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6 de julho de 2015 - 11:58F1

Alicia Silverstone

SÃO PAULO | Demorou quatro meses para que a F1 tivesse uma corrida decente — agradecemos. E o grande pavio disso foi a largada que pôs de forma fantástica Massa na ponta e, posteriormente, a afobação de Hamilton em querer passar o brasileiro tão logo o safety-car entrou nos pits, que culminou na entrega da segunda posição a Bottas.

Deixe-se de lado a de Hülkenberg, que pouca gente conseguiu ver, mas foi tida pelo próprio como a melhor que já teve na F1: a largada de Massa, ontem, é uma aula. Ainda que disponha de recursos eletrônicos, pular daquele jeito com uma reta relativamente curta e ter o domínio da curva mostra a qualidade tanto do piloto quanto do carro. Bottas emparelhou com Hamilton por algumas curvas e já tinha a segunda posição, mas ingenuamente foi tangenciar uma curva e permitiu que o inglês tomasse de volta o posto. Então, ali atrás, as duas McLaren e as duas Lotus se acharam, enquanto Verstappen acabava de forma bisonha um fim de semana que prometia.

Afoito, Hamilton tentou superar Massa na chicane que antecede a reta principal de Silverstone. Felipe soube espalhar o carro, deixando o rival fora da pista e vendo Bottas superá-lo. Aí, então, deu-se a grande discussão da corrida, com a Williams num primeiro momento pedindo que Bottas ‘no racing with your teammate’ e depois indicando que, se partisse para a ultrapassagem, o fizesse de maneira ‘clean’.

Por mais que Bottas tivesse se aproximado uma série de vezes na reta do Hangar, não parece claro que ele tinha melhores condições que Massa ou que, se tivesse uma troca de posições, o finlandês iria estilingar na frente. Se o brasileiro estivesse segurando o ritmo, Hamilton teria partido para cima de Bottas — algo que não aconteceu em nenhuma das 21 voltas — ou até mesmo Rosberg tentasse efetuar a manobra sobre seu companheiro — algo que obviamente deveria ter feito. Massa era o único que não tinha o benefício da asa móvel, e claro que perdia velocidade nas retas em que era permitido seu acionamento. Assim, se realmente Bottas estivesse mais rápido, que passasse. Não foi ali que a Williams perdeu a corrida.

A perda começou em si quando Hamilton foi para os boxes. O jogo do cerco era até natural: assim que a Mercedes chamasse seu piloto aos pits, deveria ou ficar atenta para trazer Massa na mesma volta — e até dava para fazer isso porque o rádio da FOM dedou na transmissão — ou que fizesse na volta seguinte, como aconteceu. Só que aí, numa F1 tão precisa num trabalho de pits, perder 1s4 numa parada, é pedir para não ganhar. Massa voltou consideravelmente atrás de Hamilton, mas a distância não aumentou como se esperava. Bottas quase ultrapassou após sua ida aos boxes, mas conseguiu se colocar à frente de Rosberg. A vida vinha assim até que a chuva se fez presente.

E toda santa vez que chove, a Williams se perde. É uma equipe Cascão, mostrando uma aversão inexplicável à água. O carro passa a ter um comportamento de Manor Marussia, popularmente chamada de Mamar. E as decisões demoram a ser tomadas. A volta a mais que ficou na pista, sem seguir a intuição de Hamilton, foi determinante para a perda do pódio — depois que os dois carros haviam sido superados na pista por Rosberg. E foi aí que permitiram a ascensão do até então apagado Vettel na corrida, que chegou a cair para nono na largada e foi premiado, com bela pilotagem e controle de uma Ferrari arrisca, com o pódio. Renan do Couto fez uma análise de como a Williams foi da luta pela vitória à perda do pódio.

Foi o feeling de Hamilton que lhe deu a vitória neste domingo. Porque era Rosberg quem vinha babando e tirando a diferença consideravelmente quando o alemão teve pista molhada livre. Estava em pouca coisa acima de 3 segundos quando Lewis percebeu que a chuva iria apertar. Nico achou que não e deu mais uma volta. Azar. E também cabe aqui novamente a ponderação: Rosberg esteve inerte durante 21 voltas atrás de Hamilton no primeiro trecho de corrida. Um cara que quer o título e não parte para o ataque em cima do rival não pode reclamar da sorte nem de qualquer outro fator.

Sem o GP da Alemanha, a F1 volta daqui três finais de semana. Até lá, Hamilton carrega uma confortável diferença de 17 pontos e a Williams, uma dor de cabeça pela ressaca de ter falhado miseravelmente. Apesar disso, a briga interna é interessante na pontuação, também envolvendo o decadente Räikkönen. Mas ao que parece, pelas declarações queixantes após a prova, que o cenário de 2016 foi definido: Bottas se livra da Williams nem que tenha que aceitar uma redução salarial decorrente da multa do contrato e vai para a Ferrari. E para o seu lugar provavelmente volta à equipe Hülk, este cara que tem guiado o fino e que merece um carro numa equipe de ponta. Ainda que esta equipe de ponta se comporte como pequena em algumas situações.

