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30 de abril de 2018 - 15:39F1

S18E04 Azerbaijão 3

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SÃO PAULO | Agora, enfim, à corrida. Gostei muito, mesmo, do GP do Azerbaijão. Chegou ali no meio da corrida, quando a coisa estava levemente morna, que torcia para que Hartley fizesse aquele algo que tem sido constante nesta temporada: o fator que muda as corridas. Mas o cara que ajudou a mudar o GP da China foi na sua toada meia-boca até o décimo lugar e viu, como todos, a dupla da Red Bull ser este item — justamente os dois pilotos que se beneficiaram de Hartley em Xangai. Coisas desta temporada louca e ótima, muito melhor do que o esperado.

Mas voltando a Baku: Hamilton teve a sorte que Vettel teve na Austrália. Não andou em nenhum momento para ser vencedor e recebeu a corrida nas mãos quando 1) Vettel arriscou a ultrapassagem sobre Bottas após a saída do safety-car e 2) Bottas teve seu pneu furado. De quebra, tomou a ponta do campeonato. Também gostei muito quando o inglês foi consolar o companheiro finlandês e admitiu que não guiou/tem guiado seu melhor. Nada, no entanto, que se leve a relacionar ao que o falastrão Bernie Ecclestone disse, que Hamilton estava de “saco cheio”.

Também vejo elementos plausíveis para a queixa de Hamilton de que Vettel fez brake-test no primeiro dos SC — o pós-largada. Na mesma pista no ano passado, todo mundo sabe o que deu — e entendo que o alemão tinha, sim, razão. Observem novamente pela onboard de Hamilton como Vettel acelerava e freava, inclusive fazendo com o que o inglês jogasse o carro para a direita e evitasse um acidente. Vettel esperou até o último momento na entrada da reta para pisar de fato no pedal da direita e espremeu todo mundo que vinha atrás.

Bottas. Deu dó, realmente. A foto dele ali quieto na área de escape apertada, se remoendo por dentro e condoído, é daquelas que ficam para contar uma história. O finlandês fez uma corrida ruim na Austrália, pecou por não atacar Vettel no Bahrein, mas andou muitíssimo bem na China e acima da média no Azerbaijão. Deu sorte com o SC das Red Bull, parou e voltou à frente de Vettel, e venceria não fossem os detritos na reta que foram provocados pelo choque que ninguém viu: o de Magnussen com Gasly. Abraçado por Hamilton, e muito provavelmente pela equipe, Valtteri começa a se sentir mais em casa e se livrar da pressão ameaçadora do começo do ano.

Sobre Räikkönen: um sofredor. Sofreu uma pancada do afoito Ocon na curva 3 da primeira volta e caiu lá para último. Foi se recuperando como dava numa situação de corrida extremamente atípica — da qual falarei abaixo. No fim das contas e dos azares, foi outro que sorriu — modo de dizer, porque o camarada nunca corri — com o pódio no colo.

E Pérez, então? Eita que competente e sortudo. Outro que também parou cedo no começo da corrida e parecia fadado a pegar um oitavo ou nono lugar. Daí o pelotão se reagrupou, passou Leclerc, Sainz e Vettel, e lá estava ele comemorando seu oitavo pódio com uma Force India que voltou a se reencontrar na F1.

Vettel, quarto, não tem do que lamentar, realmente. Se reclamamos que Bottas foi passivo demais ao não tentar superar o alemão em Sakhir, Seb partiu para a vitória. Não deu certo, paciência. Duro é ver que a vitória seria sua na volta seguinte. Assim, Vettel acabou perdendo 13 pontos — dos 25 que teria para os 12 que conquistou. São aqueles pontos preciosos que fazem falta na conquista do título. A seu favor, por enquanto, conta o fato de que a Ferrari está ligeiramente melhor que a Mercedes.

Se Hülkenberg falhou miseravelmente, coube a Sainz levar a Renault ao melhor resultado desde sua volta à F1, o quinto lugar. Carlos, aliás, fazia temporada apagada, enquanto o companheiro brilhava até então. Outra das constantes de 2018: as imperfeições e os altos e baixos dos pilotos. Todos eles têm vivido uma montanha-russa de desempenhos e emoções.

