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9 de abril de 2014 - 15:13F1

Pelo direito de comer

SÃO PAULO | É bem sabido que vivemos tempos de súper e auto-exposição o tempo todo pelas diversas redes sociais que nos são oferecidas. ‘Selfies’ viraram temas de longas reportagens nos mais importantes veículos — também denotando a falta de critérios e ideias jornalísticas, mas é papo pr’outra hora — e fotos e frases passaram a ser usadas como notícias e verdades mais do que absolutas.

Mas uma imagem no Instagram de Jean-Éric Vergne agora há pouco é simbólica, reflexiva e muito mais que uma notícia.

A princípio, imagina-se que Vergne seja o mais novo garoto-propaganda do McDonald’s ou que apenas estranhou a linguagem árabe na fachada da loja. O francês está no Bahrein e andou hoje com o carro da Toro Rosso, terminando os últimos testes coletivos em segundo. A postagem contém uma frase única, “diet is finished”, seguida do emoticon que representa alegria sincera, corroborada pelo ‘hehehe’.

Ser piloto de F1 no regulamento atual tornou-se uma tarefa árdua não só porque os pneus e combustível têm de ser controlados, bem como o peso. Se as equipes não conseguem fazer seus carros pesarem o mínimo de 692 kg, descontam nos pilotos, e aí são eles que se veem obrigados a gastar: as calorias; e é claro que os mais altos e ósseos sofrem mais.

Sutil, o mais pesado de todos, abriu a cruzada contra a categoria do regime eterno e expôs uma situação grave: a de que alguns pilotos, como ele, não estavam se hidratando durante o desgastante e quente GP da Malásia. Button, 6% de gordura para baixo, quase denota em seu semblante uma anorexia profunda. À grita, o presidente da FIA, depois de se entupir de brioches e croissants contígua à Place de la Concorde, desdenhou e disse que dieta alguma leva piloto para o hospital, escarrando sua ignorância.

Naquele fim de semana em Sepang, o comentarista Martin Brundle disse durante a transmissão da britânica Sky Sports que um piloto chegou a desmaiar durante um evento promocional de sua equipe, sem mencioná-lo. Sem a revelação confirmada por quem quer que seja, um nome havia sido especulado: o de Vergne.

Não é meramente uma questão de gula ou satisfação da saciedade, comer um pudim ou bater uma massa em um domingo sem corrida. Todt e quem quer que tenha feito o regulamento não se deram conta de que este é, sim, um item de segurança. Um piloto desidratado ou mal alimentado para se manter magro e ganhar décimos pode ter um mau súbito durante um treino ou uma corrida. Vira um perigo absurdo e insano, além de desnecessário. Mais do que a preocupação de um bom espetáculo, de uma categoria igualitária ou de um som melhor de motor, os dirigentes deveriam ouvir as vozes da maioria e aumentar este peso mínimo de modo que não sejam os protagonistas os afetados da história.

A foto de Vergne não é um ‘selfie’ nem é uma indireta, mas grita e informa: comer um nº 1 com Coca-Cola não pode se tornar um peso psicológico nem ser crime com castigo perpétuo.

31 comentários

  1. luiz alberto disse:

    Para um Frances ir comer num McDonald ,ele

  2. Alexandre disse:

    Hukemberg tem o mesmo peso de Sutil, ou seja, é um dos mais pesados do Grid e tá dando show.

    Compartilho o que disse o Massa, fizeram um carro ruim (Toro e Sauber) e querem botar a culpa no peso.

    Vale dizer que a regra é a mesma para todos, e só são dois que reclamam.

  3. Sinval disse:

    posso estar sendo ignorante
    nesta afirmaçao, mas costumo
    correr de kart (campeonato in door)
    com categorias , divididas por peso,
    porem , independente da categoria
    percebe se que uma diferença de
    ate 5kg , nao tem tanta importancia
    no quesito tempo de volta e bla,bla,bla.

    portanto para um F1 que despeja uma tropa
    de cavalos do motor , ao ponto do
    absurdo . é um pouco intrigante como que
    pilotos que tem preparo de atletas , possam
    ate variar entre eles mais de 10kg de peso
    acredito que nao mais do que isto , tenham
    que fazer contas e determinados processos
    para nao representar na balança da FIA ,
    um determinado peso.

    estes caras estao viajando na maionese, por
    isto que essa F1 de hoje , é esta m…quando se tem
    um pouco de competitividade como esta ultima corrida,
    que é uma em mil.

