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26 de março de 2011 - 16:22F1

Austral, 5

SÃO PAULO | Dois dias de treinos já deixaram bem claro que nenhuma equipe tem carro para fazer frente à Red Bull — mais especificamente, ao de Sebastian Vettel. Só uma hecatombe, como asas-barreiras ou um anti-Kers, seriam capazes de tirar a vitória do alemão na corrida que tem início às 3h (de Brasília), depois do que fez no treino classificatório deste sábado (26) na Austrália. E como o RB7 tem sido avassalador em seu domínio, o que o paddock da F1 começa a especular é o que os taurinos têm de tão diferente em relação aos demais.

Duas vertentes começam a ter uma base, que envolvem exatamente asas e o Kers. A primeira não é recente e já causou certo alvoroço no ano passado: apesar de todos os testes que a FIA conduz para que não haja mobilidade da asa dianteira, a peça da Red Bull é ‘leve’, principalmente em curvas de alta velocidade. A segunda seria uma sacada de gênio do projetista Adrian Newey: um dispositivo que acumula energia só para largadas.

Como explicou o engenheiro Ricardo Divila no especial apresentado pelo Grande Prêmio na última quarta-feira, “há uma regulamentação mais rígida do separador de ar (splitter) dianteiro inferior para evitar que o carro possa andar mais baixo. Isso é testado com pesos regulamentares, não permitindo uma variação de mais de 5 mm quando uma forca vertical de 200 kg for aplicada verticalmente em três pontos do separador — no centro, a 380 mm atrás do centro da roda dianteira e em dois pontos a 100 mm de cada lado”. Numa linguagem mais coloquial e menos técnica, não deve vergar e pronto.

Mas algumas fotos já mostram que, como aconteceu no GP da Hungria do ano passado, a parte frontal da Red Bull apresenta uma leve flexão. Considerando o suporte da asa dianteira, a parte da frente inclina e chega bem próxima ao chão. Quanto mais perto do solo, maior a vantagem aerodinâmica.

A outra suspeita, não confirmada pela Red Bull, está no Kers, que nada mais é que um acumulador de energia recuperado dos freios, no qual normalmente seria dissipado em calor, que pode ser reutilizado na fase de aceleração. Para Divila, a peça tem seu lado ruim, mas é imprescindível. “Todo esse sistema tem sua penalidade no peso adicional (entre 20 e 30 kg), problema resolvido pelo aumento do peso mínimo de 620 para 640 kg, mas os dois outros problemas, o de aumentar a altura do centro de gravidade e a redução do lastro utilizado anteriormente para equilibrar o centro de gravidade no sentido longitudinal pelo jeito ainda não foram bem resolvido pelas equipes”, declarou. “O Kers não é obrigatório, mas poucas equipes vão abrir mão da vantagem de aceleração nas largadas da corrida.”

Foi aí que Newey redescobriu a pólvora, criando um Kers ‘light’. Durante a transmissão do treino classificatório em Melbourne, ficou evidente que Vettel não apertou o botão referente ao sistema nem teve seu uso identificado pela arte gráfica que a FOM disponibiliza. Segundo o jornalista inglês James Allen, esse Kers de menor peso foi desenhado para funcionar apenas na largada para proporcionar aos seus carros a vantagem de 7 metros que os 80 cv a mais da energia acumulada dão. Assim, o que o RB7 leva em suas entranhas é uma bateria mínima, que será carregada na volta de apresentação antes da largada.

Vettel foi 0s7 mais rápido que a McLaren de Lewis Hamilton e 1s4 melhor que a Ferrari de Fernando Alonso. Acertar a largada, portanto, é meio caminho andado para que o alemão inicie a busca pelo bicampeonato do mesmo jeito que terminou 2010. É só apertar um botão e depois esquecer que existe. O resto, o filho concebido por Newey vai fazer por Sebastian.

11 comentários

  1. Raphael F1 disse:

    Victor,

    achei uma foto que compra sua suspeita:

    http://www.flickr.com/photos/[email protected]/5562625241/#/

    Veja a diferença entre os aerofólios da Mclaren e Red Bull.

  2. Mattos disse:

    Essas hipóteses precisam ser melhor explicadas. Se eu tenho um KERS que se carrega em uma volta de instalação, ele pode ser usado sempre! A cada volta, ele se carrega de novo. Porque o cara não pode mais usar? Ele pode até ter baterias menores e não ter toda a carga do sistema normal, mas alguma carga ele teria pra usar depois.

  3. André disse:

    Brilhante esta concepção do Newey. Agora resta saber o quão rápido as concorrentes conseguirão copiar isso. Provavelmente na entrada da intertemporada europeia.
    André / Piloto no http://www.f1bc.com

  4. Raphael F1 disse:

    Victor,

    a asa da RBR nao está flexionada. Se vc reparar o carro está fazendo uma curva e em função disso uma das pontas da asa se aproxima. Se pegar a foto completa, a outra ponta está mais longe do chão. Então a suspeita é invalida.

  5. Andre Miranda disse:

    Esse negocio das outras equipes reclamarem da asa da Red Bull, nao passa de atestar a propria incompetencia, se a FIA passou pente fino uma vez e nao achou nada porque ficam reclamando? Querem ganhar no tapetao os idiotas.

  6. Ricardo Oliveira disse:

    Martins, uma colocação sobre como o KERS é maléfico.

    A ideia por usar o kers para ser algo ecológico e tal é válida, más durante uma aula agente questionou o uso de energia solar em residência. O principio é o mesmo só que transforma o sol em energia elétrica e é armazenado em bancos de bateria.
    Aí é que vem o problema.
    Baterias são feitas de materiais altamente tóxicos e corrosivos, não existe hoje bateria que seja feita com algo que não polua o meio ambiente depois que seu tempo de vida útil foi pro espaço. Por isso hoje todas as casas não possuem energia solar, já pensou, o quanto de bateria teria que ser descartada??

    Eu penso assim, e chego a conclusão que o KERS é realmente uma besteira. Ninguém olha o outro lado da moeda. Pergunte pro Bernie para aonde vão essas baterias, ou do que elas são feitas.

    Enfim besteira total. Comentário longo, más até hoje percebi que ninguém havia tocado nesse ponto, acho que vale a refexão.

    Abraço

  7. Junior disse:

    Me desculpe a ignorância, mas se for assim, porque a bateria não foi carregada na volta de aquecimento e utilizado na volta lançada da classificação?

    Uma justificativa melhor, seria colocar a bateria já carregada, e sem o sistema para recarregamento. O peso seria muito menor, e dai sim poderia ser usada somente uma vez. Mas acho que as regras não permitem essa situação.

    Vamos descobrir hoje se o KERS da Red Bull será usado somente na largada ou não.

  8. Otávio Augusto disse:

    Nossa!
    Na linguagem virtual atual eu diria que Adrian Newey ownou o regulamento de forma brilhante.
    E não creio que será fácil para as equipes imitarem, já que fazer um novo Kers, menor e mais leve, acarretaria rever toda distribuição de peso e não sei se eles resolveriam isso rapidamente.
    Mas grande sacada da RedBull, se eu fosse estudante de engenharia mecânica ficaria atento ao que Newey faz, ele é uma herança deixada após Colin Chapman e cia.

  9. Sanzio disse:

    KERS light? Que sapequinhas…

  10. Celso disse:

    Putz… genial!! se for isso mesmo…
    Lá vão todas as demais equipes (com dinheiro sobrando) correr atrás desta solução…
    E o pior.. acho que não fará a mínima diferença…
    RedBull te dá asas, amigo… hehe

    Abraço!

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