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12 de maio de 2013 - 12:41F1

Los mossos y las mossas, 2

SÃO PAULO | Substituição no trono da Espanha: sai Juan Carlos, entra Fernando. E é capaz de perguntar à população e uma porcentagem considerável acreditar que Alonso é a solução para os problemas pelos quais o país passa desde a recessão econômica. Se bem que o povo que foi ao autódromo catalão deu uma banana para os ideais separatistas e foi ao delírio com a vitória do asturiano esqueceu a vida dura. Hay que celebrar.

Pues que lo celebre. A atuação do hijo mayor foi soberba, como costuma ser nas situações em que tem se desvencilhar dos adversários e ir para cima sem hesitar. Se Vettel ficou cozinhando el pollo sem ameaçar Rosberg no começo – e se entende que não tinha carro para isso –, Alonso não tardou em passar o alemão tão logo voltaram dos pits. Daí, foi manter o bom ritmo mesmo com os pneus em frangalhos para alcançar a glória e o reinado.

Longe de qualquer pachequismo ou a pieguice inerente, a volta de retorno aos pits com a bandeira na mão e o comportamento do público se assemelharam às vitórias de Senna em Interlagos, e isso tem de ser destacado porque o negócio hoje é muito diferente em termos de comportamento porque a F1 impõe uma padronização coxinha e babaca aos pilotos e ao seu produto – vide aquele pódio que parece o Roda a Roda Jequiti. Mal comparando, a Espanha é hoje o que o Brasil foi há 20 anos, com alta taxa de desemprego, economia em recessão e pouca perspectiva de evolução. O esporte é a válvula de escape, e ao esportista, nada mais gratificante que vencer em casa e comemorar da forma mais espontânea.

Alonso, de fato, tem do que sorrir. Nas corridas em que tudo transcorreu normalmente, venceu. Na Austrália, a Ferrari levou o bote da Lotus na estratégia – algo que tentou repetir hoje e só conseguiu o segundo posto porque o calor era excessivo e o carro de Räikkönen não é tão rápido quanto os dos vermelhos. Na China, venceu a partir da terceira volta. Talvez daí venha tamanha confiança e desdém para o abandono na Malásia e o problema no Bahrein – o mesmo número que teve em 2012 e que já o poria na linha de risco do título. Realmente é claro que a Ferrari tem o melhor carro em corrida.

A Lotus já tem essa consciência e trabalha Kimi na base da cabeça. Já que não dá para vencer, que se tente algo diferente, considerando que o carro, amável com os Pirelli, permite. O resultado normal seria terminar atrás de Massa, então o segundo é mais do que o esperado. Com estes pódios que arrebata, o finlandês vai bebendo champanhe e se mantendo nas cabeças. Está só quatro pontos atrás de Vettel, que venceu duas provas em cinco corridas. Aliás, a disputa de posição com Sebastian foi um dos pontos altos desta boa corrida em Barcelona, que quebrou os paradigmas das estatísticas: nenhum dos três do pódio largaram entre os três primeiros.

Falando em Vettel, a diferença de quase 40 segundos para Alonso na bandeirada também deve ligar o alarme na Red Bull. Não é nada normal que, em condições similares de tática de pneus, o alemão acabe tomando uma média de 0s58 por volta, considerando que no primeiro trecho de corrida se manteve à frente do rival espanhol. Também não pode colar qualquer excusa da Red Bull que se tratou de um resultado atípico: as temperaturas do ar e da pista não eram nada absurdas e o composto dos pneus é de conhecimento da equipe. Digamos que, no geral, a Red Bull ainda tem um carro melhor que o da Lotus. Mas é muito mais volúvel.

Teve nego aí, bocudo, que veio com o papo de que Massa mal passaria do oitavo lugar largando em nono e com o discurso preparado de que a degradação dos Pirelli era imensa antes da corrida. Queimou a língua e ardeu no inferno. Felipe teve uma largada ótima, passando a sétimo, e levou um par de voltas para passar Pérez por volta lá na reta do miolo. Nisso, teve uma sorte: como Rosberg prendia Vettel, Alonso, Räikkönen e Hamilton, não perdeu tempo e logo encostou no pelotão da frente. Passou Hamilton e, inteligentemente, foi chamado para parar antes dos demais, onde ganhou o posto de Kimi. Aí, tornou atrás de Vettel, que perdeu a posição para o espanhol. Gradativamente, voltou ao seu ritmo de perda de tempo com o decorrer da prova, mas surpreendentemente não foi tão grande. Com a parada a menos do finlandês, não teve como brigar pelo segundo lugar.

