Bafanadas, 17

B

SÃO PAULO | Nem é preciso esperar o fim do jogo da França. Acabou de ser expulso Gourcouff, por um lance que, vá lá, é discutível, aquele cotovelo na cara do sul-africano. Mas la ines c’est morte, diria o poeta. A França já toma de 1 a 0, com um a menos. Deprimente. Desolador.

No começo da Copa, escrevi aqui que os deuses do futebol fariam com que os franceses tivessem um desempenho semelhante ao de 2002, sem marcar gols. Até agora, de fato, não comemoraram um sequer. Mais do que isso, a França escancarou as chagas de um time sem técnico, sem técnica, sem liga e sem alma. Das Copas que vi, é a situação mais grotesca de um grupo incluso dentre os favoritos, muito maior que qualquer mimimi e oba-oba que vimos da gloriosa seleção brasileira em 2006 (tempo: a França acaba de tomar o segundo; capaz de sair goleada e humilhada, com seus jogadores estapeados em bifas). Um comandante sem apoio e que fez o L’Équipe sair com uma manchete histórica, o “vai tomar no cu, filho da puta” que Anelka mandou a Domenech e que lhe mandou de volta pra casa. Jogadores que se unem para tirar um ou outro. Discussões que geram demissões de gente da federação local. Atos que revelam o significado real de uma crise.

Domenech leu carta dos comandados à imprensa e entrou em campo hoje, posicionando-se no lugar da bola no pontapé inicial, olhando para o horizonte, olhando para o nada, consciente de que estava no centro do mundo e que as câmeras o flagravam, dando tchauzinho pra si mesmo. Domenech se despediu de si porque provavelmente se despediu do esporte. Antes do jogo, Domenech despediu a França da Copa, Copa em que entrou sabendo da qual sairia despedido.

A França virou um resto diante do mundo, e muitos, como eu, acham que isso é consequência de um ato manual de sete meses atrás. O que a França é hoje aponta, acima de tudo, que não se deve brincar com irlandês nenhum. O St. Patrick deles é mais forte do que qualquer outro santo católico.

Sobre o Autor

5 Comentários

  • Em um momento bem Glavão Bueno:

    Em 1994, França eliminada na 1ª fase – Brasil campeão.
    Em 1998, perdemos para os franceses na final.
    Em 2002, novo vexame francês – Voltamos com o penta.
    Em 2006, fomos novamente eliminados pelos franceses, desta vez, nas quartas.
    Este ano, a França protagoniza mais uma cena trágica. – O caminho do hexa já está aberto!

    Hehehe!

    • 94 AONDE? Levaram chumbo da Bulgária ainda nas Eliminatórias, em casa, jogando pelo empate.

      Mas perderam DE VIRADA por 2-1. E aos 48 do segundo tempo…

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O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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