A hora de ousar

A

SÃO PAULO | Tanto Rob Smedley, diretor de engenharia, quanto Bottas não fizeram a mínima questão em esconder o descontentamento com a performance do carro no GP de Mônaco. O primeiro falou que a equipe não pode se gabar de ter um fim de semana de luxo, achando que o Principado só existe para a equipe encontrar todo o glamour e a história que envolve o Principado; o segundo falou que o time não se achou e não conseguiu nada. E ambos bateram na tecla de que não dá para ter um desempenho tão aquém se a escuderia realmente bate no peito e se diz grande.

A Williams, a bem da verdade, esteve grande por metade da temporada de 2014, a segunda. A evolução foi clara, e havia ali uma base boa para formar o carro deste ano e ao menos manter o ritmo. Passadas seis provas, o que parece é que, de fato, o time de Grove só manteve o ritmo do ano passado, apesar de o modelo atual ter uma natureza diferente, pecando agora na aerodinâmica. A Mercedes deu um salto visível e a Ferrari, colossal.

Por mais que tenha modificado toda sua estrutura e seu material humano e hoje se mostre saudável em termos financeiros, a Williams opera num sistema conservador do qual não consegue se desvencilhar. A falta de arrojo é muitas vezes explícita nas táticas que toma durante as corridas. No ano passado, quando fez a pole na Áustria com Massa, a equipe poderia ter brigado pela vitória se tentasse fazer o cerco à Mercedes e sempre parasse nos boxes assim que Rosberg e Hamilton o fizessem. Não fizeram isso com nenhum dos carros. É um pensamento tacanho e conformista de achar, à época, que só poderia lutar pelo terceiro lugar. Neste ano, no caos da chuva do GP da Malásia, mandaram os dois pilotos à pista com os ‘wets’ quando todos foram de intermediários; de novo a escolha errada.

Pois já que vai ser difícil evoluir e/ou alcançar a Ferrari para brigar pelo segundo lugar do Mundial de Construtores, que a Williams tenha nos 2/3 restantes da temporada um sopro de ousadia. Há um cenário propício para isso: a Red Bull involuiu e pouco vai avançar com um motor capenga que há de lhe proporcionar uma série de punições nos grids de largada, e as outras rivais não acompanham o ritmo. É a hora certa para correr riscos e ser arrojada.

Porque, se se basearem na maquiagem dos números — a Williams tem 81 pontos até agora e tinha 52 quando saiu de Mônaco no ano passado — e acharem que se trata de um grande salto, é melhor que busquem a história para degustar o que é ser grande na F1.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

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Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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