Filhos da Punta del Este, 3

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Team China

PUNTA DEL ESTE | Quando o relógio deu 15 nesta sexta-feira em Punta del Este, o safety-car de tecnologia híbrida da BMW saiu dos boxes levando a primeira leva de carros e aqueles que estivessem na parte de dentro do circuito de rua para cerca dos alambrados. Os câmeras das TVs locais usarm as arquibancadas e o espaço do hospitality-center para, além de exercerem suas funções, saciar a curiosidade; o mesmo fizeram os moradores dos prédios que têm visão mais-que-privilegiada.

Era uma série de voltas de reconhecimento do traçado estreito e lotado de curvas de baixa velocidade. De longe ou perto, era possível ver o espanto mesclado à surpresa.

As definições do ruído foram atualizadas, mediante a constatação de que o safety-car tinha um som mais potente: “é um sopro em papel de bala”, “parece um raio criado eletronicamente”, “dá a impressão que o carro está em ponto morto eterno, “é um choro futurista”, “é a categoria dos Jetsons”.

Do lado de fora, os contrapontos eram notórios. O fiscal que controlava a passagem dos credenciados próximo à entrada da reta principal escutou bem o som. “Eu consegui ouvir bem, gostei muito”. Perguntado se não havia se impressionado com o barulho do carro de segurança, ergueu os olhos sem esconder o sorriso pelo momento. “Seria melhor se fosse a F1, mas já estou contente”. A policial mais baixa que se postou próxima aos gazebos da comissão médica, a caminho dos boxes, nem havia notado que o treino começara. “Já foram para a pista?”

A F-E sempre se colocou como uma categoria completamente diferente de qualquer uma que já existiu por seu caráter de sustentabilidade e ecologicamente permitido, usando um sistema de recuperação de energia e baterias exclusivamente feitos pela Williams, a eletrônica da McLaren e a integração do conjunto pela Renault. O resultado em termos de impressão sonora deixa a desejar para quem está acostumado com aquele estouro de tímpanos dos V10 ou V12, até mesmo o V8, e que não aceita de maneira alguma no que os V6 turbo transformaram a F1 nesta temporada.

Dizer que causa uma má impressão, então, é aceitável e compreensível. A melhor definição é de que é diferente. Bem de acordo como a F-E se apresenta.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

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Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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