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6 de abril de 2011 - 13:07Stock Car

Técnico de automobilismo

SÃO PAULO | Prestei bastante atenção em todas as opiniões emanadas pelos mais diversos personagens do automobilismo em sites — Grande Prêmio e Tazio, principalmente, e programas de TV — como o bom Linha de Chegada, do SporTV, desta madrugada — nestes últimos três dias, e creio que seja importante debater um ponto não muito apontado profundamente e que pode ser crucial para que acidentes como os de Sondermann e Rafa Sperafico sejam evitados: a formação dos pilotos.

Nos últimos anos, a gente tem notado uma proliferação das categorias para gentlemen drivers. Só neste ano, a Audi e a Mercedes vão se dedicar a este segmento, tal como faz a Porsche Cup, como foi a Maserati, e por aí vai. Em comum, estes campeonatos são abastecidos por montadoras de classe A, o que atrai, por consequência, apaixonados por automobilismo de grandíssimo poder aquisitivo, que querem fazer do hobby algo em maior profundidade. Que passam por um curso de pilotagem relativamente simples e adquirem uma licença — depois de pagá-la, claro — e uma graduação específica para disputarem estas provas.

Assim, ter dinheiro e vontade de correr faz qualquer um facilmente ser piloto no Brasil, independente da idade. E, por definição, um piloto de Stock Car e um piloto de Mercedes ou de Audi são igualmente pilotos, o que leva até a uma aproximação das categorias. O que me leva a entender que, se um piloto se julgar apto a um dia guiar de Stock, vai lá pagar o caminhão de dinheiro que é cobrado e zás, lá está ele para o mundo apreciá-lo — mas sem a bagagem e a experiência necessárias para sentar num carro daquele calibre em termos de potência e reação.

No caso específico da Copa Montana (Vicar, Stock Light), o grid sempre conteve uma mescla de pilotos gabaritados, de formação longa, kart e fórmula — a citar alguns exemplos, nos últimos anos, Rafael Daniel, Douglas Soares, Galid Osman, Diogo Pachenki, Cássio Homem de Mello, Sperafico e Sondermann — com outros tantos que estão lá graças a bons mil dinheiros. Por muitas vezes, mesmo não assistindo a todas as corridas, os comentários eram de que eram mais do que um simples ó do borogodó. Na sala de imprensa, até, no último domingo, falamos depois da corrida da Stock Car que “agora que vai vir emoção”, no sentido de que acidentes e toques eram esperados — sem nenhum tom profético ou depreciativo, por favor.

Na Truck, por exemplo, não há uma categoria de base. Pensam em formar, mas tem piloto que chega lá sem nenhuma experiência e corre. O trabalho de Neusa Félix Navarro é mais psicológico do que prático: a presidenta chega, reúne quem está entrando na categoria, deixa ciente que pilotar um caminhão pesado e potente não é nada fácil e que, se agirem errado desportivamente, serão devidamente expulsos do campeonato. É na base da carcada que os pilotos melhoram. Pode ser uma solução, tal, mas há melhores meios de se peneirar os pilotos capacitados. 

Seria válido, então, que se fizesse por aqui algo semelhante ao que acontece na Inglaterra, em que há um ‘coach’. Primeiro, o técnico de pilotos tem de ser preparado, obviamente. Tem de ser experiente, passar por um curso e receber um certificado de que está apto para 1) ensinar e dar base a aspirantes a pilotos e 2) permitir, em caráter oficial, que estes pilotos corram em determinadas categorias.  Como no futebol, um técnico é quem determina se o jogador vai atuar por sua equipe. No automobilismo, deveria haver algo similar, portanto: ‘coaches’ que aprovariam a inscrição de pilotos nas mais diversas categorias de acordo com suas capacidades técnicas, sem contar o que expressam seus muitos dígitos em seu extrato bancário. Uma espécie de ‘faculdade’ do esporte. Temos aí os dois irmãos Dirani, Dennis e Danilo, Sérgio Jimenez, Roberto Streit, Vicente Siciliano, Thiago Medeiros, Ruben Carrapatoso, Fábio Carreira, André Nicastro (e sabia que esqueceria nomes importantes, como o de Renato Russo), gente que respira gasolina desde sempre e entende — e muitos envolvidos no Super Kart Brasil, que tem tal proposta.

