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27 de maio de 2018 - 19:08F1

S18E06 Mônaco 2

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SÃO PAULO | Não há muito o que escrever de uma não-corrida. Compreendo perfeitamente que Mônaco é parte inerente da Fórmula 1, que representa toda sua pompa, negócios, festas, champanhe, iate, mansão, 100 mil dólares, mulheres e afins. Compreendo também que não dá para pensar que deixe a categoria. Mas não é aceitável que não se questione e se busque uma alternativa para uma pista que não permite ultrapassagem, disputa e emoção.

Como eu dou de ombros – não vou usar ‘caguei’ porque ‘caguei’ é muito chulo – para toda essa glamourização que envolve o fim de semana do Principado, creio que esta nova direção da categoria tenha de se preocupar em entregar um melhor produto para quem vê. Dias atrás, criaram um tal Fan Voice. Se é para ouvir as vozes dos fãs, ouçam direitinho com o eco devido: Mônaco não presta como corrida de Fórmula 1.

Os seis primeiros no grid terminaram nas seis primeiras posições. Ricciardo teve seus problemas lá com turbo e marcha; Vettel e Hamilton, com pneus; Räikkönen e Bottas, consigo mesmos. Ninguém atacou ninguém. Andaram tão lentos que Ocon chegou colado – aliás, o que foi aquela estendida de tapete para Hamilton na saída do túnel? –, trazendo a tiracolo Gasly, Hülkenberg e um animado Verstappen, que foi o único que ousou tentar ultrapassar – a manobra sobre Sainz foi bela. Chato, chato demais – não vou usar ‘pra porra’ porque a família de bem pode se sentir afrontada.

Única coisa boa é ver Ricciardo ganhando. Ele merece. Ele é o melhor marketing para esta F1 que agora se vende melhor. Pena que não deu para ver na hora, para quem mora no Brasil, o pódio. Aliás, vale um parágrafo também.

Também é compreensível que a situação do país com suas greves, locautes e nocautes seja infinitamente mais importante que uma corrida de carros. Mas esperar 10 minutos até que se passe todas as notícias do que tem acontecido no Brasil sem que necessariamente haja algo urgente — uma coletiva, uma informação exclusiva, uma explosão, um atentado contra o presidente — era perfeitamente possível. Cortar a transmissão abruptamente depois da chegada é amplamente desrespeitoso. Aí chega no jornal da noite que é um show da vida, e o espetáculo da compilação de uma corrida é visto em menos de 1 minuto e meio numa pressa de dar agonia, dado por obrigação e necessidade comercial, com oferecimento de seis patrocinadores que enfiam, juntos, mais de meio bilhão de golpinhos brutos nas contas globais.

Isso acontece também com a Bandeirantes, em ato que é quase tradicional na Indy. Acaba a corrida, corta. Por que diabos – não usarei ‘caralhos’ porque a família brasileira acha um descalabro –, então, compra os direitos de transmissão se trata tão mal o produto?

Voltando à corrida: o que é essa Williams? Primeiro que mataram a corrida de Sirotkin no grid não colocando as rodas nos carros no tempo correto. Porque é muito, muito difícil, uma equipe que troca pneus em menos de 3 segundos colocar pneus no carro 3 minutos antes de o procedimento de largada ter início. Aí os caras pararam umas 17 vezes para trocar de pneus. Sem contar que Stroll, jesus… Lembra quando Alonso falava da Honda ter um ‘GP2 engine’? A Williams se esforça para ser um ‘F2 team’.

Falando em Alonso, nada mais simbólico do que seu carro pifar bem à frente de um carro empurrado pela Honda, no caso a Toro Rosso de Gasly. O espanhol achou a corrida tão pé-no-saco que falou ser “a pior da vida”. E foi ao Twitter falar, horas depois, que ia assistir a uma corrida de verdade, no caso a Indy 500. Ainda que esta não tenha sido lá o que se esperava dela, me parece cada vez mais claro que, se a McLaren for pra Indy mesmo, Alonso vai estar no Speedway em 2019.

