Filhos da Punta del Este, 6

F

Sébastien Buemi

PUNTA DEL ESTE | Deu Buemi na interessante corrida de agora há pouco no Uruguay querido. Um final de ano e tanto para o piloto que mantém os pés na Red Bull na F1, mas que vive das glórias do WEC e da possibilidade de também ser campeão na F-E. Talvez fosse questão de alguém chegar no jovem e falar: “Ô, cara, dá um pé nessa lata aí”. Ele, que não é muito suíço e tem jeito de descolado, é capaz de aceitar. Falta só um conselho de um chegado.

O piloto da e.dams – é estranho escrever nome de equipe em minúscula e com ponto no meio; o mundo tá muito moderninho – tomou a ponta na troca de carros – outra coisa que é esquisita de se pensar & redigir. Até então, o nome da corrida era Vergne, que perdeu a primeira posição na largada para Piquet e foi buscá-la na raça com o passar do tempo. Ele estava para atacar Buemi e estávamos todos prontos aqui para escrever que seria uma dobradinha dos ex-Toro Rosso. Daí o mais recente defenestrado gastou toda bateria precipitadamente. A gente sabe como é perder a carga total nos momentos em que se mais precisa.

Michael Andretti, nos boxes, lamentou, mas sorriu. Se for esperto – é bastante – e tiver um patrocinador em mãos – está arrumando –, pega Vergne facilmente para fazer a Indy. Aliás, a categoria americana tá com jeitão de que vem muito bem em 2015.

Sem Vergne, o pódio foi completado por Piquet e Di Grassi, que consegue seu terceiro pódio no ano ao comer pelas beiradas durante a prova. Com o terrível fim de semana de Bird, Lucas pôs 18 pontos de vantagem para o passarinho que não voou e destruiu a gaiola e o Di Maria das pistas.

O circuito é apertado, o som é um pesadelo para ouvidos tradicionais, mas a corrida é legal de se acompanhar, muito mais do que pela TV — até porque se vê até o fim. O público se empolgou bastante, e num país que gosta de automobilismo sem ter oportunidade de vê-lo sempre por perto, a venda de todos os ingressos é um ‘fan boost’ para a organização da F-E. Se a categoria é o futuro do automobilismo, ainda há algumas dúvidas, mas já é cada vez mais difícil imaginar que este campeonato não vá dar certo. Começar em Pequim e em Putrajaya pode ter passado uma má impressão, só que agora, com lugares mais populares, a tendência é de casa cheia sempre. Depois tem Buenos Aires, Miami, Paris, Londres, cidades de gentes que curtem essa farra aqui.

O espetáculo é bacana, os pilotos têm um bom nível e a estrutura está montada com boníssimas perspectivas de aproximação das maiores marcas do automobilismo e de seus patrocinadores atuais. E no fundo, a gente quer ver boas corridas. Mesmo que os carros não pareçam tão velozes e não pareçam carros de corrida.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

4 Comentários

  • Carros lentos, feios e com barulho de mixer picando salsinha.
    A coisa mais chata que já vi na vida.
    Uma corrida de carrinhos de golfe seria mais interessante.

  • Eu assisti de Putrajaya e gostei muito, não pelos carros e motores, mas gostei por uma coisa mais básica, tem disputa! O carro sai de traseira, é um carro lento mas mais nervosinho, dá pra andar colado, piloto erra e por ai vai.

Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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