Os centros de pilotagem que temos hoje, como os de Beto Manzini, são válidos. Mas enquanto pessoas tenham permissão para estampar no peito um certificado de piloto tendo como base um curso feito num carro de rua adaptado, este cenário das corridas e acidentes perigosos continuará mais do que presente no nosso automobilismo que procura paliativos em bandeiras amarelas.

18 comentários

  1. Luciano Zangirolami disse:

    É isso Russo,grande piloto que tive oportunidade de conhecer.Infelizmente isso vem lá de tras,quando se tem que levar grana pra correr,a coisa fica nivelada por baixo,quantos talentos,não foram disperdiçados por falta do dimdim…E isso acaba se tornado um grande risco,pois sempre encontraremos pilotos sem experiencia comprando vagas.
    As equipes não são profissionais e se sujeitam a isso,um grande erro.
    Grande Abraço
    Luciano Zangirolami

  2. Jonas disse:

    “A Presidente”.

    Não caia na do PT com presidentA… determinados cargos não tem mudança de gênero. Alguns inclusive mudam a palavra ao invés de ume letra, como Ator e Atriz (e não AtorA).

    Não existe DentistO, apenas Dentista.

    Não existe AnalistO nem PsiquiatrO. Apenas Analista e Psiquiatra.

  3. Ricardo Holtimann disse:

    Eu so fã do Diogo Pachenki, até mesmo porque eu o conheço pessoalmente, e vejam nessa ultima corrida o cuidado com que ele tava tocando o stock, é nitido que ele teve uma postura defensiva e não se colocando em situação de risco. Acho que isso é exeperiência e acima de tudo responsabilidade por sua segurança e a dos outros. E questão de atitude acima de tudo.

    Não sei se alguem tocou no Gustavo, mas no momento do acidente eles vinham embolados na subida, e com certeza com o push to pass ativo, para ganhar posiçãona reta dos boxes, não vi muita prudência desse grupo.

  4. Antídoto disse:

    No papel, é tudo muito bonito. Até a palavra, “coach”…
    Mas na prática, qualquer indiano, camaronês ou brasileiro saído do Paulista de Velocidade (sem menosprezo, só para apontar o nível de experiência mesmo), com a grana certa, chega na Inglaterra e senta num Fórmula 3 direto, sem “coaching” nem nada, e disputa um dos campeonatos mais badalados da Zoropa.

    Pelo que ouvi, Sondermann morreu porque foi negligente na hora de aplicar o HANS.
    Se tivesse posto direito esse importante acessório de segurança, provavelmente teria saído do carro sem nem o braço quebrado; seu pescoço e seu cérebro teriam sido preservados.
    Mas ele não quis, não soube, não teve ajuda ou tempo antes da largada, para aplicar o HANS como deveria.
    E aí não adianta “coach”, mudar a curva, reforçar as gaiolas, montar direito os pneus, trocar do diretor de prova, só correr no seco ou outras questões que foram levantadas até agora capazes de salvar uma vida.
    Estampou o muro ou levou um porrão lateral…já era!

  5. André disse:

    O ponto levantado sobre a Truck vai mais além, tem de se pensar que não é viável uma escola de caminhões e não há nada que possa preparar um piloto para esta categoria, que é bem diferenciada. Por isso acho bem válida a chamada da Neusa.
    Nos demais, formação de pilotos é algo complicado. Aos poucos, “subindo de categoria” e pegando carros mais potentes a medida que se sobe, é o correto. Ok, mas a Stock Car já não faz isso? O problema é que não apenas aptidão, mas o dinheiro de um patrocinio falam mais alto. E essa combinação talvez nunca dê para ser desfeita.
    André / Piloto no http://www.f1bc.com

  6. Allan disse:

    Ok, mas de qualquer forma o problema imediato não foi imperícia – afinal o Gustavo era piloto de fato e de direito. E o outro não tinha o que fazer . Quem vem atrás não tem como desviar (ou seja, poderia ser qualquer um, já que caía chuva forte, a visibilidade da carroça é ruim trata-se de uma subida e era relargada.
    Além do que, o pneu montado errado certamente foi azo para a confusão. Num carro de rua, comum, já traz risco, imagine pilotando no limite do pneu!

  7. Júlio Lima disse:

    Acho uma boa idéia, desde que o “técnico” seja responsabilizado pelo que o seu pupilo fizer nas pistas. Senão, vai ser mais um jeito de ganhar dinheiro, afinal se o cara já paga a licença e a graduação, por que não pagaria ao “técnico” a aprovação?

