Canário belga, 2

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SÃO PAULO | Um líder de campeonato — quem sabe provável campeão — também precisa da sorte. A pole hoje era ou de Button ou de, muito mais provavelmente, Hamilton. Tanto é que, no fim, quando a chuva voltava à cena, os dois ingleses pularam lá para a parte de cima da folha de tempos, com Lewis terminando só 85 milésimos atrás do australiano, ainda por conta de um erro na La Source. O que Webber teve de mérito foi ser um dos primeiros a conseguir andar no Q3, ter pista limpa e fazer a volta que julgou ser perfeita para a ocasião.

E foram várias ocasiões proporcionadas por Spa avec Francorchamps, ora repleta de nuvens carregadas, ora com sol a pino num céu ciano que Felipe Paranhos simplesmente ama. E que engana quando se pensa que não é capaz de receber aquelas nuvens de volta. Porque no começo a chuva pegou todo mundo de jeito, Trulli, Di Grassi, Sutil e alguns outros — Petrov, não; aliás, na Renault devem ter rasgado qualquer papel que mencionasse uma possível renovação de contrato. Aí parou, aí todo mundo correu para os pits para colocar pneus intermediários, aí a pista secou rápido. Tanto que o Q2 já deu chance de todo mundo voltar aos slicks.

Ali Hamilton mostrou que a McLaren vinha bem, andando na casa de 1:46 baixo, tendo por perto o companheiro Button. A Red Bull quase tomou um segundo, com Vettel e Webber na casa de 1:47.2. E não podia se atribuir a diferença a uma eventual pista úmida, não. Mas foi a tal pista úmida que derrubou os prateados. A volta das nuvens pegou Hamilton e Button de jeito no Q3. Logo Webber cravou seu 1:45.778 e aplaudiu a volta dos pingos.

Os pingos também atrapalharam a vida de Alonso. Aliás, a Ferrari é pródiga em se atrapalhar quando as condições climáticas mudam. É que um décimo lugar no grid não deve ser tão fatal para o espanhol, até porque o jogo do tempo vai atuar à beça durante a corrida. Massa deu-se bem, ficou em quinto, mas as duas escapadas que deu durante o treino de hoje já dão o tom do que pode acontecer a ele.

Massa e Webber são os dois pilotos mais frágeis do grid em chuva. Apostar no australiano para a vitória é arriscado, apesar de sua sorte. Em um cenário igual ao de hoje, repito, são Hamilton e Alonso quem devem se destacar, com Button naquela tocada fina e classuda. Deve ser a chance que os demais têm para descontarem ou até passarem Webber na classificação do campeonato. E tem Kubica naquela que pode ser sua maior oportunidade de conquistar uma vitória na condição ‘livre’ que tem, sem carregar a pressão de lutar pelo título e ter uma preocupação extra.

Jogaria as fichas em Hamilton, Kubica e Alonso, nesta ordem. A prova promete. Spa-Francorchamps poderia receber um campeonato inteiro da F1, como bem se viu hoje.

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11 Comentários

  • Tem gente que faz questao de mostrar quando discorda de alguem, como se a sua opinião é que fosse a correta.
    Opiniões são como nádegas, cada um tem as suas.

  • Com chuva ou sem chuva, pelo q fez no treino hoje, fico com o Hamilton como o favorito para a prova de amanha. Em tempo. as melhores provas pra mim são Spa, pq tudo pode acontecer e mudar em segundos, Monaco pelo charme e glamour, e o Brasil pela pela cobertura da midia .

  • Só chamo atenção para o fato de Barrichello estar largando com pneus duros, como na Hungria. Naquela ocasião, um safety car precoce arruinou sua estratégia, colocando-o em desvantagem em relação a todos, já que não podia parar para colocar macios ali e teve de fazê-lo em bandeira verde, eventos que culminaram na ultrapassagem sobre Schumacher.

    A chance disso funcionar é menor ainda amanhã. Perspectiva de safety car é grande, dadas as condições climáticas, as características da pista e o fato de termos carros de GP2 largando em meio a carros de F1, grid meio caótico ali atrás provocado pelas punições e classificação feita no seco/molhado. Pior ainda, uma simples chuvinha que exija troca de pneus já anula qualquer benefício desa estratégia.

    O cenário para isso funcionar: nada de chuva e nada de carros usando a traseira de Lotus/Hispania/Virgin como rampa de decolagem. Barrichello pode ficar um longo período na pista com pneus duros, parar próximo ao fim e voltar com pneus macios e muito mais rápido que seus adversários, valendo-se de uma pista generosa em possibilidade de ultrapassagens. Um golpe de sorte. De repente voltar entre os cinco, quem sabe um pódio? Seria legal, vou torcer para isso no GP 300.

    Favorito para mim amanhã é o Cacildes, no seco, molhado, com óleo etc.

  • Discordo de alguns pontos de seu comentário, nobilíssimo Victor Martins.

    Não acho o Webber assim tão frágil em pista molhada. Ele já fez corridas muito boas em chuva, com a própria Red Bull, como o gp do Japão de 2007, por exemplo. Só que ele é meio de lua. Às vezes manda muito bem, às vezes erra feio. Veremos se a constância dele também vai se reverter em uma boa apresentação amanhã, caso chova.

    Já o Alonso, para mim, é superestimado em pista molhada. Não que ele seja ruim, longe disso. Tem qualidades, mas também já fez muita cagada com chuva e anda num nível menor que Hamilton, Vettel e até Button, quando chove.

    • Lembra da Primeira vitoria do Vettel, foi sob forte chuva!!!
      Ele ja mostrou que é muito bom nisso, eu aposto em Hamilton ou Vettel !
      Pena que moro um pouco longe, se nao estaria la amanha com certeza!!!!!!!!!!!!!!

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O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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