mérito dos outros,e como é feio ficar torcendo para que este ou aquele piloto tenha um problema qualquer para que só assim seu piloto predileto tenha alguma chance,que pobreza de espirito eihnnnn , narrador oficial,alem de tudo és um T R E M E N D O P É F R I O.

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