  8. Russo disse:

    Rs obrigado por lembrar de mim,o piloto com mais anos de coach no Brasil,que treinou e tornou pilotos de gabarito como Rubinho,Tony,Gastão e muiiiiiiitos outros…
    O que falam é a mais pura verdade,qdo dei aquelas declarações e me crucificaram por eu ter dito umas verdades,não foi a toa,o cara chega paga uma bolada e tira a “carteira de piloto” sem ter o devido gabarito e mais,já o colocam para guiar carros de grande potência e luxuosos,isso é o que mais tem na GT3 rsrs só rindo mesmo.

  9. Leonardo Oliveira disse:

    Vitor vi o programa linha de chegada de ontem (terça) e uma coisa me deixou preocupado.
    O Reginaldo perguntou para o Zequinha o que poderia ser feito para melhorar a visibilidade dos carros da Stock e o Paulo Gomes resolveu completar perguntando “O que já foi feito para melhorar a visibilidade? A segunda pergunta não teve resposta, Zequinha fez uma cara de espanto, e o Cacá Bueno mudou de assunto, com uma idéia de colocar desembaçador elétrico. A pergunta do Paulão foi esquecida.
    Essa questão de visibilidade já vem de algum tempo, mas pelo que pareceu, suspeito de que nunca fizeram algo para melhorar isso.

  10. Ricardo Arcuri (Paddock Press) disse:

    A propria Indy tem seu coach: Al Unser Jr., piloto que foi vencedor em todos os tipos de corridas e carros.Nesse caso, pensando mais em criar um bom senso nos pilotos que propriamente treina-los.

    Mas acredite Victor, é mais importante colocar no psicologico deles os perigos que propriamente treina-los. O treinar em si, a pratica pode fazer. Correndo com mais calma, o aprendizado vem e da forma mais correta.

    Abraço

  11. Bruno disse:

    Na semana passada no programa sobre automobilismo do bandsports passou um senhor que trabalha com dois pilotos do Mini Challenge como instrutor e inclusive classificaram ele como técnico de automobilismo.

  12. Diogo disse:

    Victor, é interessante citar que existem pilotos que fazem trabalho de “coach” no Brasil. Há duas semanas, Max Wilson e Ricardo Maurício acompanharam a turma da Porsche Cup em Estoril para tutelar seus alunos.

  13. Arilton de Oliveira disse:

    É ISSO MESMO TAMBÉM FIZ O CURSO DO PEDRO VICTOR,ACHEI QUE IRIA ANDAR DE FÓPMULA E ANDEI DE VÊ,DEPOIS RESOLVI ANDAR DE D3 E FUI ANDAR NO D3 4P QUE ERA DO CACÓ ,SÓ DEPOIS ME DERAM A CARTEIRA.LEMBRAM QUANDO ÉRAMOS GRADUADOS ASSIM?ESTREANTE,NOVATO,PC(PILOTO DE COMPETIÇÃO) E POC(PILOTO OFICIAL DE COMPETIÇÃO)?VC TINHA DE CUMPRIR ETAPAS NÃO PODIA “ATROPELAR”CATEGORIAS,IA TOMANDO CONTATO COM CARROS RAPIDOS PAULATINAMENTE,DE ACORDO COM A EXPERIENCIA E CAPACIDADE,POR QUE NÃO COLOCARMOS EM PRATICA ESSA REGRINHA TÃO SIMPLES?