De resto, o campeonato é aquilo que se previa ontem: 110 para Hamilton, 96 para Vettel e 72 para Ricciardo. Os três com duas vitórias cada. Próxima etapa, Canadá, onde a Ferrari de supermacios deve ter vantagem, Red Bull não fica tão atrás e Lewis sobressai. A F1 vai voltar a ver uma corrida, assim espero.

Corta.

29 comentários

  1. fabricio disse:

    Mônaco é circuito muito curto, estreito e há quase nenhuma possibilidade de traçado diferenciado. No entanto, tem pistas tão ruins quanto e sem representatividade nenhuma: abu dhabi, austria, barcelona, hungaroring e até silvestone. Essas deveriam estar no topo das corridas a serem eliminadas;

  2. SandroKaram disse:

    Podia só ter copiado e colado o texto de duas semanas atrás.

  3. Cassio disse:

    Mônaco eu não assisto já faz anos, sempre disse que aquilo é um desfile de carros, perai! carros??
    Desculpem, pra mim carro de corrida tem que passar emoção, então não existem mais, carro de corrida tem que gritar e fazer piloto perder peso, doer braço e pescoço.
    Se eu fosse um bibilionário mandava construir uns V8itão sem botão nenhum no volante e botava pra quem quiser correr todos finais de semana, mas…

  4. Cristiano disse:

    Pois é, já que vão gastar uma bala pra estender o território, podiam melhorar esse traçado aí. Aparentemente não tem muito espaço, mas podiam pensar em algo. Tirar aquele calombo da retinha antes da Mirabeau, por exemplo, talvez ajudasse algum piloto a tentar algo diferente. Mudar a chicane depois do túnel, como alguém aí já citou, também. Se em Baku colocam e tiram todo ano asfalto em cima dos paralelepípedos da cidade história, podiam mexer em algo da cidade de Mônaco, como alargar o traçado tirando ou reduzindo umas calçadas, e colocar de volta depois. Ontem só Verstappen deu uma animadinha na corrida, mas nada de mais.

  5. Bruno Brochveld disse:

    Max arrojado??? A verdade altos arrojo no S da piscina….

    Entendo sua reclamaçao… Mas monaco é que nem Indianápolis… Faz parte do esquema 76gp nao e pra qualquer 1…. Vai um dia em Mônaco e mude de ideia amigo…

  6. Amaral disse:

    Quando o Piquet reclamava, era porque era mala sem alça.
    Corrida chata, emoção zero, e corta no final porque a fila anda. Um porre.
    E nem teve uma chuva pra dar um tempero. Mas acho que nem chuva resolvia.
    Mônaco tinha que virar corrida de exibição. Tipo prova extra-campeonato. É um jeito de não tirar a tradição inamovível, e deixar do jeito que ela já é hoje. Uma corrida que não vale nada em nível de competitividade. Podia ser um fim de semana festivo, carros históricos, homenagens, e blá-blá-blá-whiskas-sachê.
    PS: Entendi a referência do “cem mil dólares, mulheres, iate…” he-he-he-heeeeee!!!

  7. Nathan disse:

    Realmente. Corrida chatíssima. Umas duas ultrapassagens do Verstappen para acordarmos e o resto da corrida a velha procissão de carros zzzzzzzzzzz

  8. Glauco Tavares disse:

    Mônaco faz parte da história e da tradição da F1. Melhor não reclamar muito do circuito pois os gênios do Liberty já estão bolando uma corrida em Miami ou Las Vegas. Aí além de corrida monótona teremos o cenário artificial, cafona…
    Quanto a Alonso, que importância tem as declarações de um piloto vulgar e decadente? Um sujeito que sempre procura algo ou alguém para desviar o foco do mal que ele faz por onde passa. Vaza logo vigarista, você não fará falta alguma.

