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6 de maio de 2011 - 11:57F1

Constantinopla

SÃO PAULO | Os dois treinos de hoje na Turquia me fizeram ter a sensação — para usar um termo que Felipe Paranhos adora, principalmente quando um jornalista pergunta a um atleta, “qual a sensação da vitória”, “perdeu o pênalti deu que sensação”, “a sensação de largar na pole é boa” — de que 2011 é um divisor de águas na F1. Nos últimos 15 anos, pelo menos, quase 20, a maioria das gentes que assiste e venera a categoria sempre torceu por chuva para que as corridas tivessem mais movimentação e trouxessem resultados menos previsíveis. Mas com estes pneus da Pirelli que dissolvem como sabão em pó na roupa da dona de casa, parece que é mais interessante ver as alternâncias de posições em pista seca com os dois tipos de compostos, vide as etapas, principalmente, da Malásia e da China.

A chuva seria menos ‘fake’, hão de dizer, todos estariam em condições iguais. Não é tão verdade, assim. Há a variação entre intermediários ou ‘wets’, que se torna tão estratégico quanto apostar no macio ou duro. Na chuva, há de prevalecer o piloto sobre a máquina e o controle que tem no piso molhado. Vettel não o teve hoje, o que não significa que seja bração, muito pelo contrário. Mas o que quero dizer é que a chuva deixou de ser uma ambição porque as corridas em condições normais têm suprido sua ausência.  

Uns institutos ainda falam que pode chover na Turquia, então o primeiro treino pode servir para algo. Do contrário, põe só no anal da história que Alonso foi 2 segundos mais rápido que Rosberg. O segundo, sim, pista seca, asfalto anti-Anhembi, Button na frente e Alonso com uma pá de problemas hidráulicos. E Fernandito vem falar em passo à frente, tsc, tsc… Passo à frente, mesmo, deu a Mercedes, com Rosberg sempre pondo tempo em Schumacher. Não deve ser fácil ser Schumacher pós-Schumacher. Webber ficou em quinto e Vettel mal treinou pela batida no TL1, o que deve dificultar sua vida na luta pela manutenção na invencibilidade no ano em  poles. Aí chega amanhã, e Seb crava todo mundo. E é isso que vai acontecer, é o que diz Mãe Jatira.

Em que condições forem, Istambul/Kurtkoy deve receber (pela última vez?) uma corrida de alto nível. Se este é o melhor circuito desenhado por Tilke, e as corridas anteriores em suas pistas foram pra lá de boas, não há como pensar diferente.

Sauber e Force India vêm escalando o pelotão e já começam a encostar na Lotus Renault, que quer brigar com a Ferrari. Não que vá haver uma briga entre as quatro, mas isso demonstra como a casa de Maranello também tem lá suas coisas a arrumar. Toro Rosso continua um degrauzinho atrás e a Williams, coitada, tá perdida. Barrichello já tem entregado as fichas e já admitiu em entrevista à Folha que pode deixar a equipe de Grove, depois de falar que tudo precisa ser mudado lá dentro. Rubens tem seus altos e baixos na carreira, falou muita coisa errada e teve atitudes intempestivas e inexplicáveis, como todo mundo tem, ressalte-se, mas não se pode questionar seu valor como piloto. Passar 15 ou 16 corridas de martírio numa casa como a da dona Kimiko, Ke-Miko, sei lá o nome daquela japa que participou do programa do Hulk, é tudo menos o que RB precisava nesta fase da carreira e da vida.

Talvez seja melhor sair que Barrichello saia, mesmo. Porque a casa da dona Kimiko, a gente nota, é muito difícil de pôr em ordem.

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10 comentários

  1. Regis disse:

    RúBEEEEEEEEEEEEEEEEENHO foi na prova de Indy na casa de Kassapa & Saádico pra distribuir currículos, por que do jeito que a coisa tá, ano q vem tá difícil hein?

    E aos torcedores brasileiros, preparem-se para uma F1 SEM PILOTOS BRASILEIROS para futuro próximo. A mola na cabeça do Massa destruiu o sexto sentido de pilotagem do língua plesa, neurologicamente falando, a concussão matou os neurônios da velocidade. E nessa toada, até o baixinho vai se convencer de que a brincadeira acabou.

