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24 de fevereiro de 2014 - 11:39F1

Quem vai pro samba

SÃO PAULO | Quem queria um chacoalhão na F1 para quebrar o domínio de Vettel e da Red Bull está sorrindo desbragadamente. Já foram duas semanas de testes, ambas diferentes entre si em suas características, e já é possível dizer que apostar no pentacampeonato é uma ousadia – e até uma burrice. Não é nem pelo trabalho da equipe, mas a Renault errou a mão na concepção de seu V6 turbo. E tal como uma questão aerodinâmica, leva um tempo para que a montadora resolva todos os problemas de sua unidade para alcançar quem vem à frente, no caso a Mercedes.

Jerez é um circuito prioritariamente de baixa com uma reta mediana e apresentou temperaturas baixas e chuva em alguns momentos. Apesar de agora ter oito marchas, os carros mal chegavam à sétima com a configuração atual. Sakhir está sob o deserto, com temperaturas acima dos 20ºC e com seu teor tilkiano. Não teve um santo dia dentre os oito que a Red Bull passou incólume às falhas. E por mais que a tecnologia seja brilhante e avançada, não faz milagre. Os quatro próximos dias no Bahrein serão fundamentais para que os taurinos não cheguem na Austrália para fazer um papelão. O trabalho conjunto com a Renault nunca foi tão necessário. E os franceses, por sua vez, não podem se debruçar apenas sobre os atuais campeões porque há uma Lotus, uma Toro Rosso e uma Caterham que pagam, e muito, por seus propulsores.

No começo do ano, Button sugeriu que as equipes empurradas pelos Mercedes trabalhassem juntas. Talvez Vettel deva implorar por isso entre os usuários do losango. É o que acontece abertamente na Caterham, que abriu mão de seu desenvolvimento para ajudar a Renault. Kobayashi bem viu que a diferença dos motores chega às vezes a 30 km/h na reta. É absurdo.

O caso remete à Indy em 2012. A Lotus – que acaba sendo esta mesma da F1, na mescla confusa entre as divisões que acabou fazendo – resolveu se aventurar como fabricante de motores e se tornar a terceira via contra Honda e Chevrolet. Os motores eram os turbo de 2,4 L e empurrariam os carros da Dragon, DRR, Bryan Herta e a HVM de Simona de Silvestro, além de promover a volta de Alesi, embaixador da Lotus, ao automobilismo para disputar a Indy 500. Logo em St. Pete ficou claro que faltava potência. Às vésperas da principal corrida, três destas equipes se livraram dos motores e assinou com a Chevrolet. Simona e Alesi se arrastavam nos treinos, e o papo de que poderiam ser excluídos da corrida caso representassem perigo aos demais se confirmou na prática após parcas nove voltas. A HVM aguentou até o fim do ano, quando a Lotus resolveu abandonar o projeto. É uma prova que, por mais dinheiro e recursos que se tenha, não é tarefa simples achar a pólvora.

Pelos números apresentados em Sakhir, principalmente, os motores Ferrari também precisam de um ajuste maior para render como os Mercedes. Assim, a equipe homônima não vem com pinta de quem briga pelas primeiras posições nestas primeiras etapas fora da Europa. Alonso e Räikkönen devem se misturar com Force India e Williams pelas posições intermediárias da zona de pontos. A Sauber parece ter errado de novo a mão no nascimento de seu carro e a Marussia, coitada, até vírus de computador a afeta.

Os oito carros abençoados com Mercedes partem com larga vantagem, sobretudo Mercedes e McLaren. São aqueles que não têm problemas e andam rápido com constância. O cenário indica que dificilmente o título saia das mãos de Hamilton, Button, Rosberg ou Magnussen – este, então, tirou a sorte grande. Force India e Williams precisam só acertar uma ou outra coisinha: os carros são bons.

Na semana que culmina com o Carnaval, a F1 já sabe que a rainha de bateria tem uma estrela que samba na cara da sociedade. Os ensaios que ainda restam vão servir para, principalmente, ver se os touros e os cavalos ficam na dispersão ou o quanto tentam dançar no mesmo ritmo.

