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5 de março de 2018 - 12:44F1

Sobre barreira e talento

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SÃO PAULO | Carmen Jordá jamais foi vista como um exemplo de pilota eficiente nas pistas. Quando aparecia na TV durante as transmissões da F1, nos boxes da Lotus Renault, pareciam propositais a mostrar sua beleza física. A espanhola tinha o título de pilota de desenvolvimento, mas nunca o exerceu e nunca se desenvolveu.

Jordá se especializou, neste ínterim, em dar declarações que se alinham com o pensamento de muitos homens antiquados, tipo Bernie Ecclestone, de que as mulheres não conseguem competir em igualdade de condições físicas e que necessitaria de uma categoria especificamente feminina. As grandes pilotas bradaram contra.

A recompensa veio em formato de representatividade. Carmen desapareceu das pistas e acabou ganhando um cargo na FIA como representante das mulheres no esporte a motor.

Daí que deram um teste com um carro da Fórmula E a Jordá, sabe-se lá por que — digamos que Jean Todt, presidente da entidade, tem um interesse e um apreço exacerbado na categoria. Depois de sair do carro na Cidade do México, tratou de dizer que era o campeonato especial para mulheres porque não havia uma “barreira física”.

O carro da Indy, por exemplo, é muito mais pesado e difícil de pilotar que o da FE. Lá estiveram Danica Patrick, Simona de Silvestro, Bia Figueiredo, Pippa Mann. Nunca vi qualquer declaração de qualquer uma das quatro de que os resultados que eventualmente não conseguiram se deram por uma limitação física. Até porque hoje a fisiologia e a medicina estão muitíssimo avançadas: uma mulher consegue se preparar adequadamente a uma corrida com musculação, alimentação correta e dedicação. O esporte a motor é um dos únicos que proporciona esta igualdade. Proporcionalmente, há muito menos mulheres inclinadas à prática ainda, o que dá a impressão de que ainda é um esporte para macho. Com o tempo, as coisas tendem a mudar. Mas a saída não está em separar os mundos.

Jordá nunca foi além de um 17º lugar nos anos em que correu na GP3. A barreira nunca foi física. É que nem todo mundo, seja homem ou mulher, nasce com talento suficiente para uma determinada coisa. Carmen há de encontrar o seu.

1 comentário

  1. Amaral disse:

    Da mesma forma que há piloto homem com talento e sem talento. Aliás, se fosse depender de falastranice (se é que essa palavra existe), por exemplo, Ericsson e Magnussen seriam pilotos de ponta. Falar abobrinha não faz ganhar corrida.
    Pelos resultados, se vê claramente que a pilota em questão mais fala do que tem talento. O problema, no caso dela, definitivamente, não é o gênero. É que ela talvez até queira, mas não entende do riscado. Sem preconceitos aqui, só fatos.
    Assim como a garota que o Trulli trouxe pra pilotar com ela logo na estréia da F-E. Ninguém sentiu saudades dela. Aliás, alguém lembra que a Simona não foi a primeira a pilotar um carro elétrico?
    As quatro mulheres citadas aí, em maior ou menor grau, são pelo menos minimamente competitivas. Tá, a Pippa nunca fez lá grande coisa. Os desafetos da Bia dirão o mesmo. Mas convenhamos que vexame elas nunca deram, quando participaram, fizeram pelo menos o mínimo, que é andar junto com o bolo.
    Já a moça ibérica, creio que sofreria para passar de um rookie test em Indy, ainda mais em se classificar para a mítica prova…

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