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29 de julho de 2018 - 12:27F1

S18E12 Hungria 1

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SÃO PAULO | Ninguém espera muita coisa da Hungria quando não há chuva ou aquele elemento mutante que tem sido a tônica da temporada. Mas até que a corrida teve lá seus momentos interessantes quando se tornou um jogo de xadrez pelas táticas. No fim das contas, a vitória de Hamilton não esteve nunca ameaçada por três motivos, nesta ordem: a Ferrari, Bottas e o próprio Vettel.

Como na Alemanha, a largada não provocou suspiros porque foi óbvia: Bottas se prostrou como defensor e escudeiro e Räikkönen deixou Vettel passar mesmo este tendo pneus macios, diferente dos demais, com ultras. Hamilton foi livrando distância para o companheiro. Chegou a 8s até que os marionetes-FIN fossem para os boxes nas voltas 15 e 16, Kimi indo antes. Ali, quando puseram os macios, ficava a dúvida: levariam 55 voltas, no calor africano, até o fim?

Assim que teve caminho livre, Vettel foi construindo uma distância que lhe permitisse parar, seja quando fosse, voltar em segundo e tentar a vida e a vitória. A estratégia do Plano C, revelada via rádio pela Ferrari, parecia ser a opção pelos médios. Nisso, Hamilton parou na 26 e teria 44 com os macios. Também não seria das tarefas mais fáceis.

Vettel aguentou até a volta 39. O negócio, então, era calçar os roxos. Mas o cenário todo deveria ter sido analisado, e foi aí que a Ferrari matou a corrida de seu principal piloto.

Porque mesmo com os pneus macios degradados, Vettel vinha andando até melhor que as Mercedes. Só que aí começou a pegar cinco retardatários, e nisso Bottas deu duas voltas rápidas o suficiente para descontar a diferença. Para piorar, o trabalho da Ferrari nos pits foi um cocô mole. O resultado: voltou atrás do finlandês. Que, neste papel de escudeiro, deu o seu melhor e fez Toto Wolff gritar glória, glória, aleluia, com sotaque, na garagem prateada.

Em um primeiro momento, até parecia que Vettel superaria Bottas com facilidade. Depois, começou a ficar pra trás, talvez imaginando que o rival tivesse de parar novamente nos pits. Avisado de que teria de passar na pista, lá foi ele tentar. Mas não era, de fato, um tentar. Havia só uma chance de conseguir a ultrapassagem, que era entrando colado na reta para pegar o vácuo com a asa aberta. Curiosa e estranhamente, por várias vezes Vettel saía do vácuo do carro à frente. E a manobra de superação só veio bem no fim da prova, quando os pneus de Bottas pediam arrego.

Quer dizer: Vettel tem também sua culpa pelo resultado. Foi muito pouco agressivo com uns pneus superiores. E aí não adianta, mesmo instado pela Ferrari, dizer que seria pelo menos 1s mais rápido se não tivesse o obstáculo valtteriano.

A manobra em questão suscitou críticas dos vários lados, já que houve um toque na curva 2 que fez a asa dianteira de Bottas se destruir. Vettel conseguiu a ultrapassagem e fechou bruscamente a linha de dentro. Bottas freou tarde demais. Incidente de corrida, pois. Seb ainda teve sorte de não ter seus pneus destruídos. Valtteri teve azar de ver ali sua chance de pódio ir embora, afinal Räikkönen, ali colado e em tática de duas paradas, já havia o ultrapassado. E depois, ainda, perdeu posição para Ricciardo.

Daniel foi um dos nomes da corrida – só perdeu para o de Valtteri, que foi decisivo para tudo que aconteceu ali na frente. Largou em 13º, mal, perdeu posição, umas três, foi tocado por Ericsson e remou até chegar em quinto. Vinha muito rápido. Pena que não esteve o tempo inteiro ali entre os primeiros. Daí chegou neles – ao menos em Bottas. Tentou ultrapassagem por fora num primeiro momento e foi arremessado para o lado contrário da curva. Um movimento claramente errado de Bottas, que sequer fez a tangência correta. Mas a FIA, ah, este instrumento tosco que rege o automobilismo mundial, resolveu que o caso seria decidido depois da corrida. Os comissários estão lá e, em questão de mísero meio minuto, poderiam dar a punição clara e necessária.

Tanto que a própria Mercedes pediu a Bottas que desse a posição a Ricciardo. Ele até relutou – curiosamente, não bateu o pé na semana passada; a vida tem dessas, filho. Ricciardo ainda se recuperou e passou o finlandês na pista. Um quarto lugar que, diante das amarguras pessoais e da Red Bull, cai como um alento.

E a Red Bull viu novamente um carro quebrar por conta da Renault. Se pudesse, é bem provável que pedisse a mudança para a Honda já. Verstappen saiu cuspindo abelhas e mais palavrões em menor quantidade de tempo assim que viu o problema. Se tinha alguma chance na Hungria de sonhar com algo maior, a equipe viu, na verdade, que a escolha de deixar as unidades francesas para trás é a decisão mais correta possível. Só assim, e com um ajuste ainda maior dos japoneses, Verstappen e Ricciardo poderão realmente sonhar em brigar com os quatro rivais da F1 A.

