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27 de setembro de 2015 - 5:16F1

Suzuka Kawasaka

SÃO PAULO | É a quarta corrida na sequência que pouquíssima coisa atrai numa corrida de F1 em termos de competição.

Só para não passar em branco: a largada foi interessante: Rosberg até foi resistente ao se manter emparelhado com Hamilton por fora na curva 1, mas na seguinte, em vez de se manter firme, deixou que o companheiro fizesse a tangência aberta, foi para fora da pista e caiu para quarto lugar. Ai, nenê, não tem o que fazer. E olha que Nico até foi peitudo em sua remontada, como se brigasse nesta corrida pela chance final de título, ao passar Bottas na chicane para ganhar o terceiro lugar. Acordou tarde, fio. Ainda terminou em segundo ganhando a posição de Vettel na tática de boxes, mas a face da derrota ficou expressa no pódio com aquela cara de quem curtiu show de Sam Smith.

O campeonato já é de Hamilton há algum tempo, mas a frase solta por Rosberg como que num desabafo despercebido, denotou que a toalha está jogada: “Eu tinha de ter vencido esta corrida”. Não só essa, na real, mas outras tantas em que não houve sequer empenho.

Outro caso da largada definiu as sortes de Massa, que largou muito mal, e Ricciardo, que vinha atrás na posição de fila e logo superaria o brasileiro se tivesse o espaço suficiente para que não houvesse o toque. Os dois perderam a oportunidade de conquistar “bons pontos”, como virou modinha dizer. Restou a Bottas e Räikkönen correrem sozinhos pelas migalhas do quarto e quinto lugares, pois. Hülkenberg também se deu bem no começo ganhando seis posições de cara e fez quase uma prova solo, pondo-se à frente das duas Lotus — Maldonado chegou ao fim, registre-se.

Ao resto, a coisa se resume em pontos que passam ao largo da prova em si.

Primeiro: o rádio de Alonso em que, de início, se mostrava “envergonhado” por tomar ultrapassagens a torto e a direito nas primeiras voltas; depois, que tinha um “motor de GP2″ ao ser deixado para trás por Verstappen após certa resistência. Não parece haver muitas dúvidas de que a paciência do espanhol já foi pro saco e que seus atos são bastante semelhantes de quando estava de saída da Ferrari. Não se critica a Honda assim na casa da Honda. E não é voltando para os boxes e abraçando Éric Boullier que se ameniza o negócio. E então veio algo parecido com isto: “Está feliz, Fernando?”, “Sim, estou”. “Ah, mas você confia no projeto?”, “Claro, confio, é o único que pode bater a Mercedes”. “Ah, OK, uma última pergunta: você vai ficar na McLaren?”. “Hum, não sei”.

OK, acho que entendemos.

Segundo: Verstappen: repararam no tempo que foi dedicado ao moleque durante a transmissão? E, concomitantemente, repararam o quanto não foram mostrados devidamente os carros de Mercedes e Ferrari na prova? Sobre a questão inicial, claro que isso se deve aos feitos que Max têm demonstrado na F1 e o quanto ganhou com aquele “não” imponente de quem não deixaria o companheiro Sainz passar — e a quem superou na prova de hoje; com relação à outra, foi uma impressão geral, a de que parecia haver uma determinação para evitar mostrar sobretudo os modelos pratas. O que pingou de início na sala de imprensa é que seria uma represália arquitetada por Ecclestone por as duas equipes/montadoras estarem de mimimi para fornecer motores à Red Bull, que ameaça tirar seus quatro carros do grid e daria uma enxaqueca a Bernie daquelas.

Mensagens de rádio e declarações de um bicampeão descontente, foco em uma revelação promissora e ausência de foco da transmissão da TV em duas equipes: são estes os assuntos mais interessantes em Suzuka. Não é absurdo que uma corrida de F1 se resuma a estes tópicos? Que se chegue na décima volta e se questione a razão de estar acordado para vê-la? Ou que, se tem disputa, é lá no pelotão do vuco-vuco?

