Cartas marcadas

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No centro, conversando com Lapthorne e WhitmarshSÃO PAULO | Uma matéria do “The Guardian” de hoje pode dar início a um enredo para mais uma das novelas da F1, com traços de mistério provavelmente inéditos. Envolve o acordo entre a Manor e a Virgin. Algo podre.

A Virgin, empresa de Richard Branson que entrou na F1 neste ano e quase foi dona do espólio da Honda, tem praticamente um contrato de patrocínio fechado com a nova equipe inglesa da categoria para 2010. Só que as tratativas, o avanço — e a provável conclusão — deste vínculo foram feitos no mais tardar até 29 de maio, 14 dias antes de a FIA anunciar que a Manor estava escolhida junto com USF1 e Campos Meta para entrar na F1.

Manor, lembre-se, sequer aparecia na lista pública das pré-inscritas.

O lugar cativo da Manor se depreende através de um e-mail de Alan Donnelly, que vem a ser representante oficial de Max Mosley e dono de uma empresa de consultoria, a Sovereign Strategy. É de conhecimento de alguns na F1 que a SS já prestou serviços de relações públicas à Manor — via Jane Nottage, sócia de Donnelly. No dia 29 de maio, Donnelly mandou a correspondência eletrônica a um membro da realeza da Arábia Saudita contendo um arquivo anexo de apresentação para um acordo de investimento e de patrocínio.

No corpo do e-mail, Donnelly explicou ao destinatário que a Virgin tinha ligação firmada com a Manor, tendo até 20% da equipe. O braço de Mosley contou que viajaria no dia seguinte, sábado, para a Arábia e que encontraria o tal membro da realeza às 15h do domingo, 31 de maio. Participariam do encontro, também, representantes da Manor e da Virgin.

Oficialmente, Donnelly diz ter viajado à Arábia para se encontrar com o ministro do Esporte local, além de investidores em novos circuitos e na F1. E que não participou em nenhum momento do processo de seleção das três novas equipes.

A Prodrive já começou a reclamar, meio que indignada em ter reconstituído um projeto sério e gente de currículo notável para que tudo eventualmente estivesse armado. Ao lado da USF1, o grupo de David Richards era dado como certo como aprovado para o ano que vem — só uma eventual vingança, descabida, da FIA em relação a 2007, quando a Prodrive desistiu, eliminaria o time. Não à toa foi uma surpresa ver o nome da Manor.

Se acenderem o pavio dessa história, a Fota vai começar a pedir que se abra a caixa preta da FIA. A coisa vai feder. Taí o mote para uma nova briga. 

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21 Comentários

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  • Èu agredito em JUSTIÇA DIVINA 100% e tenho a disconfiança que Max se beneficiou MUITO de ser Presidente…favorecendo e prejudigando empresas….ganhando COMISSÕES…A VERDADE VAI APARECER …SEMPRE APARECE…
    Lionel

  • Já faz tempo que o blog esta bombando enquanto o outro só sobrevivi falando de politica e pretenças piadas bobas ,fora agredir quem tem coragem de opinar o contrario,abaixo fg

  • Me parece que até mesmo o silêncio em torno do futuro da Brawn tem haver com esta história… Se esta tal de Manor correr no próximo ano, podem esperar Ross Brawn e companhia, afinal a Virgin está envolvida.

  • Falta de ética, tráfico de influência, etc… devem chiar mesmo. Só acho que o David Richards tem que fica fora, é muito fresquinho e quer entrar com a faca e o bolo na mão, é um que por qualquer coisinha deixaria a F-1.

  • Sabia que tinha alguma coisa de estranha na Manor, como uma das escolhidas nem aparecia na lista de candidatas? Minhas duvidas quanto a ligação de Max Chicotinho já começaram com o envolvimento de Nick Wirth no projeto do carro.

  • Po, tava na cara que essa “DiMenor” era treta… até a minha GWS aparecia nas inscrições públicas, enquanto esse nem sequer dava cheiro.

    Agora, sério: mó saca deixar a Prodrive de fora. o que esse Richards tem de vontade de levar o time à F1 não é brincadeira

  • pois é

    agora vc não pode mais dizer que tá um tédio

    aguarde que Alonsito não irá aguentar dividir os holofotes e deve soltar um “adoro vermelho” no começo da semana

    hahaha

  • Realmente o bicho vai pegar. E a história da vingançinha que tanto se falou antes das equipes terem sido escolhidas, pode ser que venha a ter contornos maiores. E lá vamos nós novamente para a briguinha política da FIA x Fota. Aguardemos.

  • Mas não é de hoje que a politicagem impera na FIA. Realmente esperava que a escolhida fosse a Prodrive, nunca essa Manor. Pode ter certeza que se não feder agora, um dia vai. Se possível dê uma passadinha no meu blog. Abraços!

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O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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