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SÃO PAULO | Quando o campeonato começou a se desenhar nas primeiras etapas e nos fez entender como e onde cada carro ia se adaptar melhor, estava transparente que o fim de semana em Singapura favoreceria Red Bull e Ferrari e seria uma prova de fogo para a Mercedes, ainda mais diante do que aconteceu em Mônaco. Ao longo do tempo, também, foi ficando mais evidente que a Ferrari tinha dado um passo à frente em relação à Mercedes, trazendo um cenário não visto na F1 desde 2013. Junte os ingredientes da receita daquele começo de Mundial, e Vettel deveria chegar a Marina Bay como favorito claro a pole e vitória para ampliar a liderança.

Pois não foi nem um nem outro. Porque Hamilton está em outra categoria. E, novamente, é importante ressaltar que ele não estava na categoria dos ‘normais’ até o GP do Azerbaijão e fez uma transição estelar e histórica até chegar a este ponto onde produz aquela volta magistral, cujos predicados são ínfimos, na classificação e vencer de ponta a ponta uma corrida onde só teve um susto, protagonizado por malucos que não obedecem bandeiras azuis — inclusive, não sou contra.

Hamilton é pentacampeão do mundo. Legal, aliás, que o mundo tenha conhecido dois pentacampeões no mesmo dia. Dixon é tão espetacular quanto. Merece um texto à parte.

Só uma sequência impensável de quebras levaria a pensar que Hamilton vai perder esse campeonato. Faltam seis corridas. Lewis mal precisa vencer daqui em diante: se for segundo em todas, Vettel precisaria vencer as seis para ultrapassá-lo em Abu Dhabi. Vettel vai vencer as seis? Não. Mesmo se tiver um óbvio melhor carro, Seb já não tem mais forças. Seb não tem como ser um megapiloto para se equiparar a este Lewis megapiloto. A cara de Vettel no pódio ontem é simbólica da derrota e de sua incapacidade.

E acho legal, mesmo, quando a gente começa a discutir se Hamilton vai ser o maior de todos os tempos. Neste ritmo, e com apetite para ir além de 2021, vai.

Não há muita coisa para descrever sobre o GP de Singapura. Foi chato e maçante, teve lá seus momentos interessantes, mas apenas salientou a excelência de um piloto — e, com boa vontade, o quanto três pilotos das três primeiras equipes estão à frente dos outros três. O trio Bottas-Räikkönen-Ricciardo terminou mais de 40s depois de seus companheiros. Dos finlandeses, nada espero, mas o desempenho de Daniel tem me decepcionado. O que pode servir como desculpa é o tratamento de desdém que já lhe tem dado a Red Bull, mas não creio que tenham mexido no carro para que seja mais lento.

A Force India seria sétima e oitava não fosse Pérez. O que este rapaz fez ontem serviria como motivo para Stroll Papito rasgar o contrato. Arremessou Ocon logo depois da largada lembrando o incidente no Azerbaijão em 2017 e, sem conseguir passar um combativo e respeitável Sirotkin, jogou o carro para cima do pobre. Eu me pergunto como é que estes comissários da F1 não cogitaram dar bandeira preta.

Alonso fez uma prova mágica, como definiu, para chegar em sétimo. Que pelo menos não tenha sido sua última grande atuação na F1. Os demais não fizeram nada de muito destaque.

Fim de semana que vem tem GP da Rússia. É o primeiro dos desfiles que restam nesta temporada até a coroação do quinto título de Hamilton. Que a prova seja, ao menos, diferente do que sempre foi: ruim. A gente anda precisando de alguns momentos de distração e diversão por estas bandas.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

7 Comentários

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  • Victor, a Ferrari já deve ter percebido que o Vettel não serve como piloto para liderar a equipe, devem já estar pensando em quem será o próximo piloto de ponta a ocupar o lugar dele. O Leclerc escolhido para o lugar do Kimi atesta isso, embora ele estava na hora certa e no local certo, a vez seria do Bianchi ou até do Giovinazzi, se estes estivessem correndo.

    Quando vai ter outro Paddock no bar?

  • Faltou uma linha sobre o Leclerc. Se bem que ele pontuar não é mais aquela surpresa inacreditável. O garoto mostrou que ele é melhor que o Ericsson, apesar de que até o Stroll é melhor que o Ericsson… Torço para que essa carruagem não vire abóbora quando o peso do macacão vermelho caia sobre ele.

  • Realmente não dá para entender por que cargas d’água um mula manca como esse Sergio Perez vai continuar e o Ocon não.
    #falaseeerio!
    PS: acho que Rússia não é nesse próximo fim de semana, mas no outro. . .

  • Vitor, só não concordo com a seguinte afirmação: “Seb não tem como ser um megapiloto para se equiparar a este Lewis megapiloto. ” Ela é verdadeira para esse momento. Vettel tem condições de bater Hamilton no futuro, mas vai ter que trabalhar dobrado e manter a cabeça no lugar. Rosberg conseguiu vencer o Lewis, acho que o Vettel pode mais do que o Rosberg. Mas, nesse ano, de fato, acho que já era.

    • Velho, namoral, o Rosberg venceu o Hamilton em 2016 muito mais pelos problemas que o Hamilton teve durante o ano do que pela sua pilotagem… De todos os problemas do Hamilton em 2016, se somente o último não tivesse acontecido (quebra de motor quando liderava o GP da Malásia e o Nico era 4°), ele teria sido tetra naquele ano (e o Nico não teria nenhum título).

  • O Vettel ficou o fim de semana inteiro criticando a equipe, que, de fato, errou. Porém, quando ele comete os erros infantis, não vemos a Ferrari descer a lenha nele.
    E o Perez merecia bandeira preta.

Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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