  9. Rafael Prete disse:

    Lá na Austrália sabiamos que a corrida seria um lixo. A procissão ocorreu sem falhas apesar… Do primeiro se arrastar a maior parte da prova(!), o terceiro não ter pneus a maior parte da prova(!!), o quinto ter feito a estratégia correta mas chegar em quinto(!!!).
    Monaco não terá outro traçado – e segue no calendário apenas porque é o quintal mais esnobe da Europa (não muito diferente da imagem que a F1 cultivava até pouquíssimo tempo atrás) – então resta mudar os carros se desejarem realizar uma corrida de fato. Sem oportunidades de ultrapassagem, continuarão narrando um comboio de luxo apenas.
    Sugestão? Pacotes. Já que a F1 não gosta de teto orçamentário e implementa atualizações em TODAS as provas, que tal dividir o calendário em grupos onde, de acordo com as características de cada autódromo, compete-se com um carro de características que permitem uma autêntica disputa? Motor e câmbio seguem intocáveis, mas eficiência das asas, e até ‘ajustes’ em suspensão seriam definidos com objetivo de colocar mais peso na capacidade de pilotar.
    Os carros são excessivamente dependentes da função aerodinâmica… “Roubam” todo ar que encontram pela frente, e quem vier atrás não consegue se aproximar naturalmente porque não encontra ar; ficam sem função. Só quando há muita diferença de performance no motor e pneus compensa-se esta limitação na aproximação…
    Logo: entregue uma configuração aerodinâmica semelhante à Monza em Monaco, Hungria, etc., e permitindo que a aderência mecânica prevaleça é possível sonhar com mais disputas. Em Monza? Faça o inverso; o maior arrasto ajuda quem vem atrás se aproximar sem DRS. Não será loteria, quem é realmente bom, continuará andando na frente, fazendo as curvas mais rápidas, freando depois e tals.
    Sobre pneus… A Pirelli poderia ajudar o esporte colocando borrachas que durem no máximo 2/5 da prova, com opções de performance (pra cada tipo de pneu) equivalentes para quem decidir por uma estratégia mais conservadora ou arriscada; simplesmente deixar o piloto em dúvida se vai guiar um fiapo mais lento pra tentar parar 1 vez a menos e defender a posição na marra ou se já guia no modo kamikaze torcendo pra ainda chegar na frente depois da parada adicional. Inclusive, o objetivo da corrida deveria ser justamente este: trazer automaticamente uma dinâmica que possibilite à estratégias distintas uma chance de vitória equivalente.
    Nota – Aproveitando minha loucura… Que esqueçam um pouco as asas em Monaco. Substitua por parachoques e paralamas robustos porque o traçado é muito estreito, e eu prefiro que encorajem os pilotos a buscarem o limite em outras linhas mas com liberdade de tocar e raspar, sem abandonar a prova.
    Chama o Ross Brown pra uma sabatina no Paddock e a gente entrega um verdadeiro Manual (para boas corridas) pra ele. Garantimos um auê de verdade antes de 2021.
    PS: ah, o Ocon deu uma bela estendida de tapete. Eu não sei o motivo, mas, pra mim, ele parece ter uma mentalidade de não brigar com os grandes (Fer, Mer, RB) pra não comprometer o ritmo de prova dele – então ele viu o Luis no espelho e já abriu pra evitar o problema de ficar guiando na defensiva… Em especial nesta prova onde qualquer escorregada é o fim. Normalmente ele briga quando sabe que tem ritmo pra tanto e/ou entende que é adversário ‘direto’.

  10. CRISTIANO DE ALMEIDA LIMA disse:

    Mônaco foi a pior corrida da temporada até agora e acho difícil de superar. Não vejo a hora de ver Alonso na Indy ganhando uma Indy500. Ele merece mais do que ninguém uma vitória no maior templo da velocidade.

  11. Renato disse:

    Por favor, mantenham Mônaco!!!
    É a única prova que mesmo ruim tem seu charme e glamour.
    Não dá para correr 15etapas em Silverstone e Spa…
    Quanto a transmissão que passe na Globo (de forma comercial) e na SportTV (mais fã Services, com um pacote mais completo). Idem para a dubla Bandeirantes! Band Sport com a Indy.

