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SÃO PAULO | Com o erro tolo que o colocou numa miserável sexta colocação em Xangai e um desempenho inferior nos treinos livres, ninguém em consciência sã haveria de indicar Bottas como o pole do GP do Bahrein. E não se pode dizer que se trata meramente de uma infelicidade na volta final de Hamilton: Valtteri — que seria Valtinho aqui — ficou sempre muitíssimo próximo do companheiro em todas as sessões.

Assim, há de se reconhecer: surpresa à parte, voltaça e trabalho muito bem feito daquele que, é bom não esquecer, jurou lealdade à Mercedes e se dispôs a abrir passagem a Hamilton caso lhe peçam.

Não é o caso amanhã — espero. Por mais que se entenda que, do meio em campeonato em diante, os pontos já apontem a disputa entre Vettel e Hamilton, é a terceira de 20 etapas, e uma vitória poria Bottas no jogo da vida atual. Mas também — não espero — Bottas não surge como favorito. A base são meramente suas duas corridas pela Mercedes neste ano. Que mude a impressão, pois, para desmentir.

Bottas tem outro ponto a favor: ver Hamilton largar no lado emporcalhado da pista de Sakhir. Os lados pares não têm aderência alguma e pegam o rabotalho da borracha. Assim, seria normal ver Vettel pulando na segunda posição com mais ação para atacar Valtinho.

Com três classificações de prova, é notório que a Ferrari pode ir melhor o quanto quiser nos treinos livres. Na hora TC, ainda deve em termos de velocidade pura. Na pista em que menos se esperava, esta, foi a que mais ficou para trás no cronômetro. Não deve ser assim, não, na corrida. Hamilton, mesmo, reconhece que os vermelhos têm um ritmo melhor em long runs. Quer dizer, o vermelho que vai bem.

Porque Räikkönen, deusdocéu, conseguiu ficar atrás de Ricciardo. E ficaria atrás de Verstappen se este tivesse repetido a performance das fases anteriores da classificação. É compreensível a boa vontade do público e dos fãs em torcer e querer que ele se dê bem — figuraça, perguntado o porquê de ir bem no Bahrein, pediu ao entrevistado que entrevistasse a pista —, mas Kimi não tem mais o ímpeto e o ‘top speed’ que uma equipe do tamanho da Ferrari pede. Depois da chamada em público — e que deve ter se replicado na salinha do castigo de Maranello — que levou da cúpula, foi ainda pior. Um finlandês se mexeu e foi mostrar serviço; o outro, sucumbiu.

Espantoso, mesmo, foi o desempenho de Hülkenberg, que vem andando o fim de semana inteiro bem e é sétimo de novo no grid. Mas precisa ter um pouquinho mais de cabeça. Na China, se perdeu por completo, tomou drive-through, foi uma lástima estilo Palmer. E este, então, décimo no grid? Acho que o pai Jonathan vai emoldurar a classificação em frames em sua casa. Difícil que repita algo parecido. Há até quem diga que vai fazer um samba lá no deserto com churrasco, cantando “é na palmer da mão que eu quero ver, quero ver, quero ver”…

Massa é oitavo, uma posição pior que seu lugar de ‘dever’ na categoria. A Williams e ele têm de começar a se preocupar com o avanço da concorrência. A Renault, pela segunda vez, é ameaça. Coisa que parecia restrita a Force India, Toro Rosso e Haas. Mas Felipe está confiante e feliz. OK.

Wehrlein voltou com a corda toda e tacou tempo em Ericsson, da mesma forma que o futuro aniversariante Grosjean fez com Magnussen, que larga em último. Mag também não se ajuda. Alonso não tinha muito o que fazer com esse horror em formato de carro e deve perder mais posições com a troca da unidade para a corrida. Deve estar desejando Indianápolis o quanto antes. Pérez vai ter trabalho para manter a sequência de 12 corridas nos pontos largando em 18º. Sainz, coitado, precisa benzer a Toro Rosso.

Depois de acertar em cheio os palpites, sobretudo Verstappen em terceiro na última, tenho o direito de errar. Mas creio que no corridão deste domingo, Vettel vai dar o bote e Hamilton termina em segundo. Bottas se contenta com o pódio.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

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Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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