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30 de abril de 2017 - 14:10F1

S17E03_RUS1

Bottas

SÃO PAULO | É sempre legal ver um novo piloto vencendo. Bottas é o 107º da história a ter a honra de ver a bandeira quadriculada antes dos demais. E é melhor ainda quando a vitória vem depois de um dissabor como o que sofreu há duas semanas no Bahrein, aquele da ordem de deixar passar. Valtteri foi melhor que Hamilton durante todo o fim de semana e, uma vez que conseguiu superar as Ferrari na largada, teve um ritmo à Hamilton para se manter na primeira colocação, sobretudo no trecho inicial da prova em Sóchi.

Fosse Bottas um Webber, diria um ‘nada mal para um segundo piloto’.

Isto posto, o GP da Rússia foi um dos piores que vi na vida. OK, é do jogo depois de duas corridas interessantíssimas como as da China e do Bahrein, mas foi além da preocupação que surgiu na pré-temporada e acabou se confirmando na Austrália: as ultrapassagens. Que elas seriam escassas e mais conquistadas na temporada, sim, estava claro, mas não haver ultrapassagem alguma — e não se trata de exagero — é desesperador para quem espera um mínimo de emoção numa corrida de carros — e só para não se enclausurar na F1, o GP de Phoenix da Indy no sábado da noite foi similar. E se as vozes já ecoavam, nos testes de pré-temporada, de que em Barcelona não se conseguia passar o carro à frente, mesmo sendo uma Sauber, o GP da Espanha de daqui duas semanas será uma prorrogação do que se viu hoje.

Vettel deu uma patinada na largada e contou com uma certa ajudinha para não perder a segunda colocação para Hamilton — sim! Dá para ver bem pela onboard de Lewis o quanto ele partiu melhor que o alemão e Räikkönen. Ele já vinha praticamente emparelhado com Kimi e com mais ação, mas aí acabou espremido por Ricciardo, à esquerda. Teve de recuar e quase perdeu posição para Verstappen, à direita. No fim, em quarto contornou a primeira curva, em quarto terminou. Um desempenho apagadíssimo, à Räikkönen, daqueles que acontece durante uma temporada, mas tem de trabalhar para não ter mais em um campeonato acirrado e disputado contra Sebastian.

Na estratégia, a Ferrari demorou a trocar os pneus de Vettel para colocá-lo em melhores chances no fim da prova. Até aconteceu a aproximação, Massa até atrapalhou, de fato — e o calor do momento fez com que Vettel erguesse o dedo médio para o brasileiro —, mas jamais aconteceria a ultrapassagem. É um segundo lugar, no fim das contas, com gostinho de primeiro pelo que Hamilton não fez no fim de semana.

Räikkönen, enfim, apareceu. Um Kimi melhor que nas três primeiras provas, é claro, mas tenho dúvidas se ele mais conquistou o pódio por méritos ou só o teve porque Hamilton estava naquela nhaca. Na classificação, ao menos, o finlandês mandou bem mesmo. E na corrida, o episódio de sua reação ao saber que Bottas liderava é um daqueles à Räikkönen que entra para a história como um dos melhores de todos os tempos.

Verstappen correu para o quinto lugar, sem aparecer uma vez sequer na transmissão, e Massa correria para o sexto, mas foi nono. Cousas que só os boxes da Williams explicam. Com isso, a Force India se aproveita cada vez mais e conquista os pontos que lhe são cabíveis com uma dupla boa entre Pérez e Ocon. Stroll, minha nossa, é uma catástrofe. Rodou assim que o safety-car foi acionado pelo acidente entre Grosjean e Palmer. E em um acidente que tem Palmer envolvido e que a culpa não é dele mostra o quanto Romain não tem capacidade de ser um piloto de ponta.

Hülkenberg, então e mais uma vez, levou a Renault aos pontos. A Sainz sobrou o resto para uma Toro Rosso decepcionante.

E sobre Alonso, bem… as reclamações já vinham na volta de apresentação e seguiam o mesmo tom da classificação e dos treinos livres. O espanhol não tem mais o menor saco para lidar com um projeto fadado ao fracasso e sem perspectiva alguma de melhora a curto prazo. Não, a Honda não vai achar o caminho das pedras só porque é Honda e teve título com Senna e Prost, e o escambau — e não, a Honda não domina a Indy, como se falou por aí. Já se fala na imprensa europeia que ele decidiu deixar a McLaren ao final do ano. A equipe tenta lhe fazer todos os agrados, e é bem possível que retorne ao motor Mercedes, apesar das negativas. Fato é que, neste momento da vida, Alonso precisa de Indianápolis o quanto antes para se reencontrar.

Não duvido que tenha parado propositalmente o carro na entrada dos boxes diante de mais um problema no motor só para expor ao mundo sua insatisfação extrema com a incompetência alheia. E se o caminho do Speedway lhe fizer minimanente feliz e importante, a F1 vai ser uma página virada sem ter qualquer preocupação, inclusive jurídica.

4 comentários

  1. Tulio disse:

    Pô, só li o texto hoje, pq sempre olhava o título e via _RUS1, aí passava direto. Haha

  2. Garlet disse:

    MERCEDES tem um serio problema, para vencer, precisa sair na frente. O carro so anda bem se estiver na frente. Foi assim no ano passado. Nesse ponto a FERRARI está mais evoluída.

  3. Alexandre Soucha disse:

    Acredito que Alonso só permanece na F-1, se caso a Mclaren resolver voltar a ter motor Mercedes,por que acho que na Renault, ele já sente que não será mais o “queridinho ” na equipe!

  4. valter rodrigues disse:

    A vitória de Bottas está dentro da normalidade na Equipe Mercedes. Já disse e repito, Bottas foi contratado para ser o segundo piloto que vai obedecer a ordem e abrir para Hamilton passar quando for conveniente. Vai vencer quando Hamilton for mal. Foi o que aconteceu no GP Russo. É um bom piloto, mas contrato é contrato.
    Alonso encerrou hoje a sua carreira na F1. Que seja feliz nas terras do Tio Sam.

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