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24 de novembro de 2014 - 9:55F1

Yas Marina Nova Política Sei

Lewis Hamilton

SÃO PAULO | A disputa não foi bem aquela porque Rosberg engasopou na largada — e só isso já lhe tiraria qualquer chance — e o equipamento lhe falhou. Mas o cenário em si já entregava desde antes a Hamilton um título mais que merecido e mais merecido do que o de 2008. Não à toa, a sensação deste domingo foi muito mais saborosa, extra-corporal, como o próprio declarou. Assim como parece um pecado Alonso um dia sair da F1 com apenas dois títulos, não seria justo que Hamilton só conquistasse um pelo tanto que já ofereceu de bons serviços e capacidade.

E ressalte-se o papel que Rosberg desempenhou nesta conquista. Se não é um piloto exuberante ou, a alguns olhos críticos, incapaz de representar bem a conquista de um campeonato, Nico elevou o jogo a um patamar que fez Lewis se mexer e também ter de brincar em alto nível. Os mesmos olhos críticos jamais suporiam que Rosberg se tornasse, no fim das contas, no cara mais eficiente em volta rápida sobre aquele que era quase sem discussão o piloto mais rápido em classificação. Da mesma forma, no entanto, Rosberg perdeu justamente onde se esperava a esmorecida de Hamilton: o lado psicológico. A derrota do alemão está na Bélgica e no choque que, em suas palavras, não evitou nas primeiras voltas.

Sem que Rosberg, pela ordem, esboçasse reação e tivesse condição para tirar Hamilton da vitória e o consequente título, a disputa da temporada ficou de pano de fundo pela atuação de Massa. Em sua melhor apresentação na F1 desde que ganhou uma corrida, há seis anos, Felipe conseguiu extrair da Williams o que os tais olhos críticos jamais imaginariam. Primeiro, largou até normalmente, mas contou com a péssima largada do companheiro Bottas para contornar a primeira curva em terceiro; depois, foi andando num ritmo parecido com os da Mercedes, perdendo 0s2 ou 0s3, mas nunca se mantendo muito distante. Felipe liderou a prova em dois momentos, em ambos girando muito bem com pneus desgastados — o que permitiria até pensar que a Williams prolongasse sua permanência em pista e até arriscasse não parar quando o brasileiro estava calçados com os pneus médios. Naquele momento da prova, Massa tinha uma vantagem de 14s a 15s para Hamilton, que teria de tirar 1s por volta. A equipe preferiu ir à caça com novos pneus supermacios, os vermelhos, a todo custo.

Tática controversa à parte, um segundo lugar a menos de 3s da Mercedes é um feito e tanto. “É só o começo para 2015″. Sim, Massa tem total razão. Só que, para isso, tem de cuidar novamente de algo que vem lhe afetando os últimos anos: iniciar bem a temporada. A primeira parte do Mundial sempre lhe é o calcanhar de Aquiles, e aí o negócio muda depois que tira as férias de meio de ano. Se a Williams caçar estes décimos que lhe afastam da Mercedes e tiver em Massa este piloto forte e combativo de Abu Dhabi, tanto ele quanto seu companheiro Bottas vêm para transformar o campeonato do ano que vem numa feroz e interessante briga de quatro candidatos — e bem distintos entre si.

Na segunda parte da temporada, com a pontuação dobrada, Massa fez 94 pontos contra 91 de Bottas; sem, os dois somaram 76 cada.

Bottas termina o ano consolidado como aspirante a piloto de ponta e já muito próximo dos finlandeses que brilharam na F1 — Keke Rosberg, Häkkinen e Räikkönen. Ainda lhe falta um pouco de experiência em determinadas situações, mas a velocidade e a habilidade estão ali, claras e evidentes, e não por menos a Ferrari tem interesse em seu passe, bem como a Williams de manter seus serviços por um bom tempo.

Ricciardo saiu dos boxes para ser quarto. De Hamilton, esperava-se o título, certo? E quem esperava o que este cara fez o ano todo? As três vitórias, os oito pódios, o domínio sobre Vettel, o sorriso a tudo… Daniel é o piloto da temporada, e a Red Bull está bem tranquila em depositar nele as esperanças de 2015 e além, na combinação que também mistura o marketing. A F1 de Ecclestone é o avesso deste cara que se fez ídolo espontaneamente, e só uma F1 sem Ecclestone é capaz de ter nele a virada para conquistar a audiência que se afasta por indiferença.

