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5 de julho de 2014 - 11:21F1

Alicia Silverstone

Rosberg

SÃO PAULO | Baita classificação, hein?, talvez a melhor do ano. Isso porque teve Marussia linda quase indo para o Q3, Ferrari e Williams ficando no Q1, impressão de que a Toro Rosso ou Pérez pudesse conquistar a pole, quase-certeza da conquista de Hamilton, espanto com a voltaça de Vettel e, por fim, assombro-mor com Rosberg.

Acima de tudo, as cinco primeiras posições no grid, considerando também Button, Hülkenberg e Magnussen, representam um prêmio para quem não se acovardou. Com uma pista aparentemente pior com a chuva em determinados setores, essa Toro Rosso que impressionou decepcionou, bem como a Red Bull com Ricciardo. Os três carros ficaram lá parados nos boxes, e quando não se tenta, meu filho, não se consegue. Hamilton até tentou, mas fraquejou.

A desolação vista com sua queda em progressão era sobretudo consigo. O erro é totalmente seu, apesar de ter indicado logo após de ter descido do carro que a equipe falou algo pelo rádio para que tirasse o pé na volta que não lhe seria válida; depois, admitiu que tomou a decisão por conta própria. Aos poucos, o inglês está entregando um campeonato que lhe parecia tão seu depois daquela sequência de quatro vitórias imponentes. Hoje, a diferença para Rosberg é maior que aquela que tirou após o GP da Austrália. E a tendência é que, dado o grid, torne a aumentar na corrida de amanhã.

Nico, ressalte-se, venceu o GP da Inglaterra no ano passado. Então não tem essa, à risca, de que Hamilton corre em casa e é franco favorito à vitória. A pressão lhe recai à beça, e a gente bem sabe da instabilidade de Lewis em momentos decisivos da carreira. Curiosamente, nada deu mais certo depois daquela ocorrência no treino classificatório em Mônaco. È algo a que vamos nos ater mais para o fim do ano, caso Rosberg mantenha a liderança que hoje impõe ao companheiro, como fator imprescindível para contar o que foi o campeonato.

Quanto à Williams, é mais do que certo e sabido já: uma equipe que tenta se reerguer, mas com alma pequena e pobre. Essa postura conservadora que vem sendo defendida com fervor por quem comanda é claramente maléfica a todos. Descarte-se a não tentativa de manter Massa na frente com pneus usados no GP do Canadá – OK, o próprio admitiu que não daria para ficar na pista –, mas na Áustria, havia uma claríssima chance de vitória se houvesse esperteza e, principalmente, ousadia de quem obteve uma dobradinha no grid de largada em condições normais. Agora, a equipe se encontra em casa, um lugar que conhece como a palma da mão, e comete um erro tão principiante – liberar os pilotos no fim da sessão numa pista que mal sabiam se estava seca ou molhada – como se a equipe ali fosse a futura estreante Haas.

Tem quem critique Massa nisso, dizendo que ele tem de se impor. A resposta para isso está facilmente na Ferrari e Fernando Alonso, cuja personalidade é conhecida, ambos na mesma situação da Williams na Inglaterra. Aí não é uma questão simplesmente do piloto botar a bilola à mesa e dizer que vai sair à pista e dane-se o resto. É para isso que existe uma equipe. Se os caras contam nos segundos a hora exata de mandá-los à pista, sabendo também da posição dos concorrentes para que não sejam atrapalhados, os pilotos têm de depositar essa confiança em quem tem um olhar holístico. O problema é que, com erros seguidos e primários, Massa já deve passar a não ficar confortável com as decisões que lhe são assopradas. O pé atrás que surge se torna natural. É o primeiro passo para descambar o negócio.

Como dizem os ingleses em preparação ao chá das 5, Rosberg está com “the knife and the cheese in the hand” para uma nova vitória e aumentar pelo menos mais sete pontos na classificação. A Hamilton, resta torcer por duas situações: 1) uma largada tão perfeita quanto a de Spielberg/Red Bull Ring, em que saltou de nono para quarto em duas voltas; e/ou 2) a chuva. Só o tempo louco visto hoje em Silverstone pode dar uma chacoalhada maior que lhe permita uma recuperação e o fôlego que precisa desesperadamente. Uma derrota em casa vai abalar, sim, a sequência na temporada. E enquanto a Mercedes se preocupa com a aproximação das demais, resta a Rosberg sorrir como quem vê um gol da Alemanha em quartas-de-final e seu avanço na Copa do Mundo. E dar um tchauzinho tipo o da foto, o de miss, seguido de um “little kiss in the shoulder”.

Para a Williams, fica a dúvida se a chuva vale a pena. O carro ainda não é lá essas coisas nestas condições e o time não funciona bem em táticas adversas. A Ferrari tá empurrando a temporada com a barriga e vive um ambiente esquisito: o chefe é novo, Räikkönen já dá sinal de adeus e Alonso não vê a hora de se mandar. Não é por acaso que estão ali perto da Caterham, sua nova administração e sua velha sina de involuir.

4 comentários

  1. AGS disse:

    Nunca andei de F1….mas esse amassa barro é simplesmente piloto de autorama..
    O cara reclamou do diretor de prova, quando rodou ontem..
    Reclamou da altura da grama, motivo que ele acha que foi o que o fez rodar..mas o cara é puro mala..
    E digo mais..
    Vem novidades ainda esse ano..
    Sinto muito as ultimas atuações do Hamilton…acho que briga pra fazer vice campeão….O pinico germânico rosberg, tem jeito que joga água fora da bacia…eu ainda acho que ele é um BAMBI enrustido…rss
    S

  2. Alessandro Barasuol disse:

    Concordo VM.
    Faz tempo que a Williams fica esperando sabe-se lá o quê pra mandar seus pilotos à pista. Demorou até para isso acontecer. São muito juvenis para uma equipe com a história que tem.
    A Williams precisa desesperadamente de um Ross Brawn da vida na beira da mureta…

  3. Boca disse:

    Hamilton enterrou a carreira hoje.

    Tinha minha admiração e torcida até hoje.

    Ele passou duas informações pelo rádio à equipe, querendo que Nico fosse na dele, só que ele não foi.

    Na última volta, tenho certeza que ele pensou em segurar Nico para que não desse tempo de abrir a volta rápida.
    Só que quem se prejudicou foi ele mesmo, em optar por não ir pro confronto direto pela pole.

    É triste!

  4. gnloch disse:

    Realmente incrível esta classificação. Tem um vídeo da entrevista do Hamilton à Skysports que demonstra a desolação dele com o que aconteceu ao fim do Q3.
    http://www1.skysports.com/watch/video/sports/f1/9372620/hamilton-blames-himself
    A única sorte do Hamilton este ano é que Abu Dhabi tem pontuação dobrada este ano.

    PS: Deixo a sugestão aos blogs do grandepremio para usarem a plataforma de comentários Disquis, como vários outros endereços tem feito. Simplifica muito o acompanhamento dos comentários.

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