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8 de abril de 2018 - 18:23F1

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SÃO PAULO | Uma das melhores ideias – e muito sem querer – que a F1 teve recentemente foi jogar o GP do Bahrein para a noite. Desde 2014, as corridas lá são muito boas; a deste domingo não foi primorosa do começo ao fim, teve até seus momentos ruins, mas dois atos que se complementaram fizeram desta uma etapa memorável.

A punição e a consequente posição de largada de Hamilton levava a uma tática que já se desenhava no Q2: largar com os pneus macios. Antes da largada, Toto Wolff contava que a intenção era fazer com que o piloto parasse uma vez. Sem fazer os supermacios render como deveria, restava ao inglês colocar a opção mais improvável: os médios. Nisso, soma-se um piloto que faz uma ultrapassagem tripla daquelas, jantando Alonso, Hülkenberg e Ocon de uma só vez, com uma avaliação que foi feita em cima do espanhol da McLaren, que também optou por estratégia semelhante e andava muito bem na corrida no pelotão que lhe cabia.

A Ferrari faria duas paradas com os dois pilotos. Assim, precisaria fazer um esquema de largar com supermacios, trocar por macios e, enfim, voltar aos supermacios. Andaria mais rápido que as Mercedes nestas condições, pois. No início da prova, na mesma situação pneumática, Vettel até chegou a abrir uma diferença confortável para Bottas, que também livrava um certo espaço para Räikkönen. Foi aí que a equipe alemã resolveu mudar as coisas e o jogo.

Vettel foi aos boxes na 18 para colocar os macios e Räikkönen fez o mesmo na 20. Aí a Mercedes aplicou a Bottas o mesmo estratagema que o de Hamilton, calçando os médios na 21. Com estes pneus, os dois carros prateados andavam tanto quanto os da Ferrari, o que significava dizer que a Ferrari provavelmente perderia a corrida parando de novo. Ainda assim, não parecia que Maurizio Arrivabene e seu time mudariam o esquema, tanto que chamaram Kimi de novo na 36.

Foi aí que o GP ganhou seu capítulo principal, aquele primeiro dos atos: o atropelamento do mecânico.

A cena é terrível, daquelas que você se contorce ao vê-la. A perna forma um L. Enfim, mas este episódio que tira Räikkönen da prova mexe com a Ferrari meio que por osmose. O mecânico ali deitado, sofrendo, com a ajuda que lhe era possível, impede que o carro de Vettel entre para um segundo pit. Naquela altura, o alemão fatalmente voltaria atrás de Hamilton – que vinha entre 17s e 18s atrás, sendo que uma parada boa leva uns 25s – e levemente longe de Bottas. E sem ser avisado do terror havia no espaço designado a sua parada, Seb é obrigado a ir até o fim da prova com aqueles pneus em estágio de pandareco.

Foi assim que vieram aquelas quatro voltas finais de tirar o fôlego, o segundo ato, com Vettel demonstrando as habilidades máximas que envolvem seus quatro títulos.

O primeiro ato, assim, na minha visão, define o segundo no sentido de mudar obrigatoriamente o destino de Vettel em Sakhir. Se tivesse parado, era Bottas quem comemoraria o primeiro lugar. Foi o VSC que ajudou o alemão na Austrália. Além da competência de sempre, o alinhamento das estrelas é totalmente favorável a Sebastian. Com um carro inferior na primeira etapa e um ligeiramente melhor – mas que não tinha o melhor conjunto no fim – da segunda, tem os 50 pontos possíveis, 17 melhor que Hamilton. Já vimos este filme antes? Opa, já. Lewis virou. Mas essa Mercedes que tem, sim, um supercarro, vai ter de ver onde essa diva é, sim, instável: os pneus supermacios e o calor.

13 comentários

  1. Gabriel disse:

    Vettel fez uma grande corrida, mas Bottas, no final, convenhamos, ajudou bastante.
    Depois de ontem, não renova com a Mercedes.

  2. Antônio disse:

    Todo mundo esquece que com super macios e pouca gasolina Vettel viraria 2 segundos mais rápido por volta . Em 10/12 voltas teria uns 20 segundos de vantagem. Não fosse o acidente, a vitória seria bem mais tranquila. Ou seria do Kimi, caso Vettel não parasse.

  3. ECidade disse:

    Sou uma pessoa bem antiga e entendo que corridas de 300 Km devem ser disputadas com um só jogo de pneus. Estratégia e competência é isso: administrar velocidade e durabilidade. DRS? Ou acabam com isso ou o piloto que use quando é como quiser. O que se faz hoje é tipo um videogame. À F1 só faltam uns “botõezinhos de ultrapassagem” para a coisa desandar de vez.

  4. juan slowski disse:

    Não concordo com a análise de VM.
    Se Vettel tivesse obrigatoriamente que parar, teria parado de qualquer jeito, mesmo com um mecânico ferido. Pelo que li na F1Tv.com, fora perguntado a Vettel se este poderia levar o carro ao final da prova com os pneus amarelos, e este respondeu que a corrida estava sob controle, mas, depois da corrida, admitiu que mentira para Arrivabene. Se parasse para troca, Vettel arriscaria mais o 1º posto do que se cuidasse dos seus pneus naquele momento. O fato é que Bottas, mesmo com pneus em melhores condições, não teve carro para passar Vettel.

  5. Garlet disse:

    Não achei que o acidente mudou alguma coisa para o VEttel.. Ao meu ver, sua análise é tendenciosa.

  6. Alexandre disse:

    A corrida foi boa de assistir. Os outros destaques serão mencionados em outro post?

  7. Jurandir Pacheco disse:

    “Mas essa Mercedes que tem, sim, um supercarro, vai ter de ver onde essa diva é, sim, instável”. O carro da Ferrari foi superior ao da Mercedes o fim de semana inteiro. E interessante ver que para uns, Lewis é apenas “uma diva”, mesmo com tantos títulos quanto Vettel, exaltado por esse motivo no texto, só que bem mais superior em termos de poles e vitórias. Vai entender.

  8. Manfred von Richthofen disse:

    Nenhuma citação a Gasly? Ericsson que sempre é chicoteado por todo mundo também fez uma corridaça, terminou em 9.
    Foi uma ótima corrida.

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