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1 de outubro de 2017 - 8:54F1

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SÃO PAULO | O campeonato de 2017 ganhou neste domingo novos contornos na Malásia que não mais vai fazer parte da F1. Para a Ferrari, o desastre de Singapura se prolongou, mas há uma evidência de que seu carro está novamente à frente do da Mercedes em ritmo de corrida — e isso numa pista em que não se esperava isso. O fortíssimo ritmo de Vettel e sua capacidade minimizaram quase ao máximo o prejuízo que sabia que teria depois de não participar da classificação. Mas mesmo tendo 34 pontos de desvantagem, o alemão tem um aliado: sua antiga equipe.

Sem Räikkönen, a Red Bull sobrou. Verstappen controlou a corrida depois de passar Hamilton e só a perderia se voltasse a ter um de seus milhares de azares. Ricciardo tinha um desempenho melhor que o do inglês, mas perdeu muito tempo no começo atrás de Bottas. A Red Bull já havia meio que jogado a toalha depois que saiu de Singapura sem a vitória, mas se a gente analisar a performance da dupla energética na segunda parte da temporada, é notório que houve uma grandiosa evolução a ponto de se pensar que estarão presentes ali na frente com mais frequência.

Até porque, como dupla, Verstappen-Ricciardo estão à frente dos demais. OK que Kimi teve o pior dos destinos hoje, mas arrisco dizer que não seria o vencedor mesmo com melhor carro. E Bottas foi um horror, como tem sido depois das férias: insosso, desmotivado, desnecessário. E se houver um cenário destes em que Vettel está à frente e as Red Bull lhe servem de ajuda, Hamilton já não olha para o lado e encontra um escudo.

Hamilton foi cerebral na prova deste domingo. Não afrontou Verstappen porque teria muito a perder — a lição da prova passada foi bem aprendida. Mas também não pode pensar em disputar as últimas cinco provas na tiriça e na preguiça apresentada por Rosberg no ano passado. Vettel ainda pode ser campeão com seus próprios resultados — vencendo as cinco, Seb teria 1 ponto a mais que Lewis se este terminasse todas em segundo. De qualquer forma, o inglês está na dúbia situação da vida mansa com a pulga atrás da orelha: tem um campeonato na mão, mas não está com esta mão beijada.

O problema para Vettel foi o pós-corrida: aquele acidente com Stroll — que teve um repente do piloto que foi no início do ano e moveu o carro para a direita na curva à esquerda — pode custar uma punição de cinco lugares no grid por uma eventual troca de câmbio. E aí, fio, é uma vitória a menos na conta: largaria na melhor das hipóteses em sexto.

Stroll que deu piti quando Massa disputou posição com ele. A Williams recebeu dinheiro bom e comprou a melhor papinha para o rapaz. Alimentaram demais e criaram um monstrinho rico e mimado. E Felipe também não fez muito para defender o lugar, tal qual contra Ocon em duas situações. Ficou mais uma vez atrás do companheiro. E assim fica difícil argumentar qualquer coisa a favor.

Ocon, aliás, envolveu-se em um incidente com Sainz na curva 1 que mostrou que os comissários ou estavam sonados ou ligaram o foda-se de vez. O espanhol deu no carro do francês, que rodou. Aliás, aquele espaço da pista foi ímã de tretas: teve a de Magnussen com Alonso — que fez este concordar com Hülkenberg e chamou o nobre danês de ‘idiota’ — e teve a de Palmer com Magnussen, em um encontro histórico. Ainda estou no aguardo do momento lindo de Palmer rodando duas curvas antes, emparelhando com Kevin para disputar posição bem à frente do líder Verstappen, e depois terminando em nova rodada. Jolyon já poderia ser sacado pela Renault.

Alonso foi outro que agiu como os citados acima: andou mal, muito mal, bem atrás de Vandoorne — que foi excelente e ultrapassou o companheiro no Mundial —, e ainda teve um ato deplorável ao abrir passagem escandalosamente para Ricciardo e fechar em cima de Vettel. Com 36 anos, trata-se de um apequenamento desnecessário para quem se acha grande e maior que todos os demais o tempo todo. E atitudes como esta só reverberam o que tem colhido de dissabor nos últimos anos.

Na próxima etapa, Suzuka. Que começa desde já com a expectativa da confirmação da Ferrari sobre o câmbio de Vettel: se tiver de trocar mesmo, Hamilton já tem uma grande vitória. Daquelas de gravar de vez o tetra na taça.

6 comentários

  1. Alexandre Soucha disse:

    A Ferrari sempre foi e sempre será uma equipe de um piloto só, agora está pagando por isso, caso contrário teria outra opção ,ter um piloto mais jovem, competitivo e comprometido com a equipe, como diz o “mestre” Edgard Mello Filho .
    “Se o Rubens Barrichello não foi campeão pela Ferrari,o azar foi da F-1″ !!

  2. Charles Câmara disse:

    Victor, o que a Ferrari está colhendo é o que ela plantou: opta por manter um piloto descompromissado e em fase decadente como é Raikkonen para privilegiar o outro piloto, Vettel, sem falar nas manobras descaradas pra inverter posição e tirar o número “2″ da frente, é um castigo divino, pois se ela tivesse “dois número 2″ como red Bull e Mercedes, ela estaria com dois pilotos disputando o título e não um só, bem feito.

  3. Jorge disse:

    Victor ótimo texto, parabéns!!! Hamilton realmente terá de se preocupar, só o fato de largar próximo ao Max, já preocupa, tem também Ricciardo que é osso duro de roer, sem contar que as Ferraris em ritimo de corrida estão melhores que as Mercedes, essa falácia de que os prateados estão melhores é para jogar o peso pra cima da equipe alemã, devido ao retrospecto, Hamilton terá que ter sabedoria e sagacidade se quiser vender o campeonato, pois se for pra contar com o companheiro, estará perdido.

  4. Fernando disse:

    Bom dia Victor gostaria de te fazer uma pergunta, por que você tem tanta bronca do Alonso? Pergunto na moral, sem sacanagem! Abraço.

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