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24 de junho de 2014 - 9:39Futebol

Copa Linda

NATAL | A esperteza e empolgação em ter dois ingressos que, a princípio, pareciam importantes e decisivos me fizeram marcar voos rapidamente no começo de junho. Nem percebi que os horários escolhidos calhavam no jogo final da fase inicial do Brasil. Dias depois, até tentei antecipar meu voo e do Gabriel Curty, e foi aí que acabei descobrindo um problema que acabou sendo resolvido 24 horas antes à viagem e, para não ter mais problemas, o horário foi mantido.

A ida para Cumbica deu-se naqueles ônibus de serviço que saem das estações de metrô. O clima de Copa era perceptível: dois americanos preocupados também com a partida da Seleção e um laranja que notoriamente não sabia que o embate da sua Holanda contra o Chile estava passando nas duas televisões do transporte. Só se tocou, mesmo, quando a partida tinha seu primeiro minuto e na chegada ao aeroporto.

Estava movimentado, mas tudo funcionou bem. O estado de Copa faz bem aos aeroportos. E essa Copa, principalmente, faz até dispensar os hospitais.

Havia um lounge ali do lado direito do terminal 1, já apinhado com muitos tantos. Era um telão maior com dois televisores que aglomeravam os povos. Tinha uma mexicana que estava sentada no almofadão redondo, como muitos, que descansavam e aproveitavam para carregar seus celulares, mas ela pegou um avental, jogou alfinetes e outros penduricalhos ao lado, e pôs-se a prender essas bugigangas e lembrancinhas que se adquire nas lojinhas, como pins e até mesmo papeis. O avental dela estava repleto de um lado, tinha coisas até da Eslovênia, mas ela estava ali, a mexicana alfaiate, alheia e concentrada em fincar o ‘eu estive na Amazônia’ na peça.

Tinha argentino, australiano, uruguaio, italiano e, claro, holandês e chileno. Tinha muito chileno. A cada ataque ou esboço de, palmas se seguiam. Foi assim até a Holanda marcar seu primeiro, e os poucos que lá estavam, em sua língua, gritavam. Teve uma hora que ouvi um ‘fucking god’, sendo que o fucking não era bem fucking, mas as holandesas eram bem compreensíveis, oi, tudo bem? O horário de embarque já havia ultrapassado em 20 minutos, tomamos as providências, pegamos o ônibus para ir a outro terminal e lá encontramos, por coincidência, o Conka.

Conrado Giullietti foi mandado pela ESPN para ajudar o povo que lá estava da TV, o Léo Bertozzi e o Celso Thomaz. Nossa entrada no avião se deu com a mesma preocupação de outros tantos passageiros: 1) vão passar o jogo? 2) vão informar algo sobre ele? Um duplo não fuzilou o dono da companhia aérea. Não avianca mais que não viajo mais por esta.

Não sei como uma tiazinha lá na frente tinha uma TVzinha, sei lá o quê, algo como informar. A gente já estava meio sonolento quando veio a informação do primeiro tempo, 2 a 1, gols de Neymar, e depois, um tiozinho duas fileiras à frente, levantou a mão e indicou o terceiro com os dedos, 3 a 1, e aí o avião chegou e a aeromoça informou, ‘ain, olha, recebemos a informação de que está 3 a 1, gente’. É incrível…

Fomos recebidos na zona de bagagem com cervejas, o que já me fez adorar a cidade. O novo aeroporto é bem bonitão, exuberante até, mas fica em São Gonçalo do Amarante, levemente distante da capital. Uma corrida de táxi não sai por menos de 80 dilmas. Uma rápida olhada na cidade ainda molhada aponta que há muitas belezas e as pobrezas inerentes às capitais e outros grandes centros. E os celulares que não paravam de tocar do taxista indicavam que ele era importante e requisitado.

Hotel e tal, fomos comer camarões, e que camarões, encontramos o resto do pessoal da TV e o Felipe Corazza. Só assim para ver o Corazza. Emendamos a noite num destes bares de Ponta Negra que o Corazza indicou, passamos e vimos muitas primas, tem muita prima por aqui, prima a rodo, e no bar que fomos, o dono era norueguês e um garçom era sueco. Largou tudo lá para vir para cá. Quase uma nova definição da síndrome de Estocolmo. Mas tinha uma bandeira linda lá dos nórdicos, os amigos nórdicos, e quando o dia já era terça, falamos muito da vida e da cidade e de tudo mais. E de Uruguai e Itália.

O barulho começou cedo. A cantoria e a mistura das torcidas azuis dá o tom. No café da manhã, um grupo de uruguaios se espanta com a minha camisa vermelha não classificada para a Copa e outro comenta a do Gabriel, que vai de River Plate. Do elevador, saem um casal de italianos e dois uruguaios com as bandeiras en las espaldas. A Copa é essa torre de Babel linda que tem de virar um estado permanente. E logo mais, tem final, e vamos encontrar lá todo mundo para a festa, ô, Celeste, soy yo.

Ingressos

2 comentários

  1. GUSTAVO RANGEL disse:

    Espero que os camarões vc tenha comido em um dos dois restaurantes CAMARÕES POTIGUAR, em Ponta Negra. É absolutamente sensacional. Do seu admirador secreto, “O CAXALOTE”, aquele cujos braços ficam bem no espeto com abacaxi, como vc e o Renan do Couto uma vez comentaram no twitter…..rsrsrs

  2. Antonio disse:

    Victor, estive ontem na Baixada assistindo a Espanha e Austrália, meu primeiro jogo de Copa do Mundo em 49 anos de estádios de futebol (tenho 54). Espetáculo inesquecível que vou guardar para toda a vida. Estádio muito bom (embora seja Coxa, tenho que reconhecer), festa entre torcidas espetacular e consegui vi jogar alguns dos maiores jogadores do planeta (pelo menos eram há 4 anos atrás, exceção a Iniesta, Torres e Vila, que continuam jogando o fino da bola). Aproveite bem este jogo que também deverá ser muito bom.

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