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8 de julho de 2018 - 12:35F1

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SÃO PAULO | Temos algumas tantas coisas para falar deste GP da Inglaterra. E não são muito boas, não, apesar daquelas voltas finais que, sim, valeram a corrida toda.

A F1 tem feito reuniões para saber o que quer de si para 2021. Deveria fazer algumas emergenciais para agora. Tanto em Paul Ricard quanto neste domingo em Silverstone está evidente que há duas categorias em uma. A F1 A tem seis carros que, qualquer coisa que aconteça na largada que leve a despencar o pelotão, vão se recuperar com extrema facilidade, de modo que o carro prejudicado vai ser no mínimo sexto. Assim foi com Vettel na semana passada e Hamilton agora. Com um asterisco: depois do incidente com Räikkönen, foram repetidas mensagens do piloto à equipe dizendo que o carro tinha um problema – enquanto jantava com fish & chips dois ou três colegas da F1 B – que tem 12 carros mais as Williams café-com-leite – por volta. O inglês levou miseráveis dez voltas para voltar ao seu grupo.

Beleza, parceiro, a F1 que você quer nunca houve, há de dizer, como já disse um, aqueles puristas que gostam de buscar lá atrás a resposta torta para o que vem pela frente. Meu amigo, não é porque sempre foi assim que a F1 tem de ser assim a vida toda. As coisas e as pessoas evoluem, ainda bem. O futebol não é o mesmo de 10 anos atrás, e nem preciso ir muito longe para explicar táticas ou avaliar tecnologias. Guardiola e VAR estão aí na ativa. Ver uma categoria de esporte a motor com apenas 20 carros em que só seis podem vencer, sendo que vez ou outra dois estão fora porque o motor não acompanha e um nem quase não faz mais questão de vencer, é ridículo, diminuto e patético. É quase uma aceitação do pedido de desculpas que a apresentadora faz antes de entregar seu programa dominical para esta F1. Olha, esse produto é ruim, porém maquiadinho, demora uma horinha e meia, mas logo a gente está de volta para falar do jatinho do coitadinho do herói que não dá a cara a bater porque ela está envolta numa bolha, e no fim parece que faz todo sentido. Porque dá metade da corrida, as câmeras se voltam para a briga de Hülkenberg em sétimo, Ocon em oitavo, Alonso em nono e Magnussen em décimo – isso porque Leclerc deveria estar lá não fosse a Sauber não saber apertar a porca do carro –, e seriam quatro ou cinco equipes brigando pela vitória da F1 B, e, uau, que legal, não é mesmo? É, como disse no Twitter o caro Marcos Martinho, quase um WEC: uma divisão de categorias dentro de um mesmo campeonato.

Mas aí vem um safety-car como paliativo, os ponteiros se juntam novamente, o final é eletrizante, excelente e tudo mais, e passa-se a impressão de que a corrida foi um primor do começo ao fim. Essa entrada do SC lembra o que foram as corridas iniciais do campeonato quando aquele fator extra mudou os rumos e deixou as provas com este mesmo gosto de agora. Foi o duplo problema dos carros da Haas nos boxes da Austrália, o mecânico que Räikkönen atropelou no Bahrein e impediu Vettel de parar nos boxes, o choque das Toro Rosso na China, o acidente das Red Bull no Azerbaijão – a única corrida que pode se gabar de ter sido boa de cabo a rabo no ano.

Um detalhe que ilustra esta situação: mesmo com os safety-cars que juntaram todo mundo no fim da corrida, o ‘vencedor’ da F1 B, Hülkenberg, terminou mais de 28 segundos atrás de Vettel.

Aí você procura entender outros detalhes de como a corrida se desenvolveu. Quando deu o primeiro SC pela pancada de Ericsson, a Ferrari e a Red Bull trataram de ser ágeis – algo que tem sido comum neste ano – e chamaram seus pilotos para trocar os pneus. Vettel, Räikkönen, Verstappen e Ricciardo puseram os pneus macios. A Mercedes não chamou seus pilotos. Haviam moscado de novo? Sim e não. A alegação oficial é de que a equipe não tinha mais pneus macios novos para pôr nos dois carros. Mas se tinha os médios, deveria tê-lo feito em vez de deixar Bottas e Hamilton na disputa capengas neste sentido. Vettel voltou atrás do finlandês e teve de suar muito para conseguir a ultrapassagem, num lindo bote. Bottas, então, começou a perder posições para o companheiro e depois para um animado Räikkönen. Teve de se segurar para não perder também o quarto lugar para Ricciardo. Verstappen, àquela altura, já tinha abandonado. Mas, independente disso, não é estranho que uma corrida tenha sido também afetada pela limitação de jogos de pneus e pelas escolhas que as equipes são obrigadas a fazer para selecionar quantos de cada um que têm de levar para a corrida? Não é estranho também que, em algum momento – não nesta prova em específico – os pilotos tenham de economizar combustível? O cara leigo em casa que não conhece essas tramoias não compreende a situação, embora ela tenha levado a este bom final.