    Alan Jones , era um dos pilotos de sua época , um dos
    mais pesados , e foi campeão… ( e agora chupa esta manga).

    • Victor disse:

      VM responde: Comparação de épocas… em 1930, jogavam com bola de capotão…

    • Pedro Jungbluth disse:

      Você não pode comparar a competitividade da F1 com de corridas de kart. O peso conta e muito. No DTM de anos atrás se não me engano eles tinham a regra de lastro, o peso máximo de lastro era 20kg, o piloto ganhava 5 kg de lastro a cada corrida ganha, para aumentar a competitividade. E os pilotos reclamavam muito do comprometimento de frenagem e aceleração por causa disso.
      Isso que os antigos DTM dos anos 90 tinham mais de 1 tonelada e meia…
      Agora imagina 10 kg num F1, ainda um peso que não pode ser redistribuído como lastro onde quiser, fica lá na barriga do piloto… Eles gastam milhões para reduzir peso, imagina a pressão em cima de pilotos para emagrecer. O Hamilton, 2 anos atrás, falou que no natal o nutricionista dele permitia além da dieta normal um punhado de passas, era essa a ceia dele… E 2 anos atrás não existiam os graves problemas de peso com o ERS.

  4. Pedro Araújo disse:

    Pois é, Victor.

    Essa situação hoje na F1 é um retrato mais gritante do tipo de pressão que uma grande corporação empregadora exerce sobre os seus funcionários.

    É aquela coisa: “tá achando ruim? então cai fora, porque tem 100 sujeitos querendo estar no seu lugar”

    E pelo que me lembro a associação dos pilotos foi desmantelada por falta de interesse suficiente dos envolvidos, certo?

  5. Fernando Passos disse:

    Victor, muito bem observado!

    Poucos estão se ligando pra isso, mas um pico de hipoglicemia e desidratação pode afetar os reflexos dos pilotos, sim. Será que Maldonado não estava em seu limite físico e fez aquela barbeiragem, que foi acima dos seus próprios padrões?

    Tanta gente inteligente na Fórmula 1 e as soluções não vêm!

    Por favor Victor, analise meu raciocínio e diga onde eu estou errando que ninguém até agora colocou isso em prática:

    Sobre peso na F1:

    - fica estabelecido um peso mínimo para o carro, sem piloto e sem combustível;

    - fica estabelecido um peso mínimo para o piloto de, por exemplo, 90kg. Caso o piloto pese 70kg, por exemplo, coloca-se um lastro de 20kg em lugar determinado pela FIA;

    - fica estabelecida uma medida mínima para o cockpit, por exemplo, que acomode bem uma piloto de até 1,90m, para que as equipes não sejam forçadas a escolher apenas pilotos pequenos para reduzir a área de cockpit e melhorar a aerodinâmica do carro;

    - libera a quantidade de combustível, aí o carro que consome mais pode usar toda a sua potência, porém carregará mais peso de combustível. Isso ajudará nas ultrapassagens e continuará fazendo com que busquem o melhor rendimento de combustível possível em cada motor, sem que tenham que ficar fazendo corridas modorrentas onde os pilotos tiram o pé para economizar.