Em quinto ficou este magnífico Button, que não merece o desdém que Ron Dennis e a McLaren vêm lhe dando. Sua saída da equipe — e, provavelmente, da F1 — aponta para uma porta dos fundos que não é engraçada e muito menos merecedora pelos anos de contribuição que este cara deu à categoria como um todo, portando-se como um lorde fora e dentro da pista. Mas talvez seja melhor a ele se livrar desta F1 opressora e pequena pela sua grandeza num ano de perdas. A Audi tá aí sem o maior-de-todos Kristensen querendo um grande nome…

Hülk, Hülk, por que não te dão um carro à altura, né? E por que te puniram? Os comissários não poderiam ter passado a corrida sem cometer uma cagada. Alegaram que Nico jogou Magnussen para fora nas curvas após a largada. De qualquer forma, dificilmente Hülkenberg iria além de um sexto lugar nesta prova. Fato é que sempre fica aquele ranço de quem sabe que Hülk é muito mais que isso, é cara para brigar nas cabeças, e que só o fato de ser introvertido e não saber expor suas qualidades é que determina seu passe pouco valorizado. Foi Pérez, sétimo em Abu Dhabi e 37 pontos a menos no campeonato, quem acabou aparecendo mais — fez pódio no Bahrein.

Vettel termina sua vitoriosa passagem pela Red Bull com um amargo oitavo lugar. De qualquer forma, é a combinação mais lucrativa que a F1 produziu, considerando o tempo — seis temporadas, quatro títulos de Pilotos e Construtores. Sebastian sabe a naba que tem pela frente nos próximos três anos: uma Ferrari que passou na pista tantas vezes quantas foram necessárias, ainda mais em Abu Dhabi, onde pareceu se arrastar com Alonso e Räikkönen, nono e décimo, respectivamente. Só a capacidade de agregação e a técnica para identificar as falhas do carro podem reverter a penumbra em que se encontra o time italiano, que vai passar por nova reformulação em sua chefia. E ao lado do amigo Räikkönen, Vettel vai ao menos se divertir à beça.

2014 teve seus altos e baixos, corridas mais ruins do que boas, mas uma disputa que deu o que falar. No fim das contas, foi um campeonato agradável e que valeu a pena. A própria F1 é que tentou dar um jeito de estragá-lo com suas crises pouco veladas e seu chefe que já não deveria estar ali no cargo há tempos.

4 comentários

  1. André Luiz disse:

    Victor Martins eu sei que o meu comentário a seguir não tem nada a ver com o título do post mas é uma dúvida que eu tenho você sabe dizer se os fabricantes de motores estão fazendo alguma coisa para aumentar o som dos carros de f1 para o ano que vem como por exemplo duas saídas de escape dos motores ou outra solução técnica, pois me pareceu que naquele vídeo que vocês do grandeprêmio postaram do teste da Mclaren com a Honda o som do carro era bem mais alto do que os atuais.

  2. Jurandir Pacheco disse:

    Não creio que Ricciardo agregará mais fãs à F-1. Ele é carismático e talz, mas às vezes soa como bobão, sem personalidade forte. Ele destoa dos outros pilotos por sempre exibir aquele sorrisão, mas se espera de um piloto de F1 uma confiança que chega a arrogância, e uma certa belicosidade nas palavras rs.

    Como o decrépito Ecclestone declarou, embora só tenha falado asneiras ultimamente, Hamilton é a figura que pode fazer a F1 aumentar o público, principalmente tendo um companheiro a altura. Além disso, é o que mais pode ganhar a simpatia dos americanos.

  3. Sil C San disse:

    Acho que a F1 passou seu pior ano, mudanças de motor, de barulho, pontos dobrados, assim como de encher o carro de porcarias eletrônicas, recuperação de energia e por último, a realidade cada vez maior de um mundo onde só os grandes sobrevivem. Na pista deu Mercedes assim como nos últimos quatro anos, Red Bull.

    A F1 poderia ser melhor, assim como as transmissões sem Galvão Bueno, pelamordedeus…

    • Luiz disse:

      Para quem realmente conhece e acompanha a F1 , sabe:
      - Mudanças de motor acompanham a categoria desde a sua criação.
      - Já houve a era do turbos na F1 e ninguém reclamava do barulho.
      - Os pontos dobrados valem para todos e deu uma emoção extra no último GP.
      - “As porcarias eletrônicas” são o que tornam a categoria a maior de todas. Fora o fato de que , “essa porcarias” são implantadas nos carros de passeios , tornando-os mais seguros e eficientes.
      Seria melhor você deixar de ver e assistir algo que não entende e não gosta. Melhor que escrever bobagens.

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