O campeonato está legal entre Hamilton e Vettel, mas a gente sabe bem que só os dois vão brigar pelo título e que cada vez mais o combativo Bottas e o acomodado Räikkönen vão servi-los daqui um tempo – não, não creio de forma alguma que Bottas tenha feito jogo de equipe hoje e muito menos que Räikkönen tenha batido em Hamilton de propósito. Mas se o Liberty Media tirou a F1 das mãos de Ecclestone para ficar pensando em como fazer casinhas unificadas das equipes e tirar as estruturas dos motorhomes do paddock das corridas europeias, que pense, primeiramente, em ter gente em seu quadro minimamente entendida e preocupada com o esporte tem de ser, não como ele parece ou aparece.

Já volto para falar da corrida em si e deste Hamilton que se apequena.

19 comentários

  1. jairo Faria disse:

    Gostei da clareza de raciocínio do Glaucoma Tavares. A F1 faz tempo está nessa sinuca de bico!! Vende um espetáculo que raramente entrega! As corridas consideradas boas esse ano, foram fruto de ” anomalias” e em consequência “pace car”. Quanto ao mau humor do colunista, parece muito com o do dono do site, se você diz algo que eles não concordam… baixam o cassete!!

  2. Jairo Faria disse:

    O copo está meio cheio, ou meio vazio? Temos apenas três (03) equipes em condições reais de vencer? E se Mclaren ressurgir das cinzas? E se a Willians acertar o passo de novo?? Não melhora o espetáculo?? Cinco (05) equipes e dez (10) carros competitivos Ulala!!! Taí, a melhor solução!! Sem casuimos sem fórmulas mágicas!! A F1, só precisa dar jeitos nas duas, outroras. Bicho pavões da categoria!

  3. Charles Câmara disse:

    Victor,
    A notícia do cartel das construtoras de motores para 2021 exceto a Honda, que se avizinha, é a prova da escabrosa situação que está a fórmula 1 , que foi assim durante toda a era Ecclestone e continua na era Liberty (e que já começo a duvidar que ela consiga consertar): as equipes de fábrica grandonas simplesmente mandam nos regulamentos e não admitem concordar em mudar as regras para um motor simples que atraiam mais construtoras, sejam só de motores ou com equipes próprias, o que se espelha na atual bizarra configuração: elas têm seus próprios times, e pelas pequenas não serem capazes de fazer a própria unidade dada a complexidade do regulamento imposto pelas equipes dominantes, e/ou por falta de existirem outras construtoras de motor, seja com equipes próprias ou não, essas grandes acabam tendo que ceder (vender) seus caros e complicados motores às outras equipes do grid, ora, é óbvio que essas estão condenadas a andar atrás das vendedoras. … (A situação da red Bull é uma exceção, tanto que a própria acaba de renunciar ao motor Renault por esta agora ter uma equipe de fábrica). Daí o que se prevê é o que se está vendo: o fim da fórmula 1, uma competição só de 4 carros e às vezes 6, isso sem falar do igualmente bizarro limite de três motores por temporada e de gasolina, que fazem os caras levantarem o pé quando o que nós consumidores de F1 queremos ver é nego andando no limite o tempo todo e indo pra cima sem ter que economizar nada. Aqui jaz: F1.

  4. Lobod3angr@ disse:

    Concordo com o Victor, eu não pude ver a corrida ao vivo, então aguardei para ver o vt, mas estava passando a wec no Canadá, e depois ia passar o GP3 (vitória do Pedro Piquet).
    Então alternei entre F1 e GP3. Vi a largada das duas, e o Pedro (GP3) fez ótima largada e já estava em primeiro, voltei para a F1, largada, Hamilton toma um passão do Vettel, Bottas e Räikkönen, tentando voltar, leva um toque deste último e cai para “último”, sem problemas aparentes no carro, pois foi roda com roda, não precisa ir para os boxes, beleza, prova de recuperação, volto para a GP3, retorno a F1, passaram-se 9 voltas e o Hamilton já está em 9o ou 10o, que que isso? Cadê os outros? Abandonaram? Entraram nos boxes? Desclassificados?
    Tá ruim de assistir.

  5. Amaral disse:

    F-1 de seis carros sempre existiu. Aliás, teve umas épocas que tinha F-1 de dois carros.
    Mas isso realmente incomoda. E, já que a ideia é fazer diferente, que seja diferente. Não só entrevistas espirituosas, o que é legal, mas mais competitividade no real sentido da palavra.
    Claro que é impossível uma categoria em que todos tenham iguais chances de vencer. Nem se fosse chassi igual pra todo mundo. Mas adoraria uma maior competição, um Alonso inspirado (haters piram e têm tremeliques nesse momento, o cara é prima-dona, sistemático, egocêntrico, mas é bota, muito bota, bota pra car…) tendo reais condições de pódio ou vitória, um Hulkemberg tendo condições de espantar a zica de pódios numa grande atuação, com um carro mais equilibrado (sejamos sinceros, zicado ele é, mas que condições ele tem de fazer pódio com esse carro sem ser numa corrida em que meia dúzia da frente bata ou quebre?), enfim, algo diferente do que vimos hoje, em que quatro carros se digladiam, dois atrás botam os bofes pra fora pra chegar perto, o resto, dependendo das circunstâncias, brigam ali entre si, passando e sendo passados, mendigando pontinhos, e a Williams é a atual café com leite.