  14. Tazio Nuvolari disse:

    Kra, mas não existe escola de pilotos? Até onde sei, o kra tem q fazer a escola, ou já vem do kart com resultados, etc. Até o Rato fez escola na inglaterra! E o kra já andava muito. E ai? O problema é q a “xeração” de hoje não tem a paixão pelas baratas de corrida. E mais, existia a categoria estreantes e novatos para kem chegava “cru”. Aki no regional de marcas gaúcho tem a categoria “N” q corre junto, mas o kra vem de resultados no kart ou passou pela escola e foi aprovado. Quanto a técnico de piloto, ouvi dizer, ñ sei c é verdade, q o Bruno Senna contratou o Carrapatosso, eu acho, para lher dar umas dicas. Mas vamos combinar isso é balela. Tem é que haver categorias, velho papo, baratas de acesso e dpois a evolução vai. Mas, pelo que vcs divulgam, o kra tem grana e corre na montana, q a meu ver anda muito, tem q ter manhã para andar na barata, ou anda nestas categorias burguesas vamos chamar assim, q tirando os minis andam um monte. Parece q é ter grana e acelerar, sem maiores conhecimentos e habilidade. Quanto a segurança dos stock, prk a montana é um stock, q o Flavio Gomes escreveu q eram mal feitos e fora de gabarito etc, duvido muito, acho q são bem feitos e tudos mais. Qual carro, gaiola ou ñ, aguenta uma porrada de 180,200 km/h na lateral? Ñ sei, mas acho dificil. Outra. Quando lançaram as gaiolas no stock, ainda com os 6 canecos, o Xandy Negrão fez altos bolos aqui em tarumã dizendo q o carro ñ estava pronto e tudo o mais. Parece q ñ havia o extrator ainda, e, ñ lembro, mas acho q ele nem correu. O Paulão, por sua vez, falou q o carro era bom e estava pronto. Quanto a visibilidade o Xandy várias vezes reclamou da visibilidade lateral!!!! E ai? O q tem q existir no Brasil são categorias iniciais, tanto de monoposto como de carro, grupo N da FIA. Kra, antigamente os feras, mas feras mesmo, botas, andavam de passat original, motor com acerto somente, até banco do passageiro tinha, e eram altas corridas. Pork tem q ser só carro canhão? Po bixo, posso estar errado, mas vi uma corrida em tarumã do Lucas Molo eu acho, o kra ñ guiou nada, mas nada mesmo, pode até ter aprendido e estar guiando legal, mas naquela corrida o kra só passeou! O próprio Popó. o kra andava legal em interlagos, curitiba, pistas q conhecia, chegava em taruma, sempre saia da pista e porrava. A última corrida dele em tarumã andou lagal, ou seja, aprendeu. Só acho q para aprender tem q ser em carros mais calmos, dpois vai pros canhão. Aquele kra do nordeste q parace q até em cana foi O kara ña anda nada e corria de stock!!! Hoje em dia ñ tem campeonato brasileiro com baixo custo, embora automobilismo ñ exista com baixo custo, mas vá lá. O marcas e pilotos q estão montando, por exemplo, custa uma grana preta com alta tecnologia. É legal, mas deveria ter uma categoria com os carros mais calminho, e mais barata, ai o kra vai correndo aprendendo e chega lá andando legal. Nei sei c ainda existe o tal grupo N da fia, mas nós temos clio, fiesta, celta, gol etc, q da par fazer umas ciorridas legais com grid cheio etc. E isso ai, velho! O automobilismo precisa é de simplicidade e coerência, senão só abastado vai botar a bunda nestas baratas, e uns poucos botas vão surgir. Até o estilo de pilotagem é dificil de ver hoje em dia, pois todos freiam no mesmo lugar, viram a direção no mesmo lugar, é tudo igual.

    Abração

  15. Alberto Allatere disse:

    A figura do coach é válida, ainda mais se forem pessoas que realmente tem vivência no automobilismo. Mas o mais importante de tudo é que este trabalho seja feito de modo lento e gradual.
    Automobilismo é como se fosse uma carreira acadêmica, precisa passar pelo jardim da infância, primário, ginasial, colegial, cursinho, vestibular, faculdade, mestrado, doutorado…
    O kart é a base sólida para todo este processo, não confio em um piloto que não tenha passado no mínimo 5 ou 6 anos no kart, evoluindo e amadurecendo.
    O problema é que alguns “pilotos” acham que podem pular etapas importantes bastando contratar um coach para orienta-los, e não é bem assim que funciona.
    O talento nasce com o piloto, mas não há talento que vingue sem muito aprendizado, vivência, e boa orientação.

  16. marcio ximenes lopes disse:

    Quando havia o curso do Pedro Vitor, as aulas eram dadas nos F V antigos. O curso era bem elaborado, e com regras rigidas.Se vc não tinha capacidade de acelerar a barata, não andava sosinho buscando o tempo minimo para o certificado. Andei muito atras do Pedro e ele atraz de mim para aprender e ele corrigir os erros. Hoje as aulas se parecem mais com cursos de direção defensiva.Alem de carros turismo divisão 1, bem mansos.

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