E aí se compreende quando este bicampeão descontente sai dizendo que pode ser campeão em outra categoria, sinal de que não aguenta mais andar lá trás, além de já ter expressado que preferiria os carros de outras épocas. E aí se entende também quando Button pensa em parar porque não faz sentido se esforçar para andar em décimo-qualquer-coisa. Porque é isso: se deixou de despertar no público, a F1 também já não desperta tesão nos pilotos pelo conglomerado de regras absurdas que limitam a engenharia e a capacidade dos partícipes protagonistas.

E aí a gente fica com cara de quem acabou de ouvir Sam Smith, meditabundo, entristecido, quase que sem rumo.

22 comentários

  1. Cláudio F1 disse:

    Olá Victor, estou escrevendo apenas para alertá-lo que os links para a ótima culuna “Na Garagem” não estão aparecendo mais, inclusive o link para a última coluna que fala sobre as últimas corridas das equipes Jordan e Minardi simplesmente leva o leitor de volta à pagina principal do Grande Prêmio.

    Espero ter ajudado de alguma forma.

  2. João Ferreira disse:

    De fato Vitor, a F1 está com cara de Sam Smith mesmo, ou melhor, com cara de quem cagou nas calças e não sabe onde fica o banheiro….

    Se já desmotiva a torcida, os pilotos e as equipes, não é surpresa que estejam em crise, depois não sabem porquê.

    20 etapas, 10 a 12 equipes, 20 a 24 pilotos, disputa de 2 a 4 pelo título, parece difícil, mas não é, há categorias que fazem isso muito bem, V8 Supercars e TC 2000 argentina são alguns exemplos, talvez devam aposentar os Bernie e seus amigos para começarmos a recuperar o que foi perdido….

  3. Uma pena disse:

    Ver o Hamilton tri-campeão é uma pena. Piloto superestimado só por ter uma grande velocidade, mas peca nos outros quesitos, se não fosse esse carrão da Mercedes ele iria cometer seus erros bobos de sempre, não sabe brigar de igual pra igual. Arrogante, pensa ser o centro do mundo, vivia reclamando do domínio da Red Bull. criticando o Vettel por causa dos carros da Red Bull e agora que vive o mesmo, ou até melhor pois a Mercedes é mais rápida que a Red Bull em seu domínio, vive sorrindo e gostando do seu domínio. Cara mala!

  4. Italo Costa disse:

    Dá uma olhada na Moto GP, com regras simples, o pessoal que tem menos grana desenvolve melhor, pra ter competição. Dá uma olhada na Formula E, com carros todos iguais e logo 3 caras ralando pra ser campeão. A F1 tem que mudar, e logo!!! Bons tempos eram aqueles em que não tinha Q1, nem Q2, muito menos Q3, onde que o cara que dava a volta mais rápida em 1 hora de treino, era o pole. Daí limitaram os motores, depois a aerodinâmica. Ou seja, não terá mais um Adrian Newey novo, ou um outro garagista que consiga levar o carro pra vitória “na raça”. Fora as entrevistas, que são sempre certinhas. Tá muito mais legal ver a Formula Truck, que tem mais emoção e melhores raladas do que a F1

  5. Marcos disse:

    Ainda não repoararam que há uma “certa marmelada” na Mercedes…?? Ou é coincidência que numa corrida o motor de um quebra e dão para ele um motor gambá que nem dura a corrida toda e na corrida seguinte o motorzão desse mesmo piloto tem uma “pequena falha” e perde potência nas primeiras 3 curvas…?? Fórmula 1 é negócio… não esporte… a questão é… quem vende mais Mercedes pelo mundo… o baladeiro rapper das noitadas de Londres, NY e LA ou o circunspecto pai de família de Mônaco…??? Simples assim…

  6. Thiago disse:

    Hein, corrida boa é só quando tem briga pela vitória?

  7. Tássilo disse:

    É fácil de resolver o problema da falta de emoção do campeonato. Para o ano que vem é só trocar o Alonso pelo Nico. Nico vai gostar da ideia vai ser primeiro piloto na McLaren, pq Button não vai ficar.Nico tem paciência para esperar a hora de ganhar um campeonato se ganhar, e é o que a McLaren precisa tempo paciência. E Alonso iria pra Mercedes quase de graça pq está louco para voltar a ter chance de ser campeão. Pronto Bernie fica a solução. E podem dar o motor Mercedes pra Red Bull Pq Kvyat e Ricciardo vão andar perto mais não vão incomodar muito.