Gasly fez uma prova sólida e tranquila para chegar a mais um bom resultado, o sexto lugar. E estava esperando uma corrida normal de Hartley para poder analisar. Resultado: vai cair fora loguinho da F1. Fraquinho. OK, bem que tentou a F1, deram-lho a chance, mas não rola. Norris deve vir aí em algum momento – neste ano ainda? A Haas se perdeu na estratégia alheia e só pontuou com Magnussen, enquanto Grosjean – outro que deve seguir o mesmo caminho de Hartley – só reclamou e nada fez além do décimo lugar. Vandoorne, sim, este tem motivos para reclamar: fazia sua melhor prova no ano até ver o carro abrir o bico. Alonso foi oitavo graças à estratégia. Não tivemos rádio dele. Nada além, pois. Sainz, que largou em quinto, terminou em nono. Foi mal. Não pode reclamar também da situação.

A F1 vai para as férias – adoraria fazer o mesmo. Hamilton tem 24 pontos de frente, muito mais do que se imaginava e do que eventualmente o campeonato trouxe até aqui. Sendo melhor que Vettel, este não tem muito o que relaxar. Maranello vai estar agitada em meio a reuniões para entender onde é que eles erraram e o que tem de mudar. As coisas não estão perdidas, mas as duas últimas provas da temporada europeia serão cruciais: ou Seb ganha tanto em Bélgica e Itália, ou Lewis pode ir costurando a quinta estrelinha na alma.

9 comentários

  1. Thiago Azevedo disse:

    Pois é… o Raikkonen estava vindo 1.4 mais rápido quando colou no Vettel. O alemão não estava à vontade com o carro. Acho que foi aquilo que o Burti disse: o carro desequilibrou depois que colocou o pneu chiclete.

  2. Saraiva disse:

    A diferença maior foi ritmo de corrida do Hamilton, pois a vitória se decidiu entre os pit stops do Bottas e Vettel, quando o alemão esteve de cara pro vento durante mais de vinte voltas e não abriu distância que lhe permitisse se afastar de Bottas e se aproximar de Hamilton.
    O ritmo de Lewis estava em outro patamar, isso sem ter sofrido pressão. Claramente ainda tinha cartas na manga.
    Mais uma vez uma grande corrida de Hamilton e performance OK do Vettel.

  3. Eduardo disse:

    Por qual motivo a Ferrari não mandou o Vettel parar para trocar pneu antes de chegar aos retardatários, quando estava 24seg à frente do Bottas pois voltaria na frente dele e a 8 seg do Hamilton, com o Hamilton tendo que encarar os retardatários? Me pareceu burrice.

  4. Paulinho disse:

    Eu acho que o vetel entregou o campeonato, a Mercedes vai vir mais forte depois das férias (atualizações), melhora na potência do motor e aerodinâmica, podem a notar a e.

  5. Paulo Lopes disse:

    Das últimas 5 corridas nessa maratona (França – Hungria), Hamilton ganhou 3 e foi segundo na Inglaterra. Conta-se um abandono para cada um. LEW fez 93 pontos e SEB 68 (diferença de 25 pontos em 5 corridas). Ou seja, Hamilton ganhou 3 corridas e fez mais uma de vantagem no confronto direto, o que praticamente anulou o abandono sofrido na Áustria. Isso é a corrida tática do momento. A Mercedes tem muito trabalho a se feito…Ferrari tem um carro incrível e o campeonato ainda está longe de estar encaminhado…

  6. Hamilton fechou uma excelente 1ª etapa da temporada. Mesmo sem ter o melhor carro de 2018 na maioria das provas, vai pra Spa com uma gordura confortável e vendo Vettel sob pressão. Basta lembrar que no ano passado foi Vettel, com 14 pontos de vantagem, quem entrou de férias em alta. O resultado final todos nós sabemos…

  7. Adriano disse:

    Acho que uma punição de 5s a Vettel e Bottas não seria nada de anormal! Vettel fechou a porta para Bottas que fez a mesma coisa com Ricciardo. A punição seria justa para aquele que fez uma corrida limpa e em alta performance, e que apesar de fazer uma parada a mais, teve que tirar o pé para não passar seu “companheiro de equipe. Kimi Raikkonen merecia mais do que ninguém este 2º lugar.

    • Renato F1 disse:

      Também acho! O Vettel deveria ter sido punido pelo acidente com o Bottas, assim como o Bottas foi punido pelo acidente com o Riccardo. Só que é a Se Ferra-ri (desde o ano passado, já é o quarto acidente, incluindo jogar o carro para cima do adversário no Azerbaijão, que, a meu ver, merecia bandeira preta.). Mas, para sair uma punição à altura da burrada que a Se Ferra-ri fez, só quando acabar a influência dos mafiosos italianos dentro da FIA.

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