O fim do primo

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SÃO PAULO | E lá foi a Sauber chutar os fundilhos do primo De la Rosa en la callada de la noche para promover a volta de Heidfeld à F1. Heidfeld, 33, começou o ano como piloto reserva da Mercedes em um carro meio rainha da Inglaterra, depois foi chamado para ser o testador da Pirelli com o carro da Toyota de 2009 e agora ganha uma sobrevida de cinco provas.

Primeiro sobre o que entra: Heidfeld nunca foi lá também uma excelência em pilotagem. Ficou anos na categoria, em equipes medianas e até que se aproximavam da vitória, mas nunca conquistou uma. É o piloto fora de atividade que mais tem condições de andar no ritmo dos demais do grid nesta F1 que poda treinos. Vai demorar umas duas ou três provas para se reambientar ao carro da antiga BMW — onde disputou a temporada do ano passado — e só no Brasil e Abu Dhabi é vai se ver algo dele.

De la Rosa sai da F1 porque Peter Sauber viu nele um competidor tão enferrujado quanto Schumacher está para a Mercedes pelos anos que ambos ficaram afastados das competições. Aos 39, Pedro Martínez deve promover a troca simples das cadeiras e ocupar o posto de Nick na Pirelli — é, ao menos, a coisa mais sensata no momento. A verdade é que o tempo de DLR acabou na F1. Grande pessoa, foi devorado pela jovialidade e pelo sistema imposto pela categoria que previne gente parada há muito tempo de voltar à velha forma. Nunca foi também um primor. Só merecia uma despedida mais digna.

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5 Comentários

  • Ele teve mais do que dez provas pra mostrar que tinha capacidade de ser veloz. Se até um heptacampeão está sendo posto em dúvida, imagina o tamanho da decepção do Peter Sauber, que tem olho bom pra piloto…

    E sobre o que o Conrado disse logo acima (até o momento em que comentei), concordo que Heidfeld sempre foi “injustiçado”, mas resultado que é bom, ele nunca trazia. Então, na boa, não dá pra ser vendido como campeão. Nem Mark Webber, a propósito.

    • Só em uma comparação direta com Kubica, nos 3 anos em que disputaram juntos, Heidfeld não só marcou mais pontos, como completou mais corridas e chegou mais vezes no pódio. A única infelicidade foi ter visto Kubica ganhar a única corrida da BMW – mesmo ele chegando em segundo. Fora isso, resultado que é bom, ele sempre demonstrou. Faltou carro pra ele.

      O nível de Heidfeld é(era) pra ser comparado com o de Kubica e não com o de Pedro De La Rosa. Só isso que quis salientar, antes. Se dá pra vender Kubica como campeão, Heidfeld tambem dá.

  • Numa boa, botar De La Rosa e Heidfeld no mesmo saco, é desconhecimento total da carreira dos dois. É comentário de quem nunca parou pra assistir corridas assistindo o desepenho de cada um desses dois. Com todo respeito possível. Pois simplesmente não dá pra comparar o espanhol com o alemão.

    Nick Heidfeld é de longe um dos pilotos mais subestimados e injustiçados que já vi na F1. Extremamente regular, frio, competitivo, rápido e cerebral. É um daqueles baita pilotos que não teve carro a altura. Foi infeliz em certos momentos da carreira mas sempre se impôs em relação aos seus companheiros de equipe; sempre foi piloto de resultados. Até Kubica sucumbiu com Heidfeld do lado… em 2 de 3 anos juntos. 2 vezes! Passeou pra cima de Webber, foi de igual pra igual com Raikkonen na Sauber,… eu sinceramente nunca consegui entender a cobrança e o mal olhar pra cima dele.

    Heidfeld tem uma série de ultrapassagens das mais bonitas na história da F1 moderna. Inclusive em cima de Alonso em 2007, no Bahrein, por fora que não esqueço jamais. Quem viu, sabe. Esse alemão é um excelente piloto. Na minha humilde opinião, melhor que Rubens Barrichello, melhor que Mark Webber e melhor que Jenson Button. Acho uma pena ver ele e o Kimi Raikkonen de fora desse grid atual.

    De La Rosa é quem mesmo? Nunca fez nada. Ele é uma espécie de Luca Badoer espanhol. Não é pra tanto… mas não vai muito longe não…

    Abraços

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O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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