  8. Renato disse:

    Quem diabos é Sam Smith?

  9. Emerson Carneiro disse:

    Na minha modesta opinião não se poderia ter uma equipe com um carro de “outro universo”, em detrimento do espetáculo. Essas eras da formula 1. Era Ferrari, era Maclaren, era Willinas, era Beneton, era Red Bull, era Mercedes. Creio que já deu uma esgotada ver sempre uma equipe se destacando e sumindo na frente. Ainda nas décadas de 80 e 90, tinha-se disputas entre companheiros de equipes e pilotos que realmente levavam no braço os carros e venciam corridas que não eram da equipe dominante. Essa história de não poder treinar também eu acho uma aberração. É quase que um atleta da corrida dos 100m poder treinar um dia antes da corrida e depois seja o que Deus quiser. Também é bloqueado o desenvolvimento dos carros e motores. Tem um limite de utilidade e um tempo certo para apresentar peças novas e modificações contadas nos dedos de uma mão, para melhorar o motor. Ridículo ! Uma equipe acerta a mão no projeto e sai na frente e as outras não podem fazer nada para correr atrás do prejuízo e o que temos com espetáculo é de um tristeza de dar dó. Todo mundo se matando por farelo de pão. Haja vista a cara do Haikonen. Que pra ele se matar para chegar no máximo em terceiro, deve ser um tormento e ainda pegar um carro não tão bem trabalhado como o do Vetel, porque a equipe ainda não pode faze-lo sempre. A Wilians parece a casa de testes da Mercedes. Dá a entender, meio que só observando, um certo pacto de não agressão a Mercedes. Tipo de der uma vacilada tenta a sorte, se não fica na sua que tá bom demais. Bottas e Massa já quiseram dizer que era precisa mais ousadia, mais daí vieram com uma história tipo se não quiser tem quem queira e vão levando as coisas em banho maria. Esse mediocridade que me enoja e me dá raiva. Fica tudo um bando de comadre, ninguém pode protestar ou reclamar de nada e ainda o que reclama é sempre o vilão da história. Pra mim teria que sair a Red Bull mesmo, levar os 4 carros embora, a Lotus não conseguir fechar com a Renault. Daí eu queria ver a F1 com meia dúzia de carros, pra ver se ia funcionar.

  10. rafael disse:

    cada ano que passa vou perdendo mais o interesse, nos anos anteriores mesmo com o domínio de um carro parecia mais emocionante, acho que por que sempre tinha a expectativa de alguém evoluir os carros, mas atualmente não deixam mais isso acontecer são tantas regras impedindo a evolução que estraga a categoria.
    a verdade é que essa de querer colocar teto e cortar os custos não vai funcionar nunca as equipes pequenas serão sempre pequenas sem dinheiro, tem que se pensar em outros pontos para essas equipes lucrarem mais e assim conseguir desenvolver o carro para acompanhar as grandes.
    sempre penso em algumas coisas não sei se melhoraria mas eu acho que teria que pensar um pouco mais como o automobilismo americano.
    por exemplo deixa a equipe que tem dinheiro correr com 3 carros e a equipe que nao tem correr com apenas 1 muito melhor porque tem que todo mundo tem que ter 2 carros?
    outra coisa essa ideia de os carros terem as cores fixas na temporada todo impede que as equipes menores achem patrocínios pontuais para cada prova, assim como na nascar cada prova um novo patrocínio ou divulgação de um filme, sei la posso estar viajando mas acredito que assim as equipes menores conseguiriam mais dinheiro de varios patrocinadores e não necessariamente de um único grande.

  11. André Fonseca disse:

    O rádio “motor de GP2″ foi só mais uma mostra do que o “Picaretonso” faz de melhor na F1…

    Joga pra torcida, tirando o dele da reta!!!

