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2 de junho de 2015 - 11:12F1

Legado errado

SÃO PAULO | Reproduzo trecho da fala de Rob Smedley, engenheiro-sênior da Williams, a respeito da tática da equipe para 2015 e além.

Temos nos classificado sempre nas mesmas posições e somado os pontos correspondentes a elas, ao invés de perseguir coisas impossíveis ou fazer algo arriscado demais. Isso é um legado do passado. Estes são os pontos em que trabalhamos e é isso que vamos fazer. É a maior melhoria que vi até o momento. E é por isso que a Williams tende a fazer planos, corridas chatas.

A gloriosa Williams é a fixa terceira colocada da temporada 2015 quando não corre em Mônaco. Não vai ser ameaçada pela Red Bull porque Ricciardo e Kvyat hão de pagar todos os pecados pelas punições advindas do fraco e pouco confiável motor Renault. Também não se verão acossados pela Lotus, já que no máximo um só piloto, Grosjean, pontua. Precisaria que a Toro Rosso evoluísse muito para que os ótimos Sainz e Verstappen fizessem cócegas; no campeonato, impossível. As demais, nada mais. Assim sendo, a Williams tem 13 corridas pela frente para desfilar em quinto e sexto sabidamente. E qual é a estratégia? Permanecer em quinto e sexto.

Smedley fala em legado do passado ao apoiar uma vida sem riscos. Vivemos tempos em que se esquece até o que se comeu no jantar de ontem, dada a fartura de informações e coisas que se sucedem, mas não é tão difícil lembrar que o último campeonato ganho pela Williams foi em 1997. De lá para cá, a escuderia conseguiu 11 vitórias. É bem verdade que houve um período profundo de apequenamento e que a temporada passada consistiu num resgate. Mas a Williams parece satisfeita e fala em progresso andando desta forma.

Fosse eu Massa ou Bottas, ao ler isso, coçaria a cabeça e me perguntaria: “O que é que estou fazendo numa equipe que não assume riscos para conseguir algo maior?” A Williams se nega a sair desta zona terciária de conforto para ficar na torcida e na reza de, quem sabe, abocanhar um posto deixado por Mercedes e Ferrari. Que, em seis provas, ocuparam em todas os lugares do pódio sem ter nenhuma quebra.

Daí, meu filho, não adianta fazer pesquisa com o público, grupo de estratégia ou reunião para o chá das 5. Com tamanha falta de ambição, as corridas só podem ficar chatas e burocráticas porque quem as faz é chato e burocrático. O legado errado continua.

4 comentários

  1. Eduardo Schmidt disse:

    Faria o mesmo, eles tem muito mais a perder do que ganhar. $$$$ nao podem se dar ao luxo de desperdiçar o terceiro lugar nos construtores

  2. Thiago Sabino disse:

    Victor

    Não precisa ser gênio.

    O Smedley disse isso, porque o tamanho do cofrinho só permite andar nessas posições até o fim do ano. Foi sincero.

    Se tivesse $, investe-se em desenvolvimento. Como não tem $, é por aí que vão ficar…

    Não tem como arriscar sem dinheiro. Vai projetar uma asa dianteira nova, sem grana? Vai melhorar aerodinâmica como? Melhorar o equilíbrio do chassi, como?

    Moneytalks.

    Pra mim, é isso.

  3. EduardoRS disse:

    Hoje em dia quase ninguém assume riscos quando tem grana envolvida. Vivemos dias chatos e cautelosos.

  4. Diego - Floripa-SC disse:

    Depois dessa o Bottas já deve ter ligado para a Ferrari e dito: “Marcamos para quando o molde do banco?”.

    Que declaração horrível, zero para ele e para a Williams.

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