De qualquer forma, um lugar no pódio para Massa apaga os desempenhos medianos que teve nas últimas provas e o mantém ali no bolo. “Você tá louco em dizer que ele vai lutar pelo título, né?” E eu disse isso, cazzo? Felipe tem um campeonato para terminar ali em quarto ou quinto. Pode não ser lá grande coisa, mas só o fato de estar realmente ali à frente de Webber e perto de Hamilton demonstram uma melhora sensível. O problema é que Massa tem a mesma síndrome de Barrichello: não conseguir engatar uma série de corridas com performances acima da média.

Se Oscar Maroni quiser abrir um meretrício, deveria colocar o nome de Dona Mercedes. Porque passaram a mão nos caras com gosto hoje. Hamilton, então, tomou até de Maldonado certa hora. Camarada que larga em segundo e termina em 12º, chegando a andar dois postos acima, tem de chorar com um carro que só serve para uma volta rápida. Rosberg, então, fez milagre em terminar em sexto e segurar a rapa no começo. O ritmo de corrida das flechinhas é pior que o da Toro Rosso – e isso deveria ser considerado uma ofensa para os taurinos da Série B, que com Ricciardo andam muito bem; só pecam no início, quando o carro não apresenta aderência alguma. Lewis já clamou, ajoelhado e depois de ser amordaçado no coito, que o pessoal tem de voltar urgentemente para a mesa de planejamento e desenho e ver onde é que está o erro para que o desgaste seja tão acentuado.

Webber foi quinto, mas parece que vai e aluga o carro da Red Bull para correr, tipo cliente. Ninguém percebe que está ali. Credo. Di Resta foi sétimo em um desempenho realmente mediano da Force India – sim, esperava-se mais. Sutil foi acometido por outra zica do pântano depois de uma largada excepcional, pulando de 13º para oitavo. Por muito tempo apareceu com a melhor volta da prova. No fim, ainda foi 13º, atrás de Hamilton, no pré-coito. As McLaren ficaram em oitavo e nono com Button e Pérez, devidamente comportados, e Ricciardo foi décimo, andando novamente bem. Gutiérrez, que chegou a liderar a prova, num momento de psicodelia e catarse, até que andou direitinho e foi o 11º. A Williams está lá por estar. O resto é aquilo de sempre, um terror em forma de quatro rodas.

Daqui duas semanas vem Mônaco, e para lá a Pirelli vai levar os supermacios. Se a vida já não é facil, andar com os pneus que se desfazem em quatro ou cinco voltas será um desafio e tanto. E num circuito diferente de tudo dos demais, o negócio pode embaralhar um pouco. Até a McLaren pode aparecer bem. Até lá, o peito estufado de Alonso vai pensar em, depois do reinado, conquistar o principado.

11 comentários

  1. roxxonvaldez disse:

    em monaco o mr pataquada galvão, vai ficar gritando que a F-1 atingiu uma nova marca fantástica de troca de um pneu por volta.

  2. Mauricio disse:

    Queimou a língua e assim, como não quer nada, disse que outros disseram que o Massa….
    Bom, deixa prá lá. Vamos ao que interessa: Pirelli.
    Os pneus viraram as estrelas do espetáculo. Fala-se mais neles do que em pilotos.
    No ritmo que vai Haikonen é o favorito, já que, apesar de não ser o mais rápido, é o que dá mais trabalho na corrida por sua constância e economia de borracha. As Ferraris ameaçam, mas o Massa já demonstrou que forçar só um pouquinho mais é desastroso.
    Mercedes tem uma velocidade fantástica, os tempos da classificação foram acima de oito segundos menores que os melhores tempos durante a corrida.
    A RBR parece sofrer o mesmo problema.
    Ai fica a pergunta: Para que ter tanta velocidade se não dá para correr por conta da durabilidade dos pneus?
    Na ânsia de aumentar a emoção dos GP’s, a Pirelli criou um pepino. Tenho medo que estas joças de borracha que eles chamam de pneus acabem provocando algum tipo de acidente. Se não por culpa deles mesmos, se não pelo congestionamento nos boxes durante as janelas de paradas.
    A nota tragicômica do dia fica por conta do Hamilton dizendo desacorçoado pelo rádio que não tinha como andar mais devagar… Estava quase chorando no final. Pura raiva.