    É a segunda equipe grande que ele assume para desenvolver e fazer crescer, e como nos tempos da Ferrari, não consegue nada.

    De onde tiram que esse cara é bom???

    • Alberto disse:

      De fatos, de resultados. Você sabe que ele é bom, Chupez, e não se conforma com isso. E é exatamente esse o motivo dessa perseguição obsessiva e patológica.

      • André Fonseca disse:

        Fatos, resultados, vamos lá…

        Foi campeão pq tinha toda a Michellin montando pneus como a equipe Renault queria, só para ganhar a briga contra a Bridgestone. Quando acabou a palhaçada, e tudo ficou igual no fornecimento de pneus, não fez mais nada.

        Foi para a Mclaren e levou pau de um novato.

        Teve a Ferrari por anos a fio construindo o carro para ele, e não conseguiu absolutamente nada.

        Esteve envolvido no maior escândalo da F1.

        Não sabe escolher as equipes onde vai, não consegue estimular os funcionários com quem divide os boxes, e começa a “jogar pra torcida” que a culpa é só da equipe. “Eu ganho, eles perdem”, nisso o “Picaretonso” é campeão, não tem melhor!!!

        Chega de fatos???

        O “fato” não é se conformar com isso, na verdade é não fazer parte da “massa de manobra”, dos “idiotas úteis” que acreditam que o “Picaretonso” é um grande piloto.

        Ele é bom sim, nada mais do que isso. Daí a ser um dos “grandes” da História da F1 tem chão, muito chão.

        “Obsessivo e patológico” é vc achar que eu e o Chupez somos a mesma pessoa só pq não caímos na “ladainha” do “Picaretonso”.

        Não sei o que é mais ridículo, a utopia na defesa do “Picaretonso” ou falar com uma pessoa achando que é outra…

        • Francês disse:

          Soma nisso tudo o fato da Globo fabricar mitos. O Galvão puxa bem a sardinha do Alonso, porque senão vejamos SANTANDER. Aliás acho que o GAlvão entrou para o Guiness como o cara que mais ouviu o hino alemão. Se apertar ele canta, certinho.

  12. Renato disse:

    Opinião bastante pessimista. A fórmula 1, de fato, não passa por seu momento mais áureo e, a bem da verdade, o último campeonato disputado em relativa igualdade de condições entre equipes diferentes foi o de 2010. Entretanto, continua sendo a categoria mais importante do automobilismo mundial e a corrida de Suzuka, por mais que não tenha sido ótima, a meu ver, foi mediana, não horrível. Além do que, é muito mais interessante assistir a uma corrida em uma pista espetacular como a de Suzuka do que em circuitos de rua como o de Marina bay e outros que se encontram em profusão em categorias de menor relevância.

    • eduardo disse:

      Um comentário sensato no meio de tanto bla bla bla,2012 tambem foi disputado com a Red Bull demorando para acertar o carro e Ferrari e Mclarem alternando bom e maus momentos,Willians e Mclarem tambem tiveram domínios esmagadores sem tanta choradeira,em 88 se tirarmos o Prost e colocarmos o Berger ou Patrese teríamos um campeonato pior

  13. Kaike disse:

    Por isso que esse ano ja desisti de ir pra Interlagos e n venho acordando pra assistir as corridas…

  14. Eduardo disse:

    Está na hora de Alonso, Button, você é o Flávio Gomes aposentar e deixar o negócio para quem ainda tem tesão

  15. Joao disse:

    Perfeito texto. Como sempre
    Realmente uma F1 com tanta regra, com carros que não conseguem andar perto um do outro, tanto mimimi realmente não tem como atrais o publico. Acompanho f desde 1980 e nunca vi tanta falta de disputa. De acontecimentos.

  16. Vagner Coletti disse:

    Interessante que estava assim há muito tempo. Só os anos Schumacher foram um porre! O que eu acho gozado é que agora e só agora tem mais gente reclamando. Os quatro anos de Red Bull e Vettel não pareciam ter essa choradeira toda… E é aquilo que vimos na corrida passada: se não for a Mercedes, vai ser outro carro fazendo o mesmo…

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