Bem-vindo à F1, Leclerc. Este é um que não fazia jus à fama que conquistara principalmente na F2. Tomou de Ericsson nas três primeiras provas; em Baku, jantou o companheiro com a farofa digna da D. Marlene Berton. Se a Sauber mostra sinais claros de evolução, ver que Leclerc foi muito melhor que até a McLaren e chegou a andar na cola da Red Bull é um alento e é digno de aplausos.

Sobre o GP em si: como o Azerbaijão se transformou com a mudança aerodinâmica dos carros, não? Em 2016, a gente se perguntou o que aquele circuito fazia na F1; hoje, a gente pede meia temporada nele. Um fato raríssimo aconteceu: a dificuldade que os pilotos tinham em aquecer os pneus embaralhou demais a cabeça das equipes e as eventuais estratégias. Os pilotos estavam fazendo a volta mais rápida com 30 ou 35 voltas de uso. Analisando isso, a Red Bull tem, sim, culpa pelo que aconteceu entre seus dois pilotos. Vendo que Ricciardo, depois de passar Verstappen, tinha ligeiro melhor desempenho, deveria ter notado que o melhor a ser feito era o inverso do habitual: parar primeiro aquele que vinha atrás, no caso o holandês, para então chamar o que vinha à frente. Com os pneus mais novos, Ricciardo não tinha o aquecimento ideal e perdeu tempo. Deu no que deu. A Red Bull, mágica de táticas, não se tocou de algo que parecia simples de ver.

A mesma coisa aconteceu com Bottas. Se a corrida seguisse seu curso normalmente, era bem provável que o finlandês conseguisse voltar à frente de Hamilton nos pits — seus pneus gastos rendiam muito melhor que os de Lewis, que havia parado muitas voltas antes.

Quatro provas: a primeira ruim, as três outras muito legais. A F1 tem seu 1/5 de campeonato muito acima da média, com as equipes restantes bem mais próximas do que se esperava e as três primeiras ali na frente com seus revezes, mas emboladas. Temo pelo que vem pela frente, Barcelona e Monte Carlo, duas pistas que não são lá pródigas em emoções. Mas se tiver alternância de resultados e fatores mutantes, já está de bom grado. Estamos empolgados. Era isso que queríamos ver.

6 comentários

  1. Manfred disse:

    Esqueci de falar sobre a estratégia errada da Ferrari de novo, esperar várias voltas e colocar MACIO num circuito de baixa degradação e asfalto frio é pedir pra se ferrar. Mesmo se não tivesse o safety car, o Bottas ia colocar o ultramacio e tirar 1,5 segundo por volta do Vettel e passar fácil.

  2. Manfred disse:

    Baku poderia ter sido bem melhor no seu 1º ano, mas os pilotos de trolagem fizeram um acordão pra ninguém ser “muito agressivo”.
    E o piloto q encabeçou esse acordão foi o Jenson Button que ficou com medinho dos muros muito próximos e da retona. Esse foi o principal motivo de eu ter tomado uma enorme antipatia dele, mesmo sabendo q ele é um cara muito gente boa e um ótimo piloto. Se tem uma coisa que não suporto é piloto cagão e medroso
    Depois que ele saiu,os dois últimos anos tem sido uma das ou até a melhor corrida do campeonato. E a corrida em baku em 2016 não fez justiça à pista. Porra, um circuito tão rápido como Monza e ao mesmo tempo tao estreito quanto mônaco, com o muro sempre perto e com bons pontos de ultrapassagens, só poderia render corridas malucas mesmo. Um das poucas bolas dentro do Herman Tilke…

  3. Alexandre disse:

    “Todos eles têm vivido uma montanha-russa de desempenhos e emoções.”

    A parte do desempenho, também se aplica ao Alonso?

  4. Alexandre Soucha disse:

    Caramba, vc escreveu coisa pra CARALHO,esqueceu que muita gente aqui assistiu a corrida?

  5. Miguel disse:

    Além dos 13 pontos que o Vettel deixou de ganhar há os 7 pontos que o Hamilton ganhou a mais, pois teria chegado em segundo, causando um efeito de 20 pontos.

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