  12. Marco Antonio da Silva disse:

    Análise perfeita. Estava tão chata que dava para ficar analisando e vendo onde se pode criar pontos de ultrapassagem. Aquela chincane na Sainte Devote tem que sair, pois fica bem mais largo e cria-se um ponto de ultrapassagem. Na saída do túnel, na curva 10, precisa alargar bastante para dois carros poderem disputar a freada. E por último nos esses da piscina, curvas 13 e 14. Alarga a chincane também. Não tem mais razão dessas reduções com carros mais seguros e a velocidade tão baixa do circuito.

    • Jefferson disse:

      Na verdade, deveriam acabar de vez com os esses da piscina e transformar aquele setor numa reta “curva”, como a reta dos boxes, ligando a tabac à rascase (com a devida adaptação, é claro). Provavelmente, isso criaria mais um ponto de ultrapassagem. Também poderiam fazer uma adaptação na última curva, que é muito lenta. Os carros saem dessa curva tão lentos que nem dá tempo do DRS fazer efeito.

  13. Douglas Kaucz disse:

    Meu deus quanta implicância agora até com o GP de Mônaco. Inclusive foi um GP até com mais emoção que outras vezes. Achei uma corrida movimentada, sem tantas ultrapassagens, mas com vários fatores interessantes. E poxa, Mônaco é assim, tem outras 20 pistas aí, e algumas muuuito piores, e nem são de rua.

  14. perna quebrada disse:

    Mônaco é Barcelona ou Hungaroring com uma paisagem legal.
    Se não chover, esquece.
    A corrida poderia ter três voltas que ninguém sentiria falta.

    Quanto ao resto do texto, parabéns.

    • Wolfpack disse:

      Concordo, ô corridinha chata. Barcelona e Budapeste idem. A F1 vive de marketing e ainda tem que aprender muito com a Moto GP de onde tira todas suas “novas” ideais de apresentação, entrevistas, gráficos tipo playstation, etc.

    • Victor (não o Martins) disse:

      Nem adianta chover – quando chover na corrida vão parar, arrumar todos bonitinhos no grid até a água dar uma trégua e vão largar outra vez, lembra? Novas regras para por muito em risco os bonitões dos pilotos.

  15. Leandro disse:

    Poderiam usar parte do traçado do rali de Montercalo, seria viável?

    • Victor (não o Martins) disse:

      O problema é que sai de Monaco propriamente dito. Ai tem toda a questão financeira de investimento e logistica a se resolver com a França, que já vai ter corrida outra vez.

  16. Deives Veneziani disse:

    Na boa, vendo a corrida de Mônaco várias temporadas, era só tirar a chicane depois do túnel e prolongar aquela reta até a curva seguinte. Seria um excelente ponto de ultrapassagem, e o custo seria mínimo perto do orçamento padrão da categoria. Alguns pilotos já arriscaram esse novo traçado, passando reto na chicane.

  17. Roberto disse:

    Com tantos canais exclusivos de esporte é inadmissível ter que aturar esta emissora que só quer manipular a inteligência do brasileiro

  18. Alexandre disse:

    Tem razão, infelizmente. Talvez pegando um trecho de rodovia perto do principado, preservando a área dos barcos, resolveria. Mas provavelmente ficaria maior q a pista de Spa.

  19. Alexandre disse:

    Dizem q a realeza local comprou um terreno de tamanho considerável para ampliar o principado. Talvez o traçado mude com isso. #oremos

    • Victor disse:

      Não deve mudar muito – o novo bairro, que não será lá tão grande, esta sendo construido ali na Portier. No máximo vão dar uma volta no quarteirão pra voltar pro tunel (tem que se mostrar os barquinhos depois da piscina, não é?) e seguir o caminho normal.

      • Tulio disse:

        Qual a chance de ter um circuito com um Y na F1? Haha

        Dá duas alternativas, a que for ligeiramente mais curta volta em condição ligeiramente pior quando juntar os dois trechos de novo.

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