S17E14_SIN1

S

Vettel



SÃO PAULO | Quando cêis tiverem algum clichê de automobilismo guardado no bolso porque é imposto domingo sim, domingo não, pensem em jogá-lo fora. O de hoje é o ‘só ganha/faz pole quem tem o melhor carro’. Primeiro porque Singapura tem uma característica tão única que permitiu a Red Bull dominar tudo que podia de treinos até o Q3 e até mesmo a McLaren andar ali no rebolo. Segundo porque Vettel não tinha um equipamento para tirar a pole de Verstappen. A pole veio no braço. No puro braço.

Sempre é válido destacar o quanto é bom estarmos vivendo essa fase da F1 em que há quatro pilotos excepcionais – Alonso, Hamilton, Ricciardo e Vettel – e com o prospecto de Verstappen se juntar a eles assim que fizer alguns ajustes. Isso também vale para acabar com o clichezão maroto de que só eram pilotos dos anos 70/80/90, como se fossem fodões de outro mundo e superiores aos que estão hoje porque guiavam carros sem ajudas eletrônicas. Todos são exímios dentro de suas épocas.

Mas dizia eu que Vettel foi buscar na sua qualidade impar a pole 49 da carreira. Chegou até a raspar o muro com relativa violência num trecho final da voltaça. Impediu que Verstappen se tornasse o pole mais jovem da história. Fato é que Seb, rei na cidade-estado, tem uma grande oportunidade não só de retomar a liderança do campeonato, mas ter a ajuda da dupla de sua ex-equipe. Porque Hamilton não parece capaz de ir além de um quarto lugar.

Lewis teve de se conformar com uma terceira fila e só pode torcer por problemas de quem vem à frente. Por mais braço que tenha, não parece ter um equipamento forte o suficiente para brigar com o trio Vettel-Verstappen-Ricciardo. Com Räikkönen, quarto no grid, sempre dá para contar. Porque Kimi não vai. É aquilo. E a Ferrari vai ter de pedir encarecidamente para que ele, volta à volta, faça o máximo possível para se manter firme diante do assédio do inglês.

Assim, em condições normais e plenas, Vettel deixa o -3 que tem hoje no campeonato para ficar +12 à frente de Hamilton.

O que pode favorecer a Mercedes é a perspectiva de um safety-car entrar num momento oportuno. Em todas as provas anteriores em Singapura houve a presença do SC. E pelo que a pista estava escorregadia hoje, a chance é muito alta de que a turma do PEK (Palmer, Ericsson e Kvyat) atue neste sentido.

Mais à frente, admito que ri bem quando vi o resultado do TL3 com Alonso em quarto e Vandoorne em quinto. É claro que a pista tem um fator preponderante, mas seria engraçado demais ver a Honda acertar a mão no motor agora que está de saída da McLaren. É claramente o fator zica que ronda Fernando há anos. No fim, ele tem o que comemorar largando em oitavo e tendo o companheiro logo atrás. Os dois estão atrás de um Hülkenberg sublime e que lidera essa Renault que vai perder Palmer – aleluia, irmão! – muito provavelmente depois deste fim de semana. Sainz já deve assumir o posto na Malásia.

Massa foi um dos tantos que perdeu o controle do carro ali na curva 20. Foi o que se deu pior pelo acidente no fim do Q1. Ainda teve chance de voltar à pista e tentar escapar da degola. Errou na curva final. Um desempenho ruim para um carro que é ruim e instável. Chegar aos pontos é tarefa praticamente impossível.

E falando nisso, é possível pedir os caos como no Azerbaijão? Sim. Os caras vão se desgastar muito nas duas horas, e as equipes vão ter de estar afiadas nas táticas. A Red Bull, enquanto time, é mestra nisso, então a mínima oportunidade que Christian Horner e seus asseclas virem para dar o bote, vai acontecer. A Ferrari que fique esperta. O palpite para a corrida é o mais difícil do ano. Vou de Vettel meramente pelo retrospecto. Mas creio que Ricciardo vai atrapalhar demais os planos do alemão.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

10 Comentários

Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
ASSINE O RSS

Arquivos

Categorias

Tags

Twitter

Publicidade

Facebook

Publicidade