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7 de julho de 2018 - 11:33F1

S18E10 Inglaterra 1

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SÃO PAULO | A classificação do GP da Inglaterra foi inesperada e docemente melhor do que desenhava. Aquele Hamilton mordido e feroz pela derrota da semana passada estava ali, mas junto com ele veio um par de Ferrari igualmente fortes. Vettel mesmo disse após a classificação que não imaginava brigar pela pole depois dos resultados do TL3. Räikkönen saiu descontente com seu desempenho. O alemão tinha 0s058 de frente depois da primeira tentativa no Q3. O inglês foi ao rádio perguntar se havia alguém para lhe fazer vácuo e teve uma resposta negativa. No peito e na pista, adaptando o que diriam para Lédio ouvir, Lewis tirou o doce de Seb. E ambos poderiam ter ficado na mesma chupando o dedo se Kimi não tivesse feito um mau segundo setor na volta final – foi o melhor tanto no S1 quanto no S3.

Considerando que nenhuma evolução gritante foi levada pela Ferrari a Silverstone, essa presença pode ser explicada no combo pneu-temperatura. Note que nenhuma das equipes resolveu adotar a tática vista nas classificações de usar o segundo melhor pneu do fim de semana no Q2 para largar com eles. Neste fim de semana, os pneus macios (amarelos) são os mais rápidos, acompanhados dos médios (brancos) e dos duros (azuis). Para uma estratégia de uma parada, é melhor largar com os compostos mais rápidos e usar, depois de 10  voltas, os duros até o fim da prova — porque, com este calor, pode ser que os médios não aguentem o tranco e requeiram uma segunda parada. A Mercedes, que era adepta daquele estratagema, entendeu que largar com médios e trocar por duros não era a melhor coisa a se fazer. E a Inglaterra vive uma onda de calor daquelas que só veem uma vez por verão. Mais de 50ºC na pista são mais favoráveis à Ferrari do que a Mercedes, que oscila diante de temperaturas muito altas ou muito baixas.

Enquanto isso… alguém viu a Red Bull?

Bem, o Q1 teve os meninos da Williams sofrendo. Não é fácil ser Stroll ou Sirotkin, tadinhos. O primeiro cometeu um erro dos velhos tempos, bloqueando as rodas no mesmo lugar onde Hartley viu a Toro Rosso esfacelar e dar no meio da barreira de pneus; o segundo escapou e rodou logo depois que os boxes foram reabertos, deu pinta de que tinha batido, sujou o carro de areia, voltou aos boxes e ainda teve tempo de dar uma volta rápida, por assim dizer. Lance larga em penúltimo sem tempo; Sergey é o antepenúltimo. Uma lástima. E Vandoorne, então? Esse rapaz tem sido uma decepção. Não acompanha o ritmo de Alonso – hoje tomou longos 0s9 do companheiro – e sempre se vê eliminado junto com as Williams. Não é à toa que em nenhuma situação até agora seu nome é ventilado a permanecer – a McLaren já foi ciscar atrás de Ricciardo, Räikkönen e tem Norris na fila para subir da F2. Stoffel parece não pertencer à ótima geração belga. Sainz ficou devendo e parou no meio do caminho . A Renault, que tanto disse que ia brigar pelo quarto lugar no campeonato com a Haas, experimenta uma queda acentuada em seu trabalho. O motor novo não é bom. O carro não evolui como o esperado.

Hülkenberg, por exemplo, passou ao Q2, mas não figurou nunca entre os dez primeiros. Tirando o trio-de-ferro e a Haas que anda no ritmo de Ricciardo, o alemão não teve equipamento suficiente para ficar à frente de Leclerc e Ocon.

Leclerc.

É o nome da F1 no momento. Anda num ritmo espetacular com um carro é visivelmente pior que o de Renault e Force India. Já põe com constância as duplas de Toro Rosso e McLaren no chinelo. Se a Ferrari não assinar com ele já, qualquer outra equipe deveria considerá-lo para o ano que vem. É da mesma ótima safra de Ocon e Verstappen – este, claro, quando tem a cabeça em dia e a boca fechada.

Ericsson? Ficou no Q2. Atrás da problemática Toro Rosso de Gasly. Ambos logo atrás de Alonso, que não tem muito o que fazer com essa abóbora. Chega a dar pena o que esse menino sofre…

Na parte final, o monopólio da briga Hamilton-Vettel-Räikkönen deixou o resto pra lá. Lewis estava tremendo e visivelmente emocionado assim que desceu do carro. Fazer uma pole em casa, por mais que lhe seja rotineiro, é sempre algo a mais. E é claro que ele se torna o favorito à vitória. O problema é que o domingo vai ser mais quente que o sábado, e se a Mercedes tinha alguma vantagem pela seleção dos pneus mais duros – como se viu na Espanha –, há de se dissipar na corrida. Vettel, obviamente, é seu adversário, e a Ferrari vai ter de fazer muito bem a lição de casa para analisar o momento em que vai parar para trocar os pneus. Pelo desempenho ruim de Bottas, Räikkönen deve ficar ali em terceiro, cozinhando o galo. Pelo desempenho ruim de Ricciardo, Verstappen vem para ser quinto colocado numa prova solitária. As Haas vão ficar ali em sétimo e oitavo com Magnussen e Grosjean. A briga vai ser boa a partir de Leclerc e Grosjean.

Palpite? A liderança do campeonato vai mudar pela quinta vez.

3 comentários

  1. MARCELO JOSE DALBELLES disse:

    No começo da temporada Vandoorne andava perto do Alonso, com a falta de evolução do carro, o belga fica também com o que sobra, atenção total ao espanhol, lembrando Ferrari em 2012,13 o Massa parecia um piloto acabado e quando se separou de Alonso deu pra ver que não era bem assim

  2. Roberto Mota disse:

    Victor, os pneus azuis não seriam de chuva?

    • Caio Chelemberg Russi disse:

      Não, pois este ano foram introduzidos os super duros, que são os de faixa laranja, que era a cor dos duros dos anos anteriores, com isso colocaram uma faixa azul clara nos pneus duros deste ano.

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