Vai descendo até o chão

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Max Verstappen vence na Áustria: a Mercedes sofre muito (Foto: AFP)

A sequência de cinco corridas entre Mônaco e Áustria representam a maior derrota que a Mercedes vivenciou em seu retorno à Fórmula 1, mais especificamente na era híbrida. Não fosse o pneu estourado de Max Verstappen a poucas voltas do fim do GP do Azerbaijão, Max Verstappen teria engatado uma sequência devastadora e imbatível. Mesmo com quatro, é visível o climão de derrota que paira sobre a garagem de Toto Wolff e de Lewis Hamilton.

O que doeu, de fato, foi a bifa na França. Foi ali que as escrituras se abriram profeticamente quando Horner, 7, 11-33, disse: “Se vencermos aqui, vencemos em qualquer lugar”. A ultrapassagem de Verstappen, a dois giros da bandeira quadriculada, em um Hamilton chocho, capenga, manco, anêmico, frágil e inconsistente, diante de uma estratégia ousada, abalaram ainda mais as estruturas de uma Mercedes que já vinha sendo afetada desde o episódio do assédio aos funcionários que vão se debandar para a rival no ano que vem, trabalhando na Powertrains, a área que a Red Bull constrói a toque de caixa para cuidar dos motores que a Honda há de lhe passar.

Em particular, a vitória no GP da Áustria deste domingo, embora esperada, é particularmente assustadora. Não fosse a patifaria da FIA com aquela punição antiespetáculo e o advento artificial da asa móvel (DRS), Lando Norris teria conquistado a segunda colocação da corrida com uma McLaren que, nestas bases, vai dar muito trabalho na virada do ano com o regulamento novo da F1. Hamilton teve de se contentar com um quarto lugar e a ordem histórica de ter de abrir caminho para Valtteri Bottas, companheiro que defende, mas que está por fazer sua última temporada na equipe.

Falando em Bottas, um jornalista da revista alemã Auto Motor und Sport e o site inglês RaceFans também apontam a informação antecipada por Fernando Silva de que o destino do finlandês pode ser a Alfa Romeo.

A Mercedes alega que Hamilton teve um problema no carro a partir da volta 29 com um dano no assoalho do carro. O dano, na verdade, é muito maior. O carro em si não corresponde. É o menos bem feito da safra que a equipe fez desde que começou a dominar a F1.

O problema é que a Mercedes tenta minimizar seus problemas atribuindo à Red Bull ganhos de performance que, na visão dela, estão fora do regulamento. Começou com a asa traseira flexível, depois passou para o motor Honda, aí viu problema na rapidez dos pit-stops feitos a menos de 2 segundos. O negócio anda tão fora do prumo que Wolff foi desmentido por seu diretor-técnico: haverá, sim, uma atualização forte para o próximo GP, o da Inglaterra.

Que vira, então, uma espécie de final antecipada: depois de duas corridas na casa da Red Bull, o cenário é todo pró-Hamilton. Em um Silverstone provavelmente tomado de gente, um perigo em tempos de profusão da variante delta do coronavírus, ou o heptacampeão faz valer seu amplo domínio para salvar o campeonato ou, em caso de novo triunfo de Verstappen, aceita para que doa menos e vira a chavinha para o ano que vem.

Nos últimos dois meses, a Mercedes, como diria o poeta Pedrinho, foi descendo até o chão, mas sem mostrar a potência de seu popozão. O astuto DJ Perera, de lirismo notório, tem a solução para Hamilton e Toto se a vitória não vier na Inglaterra: “Então chapa. Bebe todas, enche a cara…”

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“Such a great driver, Lando”. A frase de Hamilton depois de ultrapassar o piloto da McLaren, vai ecoar por muito tempo. Quando viu a cena, Norris se emocionou: “Te amo, Lewis”.

Se Hamilton pudesse, de fato, apitar na decisão de quem seria seu companheiro ideal, não há muitas dúvidas de qual dos jovens ingleses escolheria.

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Russell, aliás, fez provavelmente sua melhor corrida pela Williams. Mas, largando de oitavo, logo despencou para 12°. George é excelente aos sábados, mas, em grande parte das vezes, dá um jeito de contribuir para seu mau resultado aos domingos. Ao menos, recebeu um caloroso abraço de Alonso após o GP da Áustria depois que perdeu a chance de pontuar.

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Alonso, aos poucos, vai se reencontrando. O problema para a Alpine é que o caminho iluminado do espanhol é a treva para Esteban Ocon.

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Muitas pessoas me param nas ruas e me perguntam, de máscara, levemente aflitas: “Victor, o que Räikkönen ainda faz na F1?”. Eu penso, penso e respondo: “´É, não sei…”

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Termino aqui antes que seja punido pela FIA. Vou ouvir Pedrinho e DJ Perera.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

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O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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