7 comentários

  1. fernando disse:

    A chacoalhada foi boa mesmo e a Renault vai ter que mostrar porque são os atuais tetracampeões. Newey mais uma vez deve ter feito um carro no limite do regulamento e isso impacta na confiabilidade. O motor francês claramente tem problemas, porém o RBR não deve ser um exemplo de confiabilidade, nestes momentos os bons aparecem, vamos ver se são tudo isso mesmo.

    A Mercedes é favorita desde já mas a briga vai ser próxima com certa vantagem para o Lewis, mas Rosberg não é o companheiro dos sonhos porque vai roubar pontos e vitórias preciosas.

    A Mclaren parece ter ligeiramente o melhor carro no momento enquanto os alemães tem o melhor motor com um carro também muito bem feito.

    A Ferrari pode surpreender mesmo, mas a briga por lá também vai ser de foice no escuro. Alonso ganha do Kimi mas com certa dificuldade. Se o carro for bom e brigar por vitórias com frequencia, aposto minhas fichas no título para o espanhol.

  2. AGS disse:

    VM….Boas tardes,,,
    Olha, podem pegar todos os pilotos e teams.. junta mesmo, unta na mesma forma, e não esquece do linguinha plesa, e ainda dou 5 voltas, para a esquadra gemanica socar segundos nessa pataiada…
    Só mesmo uma daquelas cagadinha, pode fazer a Mercedes perder esse ano…..kkk
    Podem aposta..rss

  3. Maik disse:

    O problema não é exatamente do motor Renault e não podemos dizer que eles erraram a mão. O problema é conjunto motor Renault mais o projeto do carro RedBull. O encapsulamento do motor e todo o conjunto mecânico é extremamente agressivo. Tudo extremamente compactado gerando grande dificuldade para refrigeração. Por isso outras equipes com motor Renault, mesmo sendo nanicas, conseguiram andar mais que a RBR. Além disso, com o design arrojado da RBR existe uma maior dificuldade para acessar e consertar possíveis problemas, incluindo o sistema ERS que foi desenvolvido pela RBR.
    O fato é que eles ainda estão andando com a potência do motor reduzida e não é possível comparar realmente os motores nesse momento.
    Mas o ponto é que realmente as equipes com motor Mercedes estão na frente, com um bom motor e um bom sistema ERS e considerando a confiabilidade demonstrada até agora.

  4. Renann disse:

    Ainda acho que Mercedes e Mclaren podem ser dúvidas… 1ª a Mercedes, se ela conseguir se firmar como uma equipe boa para corrida (ano passado, no treino era uma maravilha, na corrida nem tanto), já Mclaren a dúvida fica pelo desenvolvimento do motor que será o último ano com a equipe de 3 pontas… Acho que a Ferrari tem grandes chances, mesmo com um desempenho discreto nos treinos… pode surpreender e ser ótima em corrida…

  5. Zé Maria disse:

    VM, mais uma vez perfeita a sua análise!
    Apenas um reparo, se me permite, pode apagar meu post depois de lido.
    No assunto “Indy”, o correto do ponto de vista gramatical seria “e assinaram com a Chevrolet”.
    É isso, sei que por vezes o tal do corretor automático nos prega peças que acabam por passar desapercebidas.
    Pode até parecer preciosismo, mas tenho certeza de que concorda com minha colocação.
    Abraço.
    Zé Maria

  6. Eduardo Dragonetti disse:

    Acabou o comodismo,
    a Renault vai ter que inovar.

  7. Cuca Beludo disse:

    Mas no caso da Lotus na IndyCar em 2012. Os problemas aconteceram porque a Judd que foi contratada pela Lotus para fabricar e desenvolver o motor não recebia os pagamentos em dia da Lotus e eles demoraram para desenvolver o motor enquanto que Chevrolet e Honda já tinham mais de 5 meses de quilometragem com os Turbo V6. A Lotus só botou o motor para funcionar em Janeiro. A Renault ainda pode consertar a cagada que fez porque tem recursos para tal coisa. É dar o tempo ao tempo.

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