  2. Lucas disse:

    Gostei do ser Schumacher pós-Schumacher. Provavelmente, no futuro, vamos acabar fazendo uma enorme distinção entre o Gênio e Benneton e Ferrari e o piloto meia boca da Mercedes.

  3. Andre Miranda disse:

    Sei que o pessoal não bota muita fé mas… pra mim o Nico é tão bom ou melhor que outros pilotos de ponta, seja Schumacher ou Hamilton… dá um carro bom pro moleque pra vcs verem…

  4. Trasher disse:

    Apesar de todos os contras, Barrichello foi o único Brasileiro competitivo que acompanhei esteve na F1, desde que comecei a assitir. Então sempre comove muito quando ele tem chances de disputar boas posições. Mas realmente fico pensando se não é melhor ele sair fora, ir pra Indy onde a diferença entre equipes é tão brutal. E que pode realmente disputar um título, disputar vitórias. Pq a F1 infelizmente não é mais a mesma, tirando aquela vitória do Vettel com a STR sob chuva, quantas vezes vemos equipes q não são as mais ricas, fazendo pódiums e vitórias???
    sei lá, mas é meio chato ficar perdendendo tanto tempo com corridas onde sabemos que a vitória será disputado mesmo somente por 2 ou 3 pilotos…

  5. Danilo Candido disse:

    Rubens pós-Williams:

    a) Force India (sei lá pq mas penso na ida dele para lá)
    b) Formula Indy (no lugar de Hélio “bola-de-boliche” Castroneves ???)
    c) Stock (improvável, Rubens não é louco nem burro)
    d) Aposentadoria (mais improvável ainda, nem que vá correr de mulas trípedes em Santiago de Compostela. Ou de Stock…)
    e) NDA

    Eu vou de alternativa b)…

    • Anderson disse:

      Engraçado como aqui no Brasil o Hélio é visto de maneira completamente diferente do que é nos EUA. Como se 3 Indy 500 não valessem nada! E a última nem tem tanto tempo assim.

      Não entendo a mania dos brasileiros de desvalorizar os seus pilotos.

  6. roger v disse:

    Rubens tem no mínimo mais dois anos na categoria!
    E a Pirelli por exemplo teria o melhor piloto DISPARADO para fazer um belo trabalho!!!!
    -Este cara simplesmente vai fazer o que muitos ‘manicacas’ doidos por carro sempre sonhou!

    Sem falar que tem EUA (comentário acima), sport Protótipo, etc…etc…

  7. Gabriel Souza disse:

    Concordo. Ele tem mais é que sair, se a Williams está como a casa da japa.

    Há vida fora da F1. Nelsinho que o diga.

    Abraço!

    • Jose Lito disse:

      Que mundo você vive?

      Nelsinho tá pagando pra correr (ainda na truck series!! (leia-se terceira divisão da nascar))… não tem visibilidade nenhuma.. vive com dinheiro do pai… se meu filho fosse ele, eu teria desgosto.

      Discordo da matéria também, Barrichello ao menos tem um salário, tem disposição de querer melhorar o carro, está se esforçando (ninguém disse aqui que está tendo competência pra isso, seja ele ou a equipe).

      Enfim, tem gente que pensa assim… que é melhor desistir que ao menos tentar.

      Boa sorte pra voces

    • Anderson disse:

      José, que mundo você vive?

      Nelsinho foi segundo na última corrida atrás apenas do bicho papão Kyle Busch (se é que vc sabe quem ele é). Ainda tá muito inconstante, mas teve azar em algumas corridas. Ainda assim, foi o resultado mais expressivo que um brasileiro já teve por lá, não se pode desprezar isso.

      E o fato dele estar na dita “3ª divisão” não tem nada de errado. Louco seria ele e o dono da equipe que colocasse ele direto na Sprint Cup. Até Montoya fez várias corridas em categorias de acesso pra “pegar a mão”. Tem mais é que começar por baixo mesmo, Nascar não é monoposto. Entrar de repente numa categoria contra pilotos que passaram sua vida toda correndo em ovais não é fácil.

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