15 comentários

  1. Zé Maria disse:

    Victor, seguinte:
    Ainda penso que, caso fizessem jogo de equipe se ultrapassando seguidamente nas 2 zonas de DRS, os pilotos da Williams conseguiriam abrir das Mercedes e conseguir uma vantagem que, mesmo reduzida devido ao pit mais longo, permitiria sonhar em chegar na frente. . .
    Se bem que a volta à mais na chuva foi pecado mortal. . .
    Abraço.
    Zé Maria

  2. ANDRE CAVALCANTI disse:

    Parabéns pela coluna, o único relato sensato que li na imprensa brasileira.
    Em primeiro lugar a única possibilidade infinitesimal de uma Williams ganhar aquela corrida seria fazer a única troca antes das Mercedes desde que a pista tivesse continuado seca.
    Em segundo, o chororô do Bottas é absolutamente ridículo: ter “melhor ritmo” do que o Massa andando no vácuo com a asa aberta é obrigação. Ainda assim, tanto o Felipe se defendeu dele quanto ele se defendeu do Hamilton.
    Acho que a Williams vacilou nas trocas, mas a performance do carro na pista molhada foi muito ruim e o Vettel poderia ter levado o terceiro mesmo que o Massa tivesse trocado uma volta antes porque tinha muito mais tração.

  3. Arthur disse:

    Pô, até que enfim alguém falou sobre o Bottas não estar com um ritmo bem melhor que o Massa e sim, esse não ter o benefício da asa móvel.

  4. Jorge disse:

    Bons comentários Victor. Apenas discordo da questão de culpar a Williams. Em condições de mudanças drásticas e rápidas de aderência devida a chuva, creio que o piloto tem papel fundamental e de certa forma decisiva também. Massa poderia ter sinalizado a necessidade de troca imediata dos pneus, da mesma forma que Hamilton e não o fez…
    Quanto a performance diminuída da Williams na chuva, todos sabemos que a mesma é característica do projeto com pouca pressão aerodinâmica, mas que apresentou evolução com as atualizações apresentadas em Spilberg.
    Abraço

  5. André disse:

    Victor no próprio site do Grande Premio tem uma matéria que mostra que o Bottas era realmente bem mais rápido que o Massa, afinal na volta em que esteve livre do Massa ele foi cerca de 1 segundo mais rápido, o problema é que na F1 para passar como a Williams autorizou é praticamente impossível.

  6. Luiz Felipe disse:

    Caro Victor, com esse cenário de Bottas na Ferrari e Hülk na Williams, seria plausível imaginar o Nasr na Force India? Ou seria melhor que ele permanecesse na Sauber?

  7. José Carlos disse:

    Enfim um comentário sensato, a F1 precisa se reinventar, isto è fato, mas se faz necessário acabar com está palhaçada do “companheiro” de equipe que acha que está mais rápido pedir para o outro dar passagem, ora, se está mais rápido vai e passa, o Massa enquanto na frente foi brilhante e ponto. Vejam o cara foi melhor na classificação largou e ganhou a ponta com maestria aí vem o outro falando que mais rápido, e terminou atrás do mais lento, faz me rir, o Bottas é bom mas como dizem a moçada, menos.

  8. Felipe disse:

    Saudações Victor!

    Falando em futuro, acha mesmo que Hulk tem chances d voltar a Williams? Logo ela q gosta d pilotos “pagantes”. Essa vaga tá mais com a cara do Nasr. Mas seria fantástico ver Hulk numa equipe, no mínimo, decente.

    Abraço!

  9. Marques disse:

    Hamilton estava 1.2 segundos atrás de Massa quando parou, só que a volta que fez de retorno foi um foguete. Quando Massa saiu dos boxes estava uns 2,5 ou 3 segundos atrás. Não foi só a parada ruim da Williams (que precisou limpar a asa traseira do carro segundo o próprio Felipe), mas quando esteve livre Hamilton voou, ali começou a ganhar a corrida. Antes da chuva ele tinha mais de 6 segundos de vantagem para o Massa. Agora, Rosberg é triste mesmo, ficou a corrida inteira atrás de alguém sem fazer nada, nem perto do Bottas chegou direito. Muitos dizendo que a chuva salvou Hamilton, a chuva salvou Rosberg. sem ela teria chegado em quarto.

    • Bob disse:

      O detalhe que também determinou a 1ª parada do Hamilton foi na saída dos boxes quando ele passou a Force Índia , se ficasse atrás ia perder tempo !
      O Massa ficou quase 20 voltas com pista livre e não abriu masi que 1s pro Bottas , então deveria deixar o Bottas passar e ver o que dava !!

  10. Álvaro Caldas disse:

    Gostaria que nessa dança de cadeiras, o Nasr voltasse como piloto da Williams, desta vez, em 2016 como teammate do Massa. Será utopia ter dois brasileiros na Williams?

  11. eduardo bonadiman disse:

    Comentário lúcido, a antítese do que o FG fez um ontem em seus comentários, com aquela obsessão de atacar os pachecos, que de fato são irritantes, mas que acaba deturpando a análise correta da corrida. Bottas ia ganhar corrida ontem nem aqui nem na china, era circunstancialmente mais rápido que massa com a asa aberta, chegou 30 e pouco segundos atrás do brasileiro. Abaixo o pachequismo,mas abaixo o viralatismo emprenhado nos comentários do FG.

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