  3. roxxonvaldez disse:

    alonso, falange pátria nova. na próxima prova vai correr nos carros da guardia civil. pelos menos os pneus eram melhores do que os da F-1 atual.o pachequismo agora está quase virando facismo mesmo.

  4. O Fernando Alonso foi absoluto na Espanha superando até mesmo um furo de pneu, e no final pegou uma bandeira de seu país escapando da punição, mas na verdade todo piloto que corre em casa tem que ter o direito de comemorar com a bandeira de seu país, e isso não é nada criminoso e irregular. O Felipe Massa conseguiu o seu primeiro pódio aliviando um pouco a pressão, mas continua segundo piloto. A Mercedes classifica seus dois carros na primeira fila e não têm pneus, esses caras têm que resolver isso com urgência, senão vão ser motivo de piada. O Vettel sentiu falta dos pneus, mas tem um mago na sua equipe que pode reverter esse quadro negativo.

  5. Boca disse:

    Ja dei um toque no blog do FG, e agora aqui. Caro blogueiro, Alonso nao abandonou duas vezes, so foi uma. No problema da asa movel ele ainda chegou em oitavo. Outra, Vettel nao tem duas vitorias a mais que Kimi, so uma. Fica esperto ai!!!

  6. McCartney disse:

    Grande texto, mas o que chama atenção mesmo é como aquele gordo da globo tá conseguindo afundar ainda mais aquela cobertura podre que eles fazem da Fórmula 1… Comparem! É óbvio a “consulta” ao Grande Prêmio. Olhem o horário o R. Lopes colocou 1 minuto antes a matéria com o mesmo título do GP.. acho que vocês deveriam tomar providências:

    http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2013/05/alonso-brilha-em-casa-e-vence-gp-da-espanha-massa-fatura-primeiro-podio.html

    http://www.grandepremio.com.br/f1/noticias/alonso-acerta-na-estrategia-brilha-em-casa-e-vence-gp-da-espanha-massa-vai-ao-podio

    O gordinho postou um minuto antes (10:44) do que o GP (10:45). PODRE!

  7. Vinicius SS disse:

    “Lindo texto” é foda hein? Diga ótimo, excelente, genial… Mas lindo?
    Perspicaz, sagaz e rasteiro teu texto vitonez! Ainda mais sobre nego bocudo…
    As coisas pro lado da Mercedes hoje ficaram feias demais. Não dá pra largar na pole e andar pelas bandas do 9o e 10o…

  8. nando figueiredo disse:

    Só eu reparei, que após perder a posição pro Kimi, a Red Bull do Vettel era tão lenta que não conseguia nem abrir distancia pro Bianchi com sua “poderosa” Marussia / Ford????

    Reclamar só dos pneus pra mim é usar a desculpa padrão.

    A Red Bull não esta perdida no acerto, e o Vettel sem carro bom não faz as limonadas que o espanhol faz.

    • Jorge disse:

      Também reparei mas acho que eles passaram a Marusia e ficaram “brigando” posição entao a Marusia se aproximou

      • roxxonvaldez disse:

        toda perdedor chora um pouco, mas a verdade é que todo mundo já reclamou dos pneus inclusive o chorão maior, choronso e massa. mas os pneus tem dechapado e quando acontecer um acidente grave aí o fabricante e verme eclestone vão ter de explicar os bolinhos de bosta que coloca nos aros.

  9. Carolina Belmonte dos Santos disse:

    Lindo texto, parabéns! E que venha Mônaco =]

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