  6. Igor Dusse disse:

    Realmente. Na história da Formula 1, sempre teve equipes dominantes, etc….

    Entretanto, antes desta nova era turbo, pelo menos todas equipes eram muito competitivas e as corridas eram mais animadas.

  7. Bravo Rezende disse:

    Julgo estranho esse fenômeno atual que permeia esporte e arte onde a grande maioria das pessoas aguarda ver aquilo que julga que seja o melhor e perde o que, de fato, lhes é oferecido como resultado. Esporte a motor tem disso em que o valor humano é agregado ao valor da máquina. Esta é a F1 atual e é assim que ela se apresenta. Se há regras falhas, resultados dúbios e equipes que se impõe sobre outras, há o contraponto desses pilotos que fazem com suas máquinas ultrapassagens incríveis e levam o seu potencial ao limite. Tenho me divertido muitíssimo em algumas corridas e em outras nem tanto. É assim. Curtamos nossos ases nestas máquinas incríveis com ou sem halo. Com pneus multicor e ultra supra macios.

  8. Adriano disse:

    Acho que você não notou que Bottas perdeu a posição pro Hamilton, Haikkonen e só não perdeu pro Ricciardo, porque a diferença de potência entre os motores de ambos (Mercedes x Renault) é muito grande, e que só a diferença do tipo de composto e no desgaste dos pneus emparelharam as coisas.

  9. Bruno disse:

    Muito bom texto, incrível como Hamilton conseguiu escalar o pelotão tão rapidamente.
    Só discordo do “combativo” Bottas, não que ele seja acomodado como Kimi, mas simplesmente sempre decepciona quando se espera mais dele.

  10. Glauco Tavares disse:

    Sinceramente não entendo o porque de tantas reclamações. A corrida foi boa, muito boa (!!!) movimentada do início ao fim, tivemos ultrapassagens, brigas bonitas na pista, variação de táticas…. Etc oque mais faltou? E daí que apenas 6 carros lutam pela vitória? Quando foi diferente?? Esta evolução que tanto pedem seria o que? Chassis iguais? Lastro? Grid invertido? Motores padrão? Porque nas categorias onde todos ou quase todos brigam por vitória as coisas são assim, só que a F1 não é e não pode ser assim simplesmente porque isto descaracterizaria completa

  11. Claudio disse:

    Concordo. É necessário trazer a visão comunista para a F1. Que absurdo é esse, ser tão melhor que o outro? Na Indy agora mesmo, metade das corrida e somente 4 carros na volta do líder, 8 a duas voltas, e 14 a três voltas. Absurdo. Algo deve ser feito a respeito

    • Victor disse:

      VM responde: Absurdo mesmo é comentar sem ter a menor noção do que fazem na Indy ou falar isso de uma corrida em um circuito oval de 17-19s de tempo de volta…

      • Claudio disse:

        Opa sabichão, comente mais sobre as Indy A, B, C e D com carros com aerodinâmica padronizada e sem desenvolvimento de carros

      • Celso disse:

        Na Indy e Nascar é pior ainda, la qualquer peido é bandeira amarela, pura palhaçada, criar artificialmente uma situação de corrida com os carros juntos.
        Podem ver na NASCAR é batata, quando faltam 10 voltas para acabar , tem sempre bandeira amarela, americano gosta disso, r logo vai ser assim na F1, tudo artificial

    • Alexandre disse:

      Q idiota kkkk

  12. bruno martins disse:

    Vitor anda de péssimo humor com o esporte hahahaha… mas é, infelizmente parece que o foco está cada vez mais para o “espetáculo” do que para a competição em si. De qualquer forma, corrida bacana de assistir hoje, aquele final com os quatro carros disputando foi muito bonita, há tempos não via algo assim na F1.

  13. Alexandre disse:

    A única medida imediata q pode ser aplicada, nesse ano, é a adoção de lastro para os 6 melhores do campeonato. O número limitado de pneus pode ser justificada por ter apenas uma fornecedora, a Pirelli pode alegar ñ dá conta de distribuir uma quantidade de pneus maior q o habitual.

  14. clodoaldo lelli disse:

    então semana passada até mercedes falou que se a ferrari trocasse as posições do vettel e o kimi seria uma vergonha uma ofensa ao esporte certo ?
    e agora a troca entre bottas e hamiltom é oque estrategia ?

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