A farra do push

A

SÃO PAULO | Vejo no Facebook de Bruno Vicaria o comunicado que foi distribuído para pilotos e equipes sobre usos e costumes do Hero-Push. A ferramenta, que dá mais potência aos mais votados pela internet, passou a ser usada como moeda de troca por muitos.

Agora, passa a valer o seguinte:

StockNews

Há duas semanas, conversei com Rodrigo Mathias, diretor da Stock Car, e um dos assuntos era relacionado a isso. Ele havia dito que as contrapartidas dos pilotos iam, de fato, se limitar a premiações relacionadas ao automobilismo.

Ainda entendo que isso vá beneficiar quem tem mais poder de bala e deixa o negócio distorcido, meramente financeiro e interesseiro. Não deveria ter incentivo algum em troca: que se crie engajamento puramente, com ações legais e experiências, movimentando a equipe que trabalha em torno do piloto — e aí, satisfaria um dos pontos que a própria Stock Car tem batido, da criação de um ídolo.

Mas pelo menos diminui a putaria que havia sido formada. “Acabou a farra do boi”, bradou Vicaria. Concordo. Porque esta farra estava, por exemplo, sorteando smartphone e viagem para quem votasse em X ou Y. Aí quem depois ia cobrar o presente e o sorteio se deparava com a mensagem ali embaixo, letrinha miúda, quase em tom branco, de que só valeria se, e somente se, o piloto fosse contemplado com o push. Seja lá quem tenha começado ou copiado isso, que entenda que é desonesto. É sujo. É anti-esportivo.

E tem piloto que concordou. Bom que um deles já sabe que posar ao lado de presidenciável questionável também não vale mais.

 

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

1 Comentário

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  • Impressionante o famoso jeitinho brasileiro. As pessoas não estão preparadas para viver em sociedade.
    Eu sempre cresci ouvindo a expressão: “pessoas de verdade têm palavra!” É isto mesmo. Antigamente, antes de se difundir a escrita, tudo era combinado na fala. Hoje em dia, as pessoas falam e, depois, cinicamente dizem que não falaram isto ou aquilo. O povo brasileiro deve-se comprometer com o que diz, com o que promete, principalmente a classe política, que promete sempre um país melhor, mais educação, mais saúde, mais segurança e, no final das contas, só oferece muito dinheiro às grandes empresas.
    A meu ver, se as pessoas cobrassem aquilo que foi combinado, aquilo que é de direito delas, em algum tempo, a mentalidade deste povo – e, consequentemente, das pessoas que governam – seria mudada para melhor.
    Uma das saída pode ser isto:
    https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2018/03/01/prefeito-e-amarrado-em-guilhotina-por-nao-cumprir-suas-promessas-eleitorais.htm
    Só para assustar!

Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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