    Abraços

  6. Pablo disse:

    Enquanto o Vergne tá sofrendo com peso e felizão por uma ida ao McDonald’s e o Sutil e o Button tão correndo desidratados na F1, na Nascar há 3 anos o Tony Stewart, comprovadamente um piloto com problemas de peso nos últimos anos, adquirindo um questionável porte físico, era campeão na categoria… Enquanto que na CART/Indy o Paul Tracy mesmo com todo seu peso obtinha desempenhos dignos e fazia frente a pilotos muito mais finos. Onde quero chegar é que essa é mais um exagero dessa F1 que faz os saudosistas e admiradores da era romântica reclamarem dessa F1 de hoje. E claro, de mais um exagero da categoria, que é essa questão do peso dos carros a ponto de fazerem os pilotos sofrerem com peso e ter que passar por perrengues pra emagrecer como as modelos das passarelas de moda…

  7. ba disse:

    Quem poderia/deveria reclamar – a GPDA -, que beleza, segue omissa como sempre. Parabéns aos envolvidos, provando que os cojones são somente pra pilotar.

  8. Andre disse:

    acho que deveria ter um percentual minimo de gordura, um cuidado maior com a hidrataçao… e a saude dos pilotos ser “fiscalizado” pela organizaçao da f1, como é feito com os carros!

  9. RenatoS. disse:

    Concordo plenamente, até porque piloto desmaiado não freia.

    Agora, seria sábio repor nutrientes em um fast food? Sei não, hein!

  10. Pedro Jungbluth disse:

    Acho que a F1 é um esporte de topo, e dessa forma, não pode ter seus atletas com cara de zumbi e desmaiando por aí, deveria estar passando uma imagem de saúde.

    Uma nova regra que desse peso mínimo para o conjunto piloto e cockpit seria uma boa, só não consigo imaginar forma de averiguar isso.

  11. Emerson Simplicio disse:

    Esse fernando é meio tapado né (alguém precisa avisar o rapaz)???? Mas a asneira dele tá até engraçada.

  12. fernando disse:

    Até porque vamos convir que por mais que um piloto perca peso, não é isso que faz a diferença né?! Pauta furada!!!

  13. Billy disse:

    Perfeito, Jean Todt parece um insano com sua indiferença sobre o assunto. Ele pode circular pelo paddock com sua pança sebosa, os pilotos, não. Mas dizem que o aumento do peso mínimo para 701 kg não foi aprovado nesta temporada por resistência de alguns pilotos “menores”, entre eles Felipe Massa. Se realmente for isso, é uma falta de consideração com os próprios colegas de profissão. Lamentável!

  14. fernando disse:

    Meu caro,

    Todos os pilotos de F1 são seres humanos crescidinhos e muito capazes de se cuidar. Ridiculo vc querer compara-los a top models anoréxicas!

    O cara não come porque não quer!

  15. Mauricio MCJ disse:

    Acredito que deveriam estabelecer um peso minimo para banco+piloto, e o carro seguir um peso também regulamentado. Se esse peso piloto+banco fosse de 100kg todos poderiam voltar a ser atletas e não joqueis.

    • Sergio disse:

      De fato, sua proposta faria mais sentido. Porque, caso apenas se aumente o peso mínimo, o mais pesado continuaria em desvantagem, pois o mais leve poderia melhorar a distribuição de peso do carro com lastro. De qualquer forma, acho a discussão MUITO BOBA. Caso isso fosse injusto mesmo, o que dizer por exemplo do atletismo? Como um corredor de 1,6m conseguiria competir com alguém mais alto, se as passadas deste são mais compridas (olha a altura do Bolt!)? Ou esportes como natação ou salto com vara? Daqui a pouco vão querer dividir os 100 metros rasos por altura e peso!? E o boxe, que é dividido por peso, e não pela envergadura (o boxeador com braço mais longo leva vantagem)? Não não, a maioria dos esportes acaba privilegiando um biotipo em detrimento de outro, então essa discussão de peso mínimo é só choradeira de quem não gosta de perder. Se não consegue perder o peso ou isso faz mal para a saúde, simples, faça com o Montoya e mude para o turismo.

  16. Nelson Barreiros Neto disse:

    Excelente texto Victor.

    É muito fácil para o Sr. Jean Todt ficar arrastando seu gordo traseiro pelo mundo e falando em dietas de pilotos, enquanto caras maiores como Button parecem acabado a cada final de semana…

    Na boa, ví uma foto de Jenson outro dia assustadora… Realmente parece um anorexico…

    Esses caras tem que ouvir as estrelas do show – os pilotos…

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