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17 de março de 2014 - 3:44F1

O legado Melbourne, 3

SÃO PAULO (olha a hora…) | E deu Rosberg, com absurda facilidade, na prova não muito empolgante que abriu o ano da F1 em Melbourne. Para quem gosta de agito e emoção, é um pouco preocupante — estamos no início; o desconto ainda vale. Mas é possível dizer que as partes mais importantes da corrida se deram na largada e nas primeiras voltas.

Os atos: 1) o passão de Rosberg sobre Hamilton — nem se conta Ricciardo — nos primeiros 500 m; 2) o acidente de Kobayashi e Massa; 3) os abandonos de Hamilton e Vettel.

No resto da prova, o que valeu foi Bottas — sua escalada no pelotão, o toque no muro que furou seu pneu e provocou a entrada do safety-car e sua remontada. Assim, nada que fizesse o nego que aguardou com tanta expectativa se satisfazer explicitamente.

Rosberg abriu uma vida para Ricciardo, que só se viu ameaçado por Magnussen nas voltas finais, sem muita pressão. Button apareceu em quarto se dando bem no momento em que o SC foi acionado, sendo o primeiro a se beneficiar em pista parando nos pits e depois na troca convencional. Ficou à frente de Alonso, que teve de ganhar nos boxes a posição de Hülkenberg. Este só não terminou atrás do espanhol porque Bottas sentou seu nome.

A Mercedes é a Red Bull do passado. A McLaren vem com o papel de Mercedes. A Ferrari segue sendo a Ferrari, bem como Hülkenberg e a Force India — ou seja, continuaremos na missão de ‘deem um carro decente para este cara’. A grande ascensão é, de fato, a da Williams, que parece ser pelo menos a Lotus de outrora.

Seria interessante ver o que Massa faria na prova ou aonde Bottas chegaria não fosse seu errinho naquela primeira parte onde voava para cima de todos. Nesta impressão acima, briga tranquilamente com Magnussen e Button. Mas, como diz o poeta moderno, infelizmente não deu.

O acidente em si: já era possível ver que algum problema havia acontecido com Kobayashi durante a tentativa de freada. Há um toque ainda numa Ferrari, a de Räikkönen, que desvia de leve a rota e acerta Massa em cheio. Mesmo sem o desvio, provavelmente o brasileiro seria o alvo. É coisa de manter a sina desgraçada e negra de Felipe em Melbourne — algo que Hülk, que nunca havia completado uma volta lá, superou. Óbvio que a culpa é de Mito, mas se encontraram uma falha técnica, um problema no freio, é minimizada.

Agora, se tem um sistema punitivo lindo e novo na F1, a Caterham é quem tem de ser punida. Um freio não funcionar logo numa largada, justamente numa curva tão fechada quanto a 1 de Melbourne, mereceria pelo menos uma reprimenda à equipe.

E Ricciardo, porra, coitado. A Red Bull também, voticontá, me usa um fluxômetro não homologado pela FIA. Quem vê também pensa que entendo pacas de fluxômetro ou tinha qualquer ideia que havia este artigo no regulamento técnico, ui, o limite é 100 kg/h, daí chegam no fim de semana e diminuem a frequência pela metade, de 10 para 5 Hz, nossa, gente. É coisa que aprendi com a Marisa no colegial lá no São Bento e não faço mais ideia do que signifique. Mas a Red Bull foi avisada que o fluxo durante a prova estava excedendo o tal limite, deu de ombros, se ferrou e ferrou Riccardinho.

Assim que saiu o resultado, deve ter sido a primeira vez no ano em que o pobre não sorriu. Há boatos que ele sorri até dormindo.

E esse Magnussen lindo e garboso, honrando nossa nação, acabando em segundo. Eu já dizia aqui que se tratava de um talento diferenciado. “Mas só foi a primeira corrida, daí se ele for mal depois, vai dizer o quê, idiota?” Ora, cale-se e me deixe viver. Primeiro pódio da Dinamarca na história da F1 e melhor resultado de um estreante desde Villeneuve em 1996 naquela linda prova na mesma Melbourne. A rainha Margô deve estar irradiante.

No mais, a Toro Rosso surpreendeu com um boníssimo ritmo de corrida. Vergne e Kvyat mandaram bem. Bons pilotos, jovens, têm de mostrar serviço e tal. A Marussia, pelo jeito, não vai muito além. Os dois carros deram presepada na tentativa de largada e na dita cuja. A Lotus foi muito além do que imaginava: Maldonado e Grosjean abandonaram passando metade da prova. As duas equipes foram pegas na regra do fiascômetro, que também consta no regulamento técnico, artigo 1.7.1, como soltou Pedro Henrique Marum.

Torno a dizer que o campeonato é feito para as características de Rosberg. Hamilton, sabedor de que esta pode ser sua última chance de conquistar o bi, vai ter de ralar para se mostrar o melhor piloto, que é, adaptado ao que pede a F1 de cuidados e poupanças. E torcer para que os males técnicos acometam o companheiro. É esta a grande diferença para os anos anteriores: dentro da melhor equipe da temporada, há uma competição real entre os pilotos, diferente da Red Bull.

21 comentários

  1. Lucas Ferrari disse:

    A Federação Internacional de Automobilismo INOCENTOU o japonês Kamui Kobayashi do acidente com o Felipe Massa. Foi problema no sistema de frenagem do carro da Caterham. Todavia, a Rede Globo, no Fantástico (domingo, dia da corrida, ou seja, 16/03/2014) e no Jornal Nacional de segunda-feira (17/03/2014), não mencionou o parecer da FIA. Pelo contrário, insistiram que o Kobayashi fez a barbeiragem. Por que será? Para proteger o Galvão Bueno que falou várias abobrinhas sobre o Kamui? Para colocar rótulo de barbeiro no nipônico? Preconceito? Falta de profissionalismo? Manipulação?

  2. Wesley Camargo disse:

    Não tenho ascendência nipônica e, muito menos, namoro com uma japonesa, mas o que o Bueno e o Barrichello fizeram com o Kamui foi de uma crueldade incomensurável, colossal. Compreendo que a colisão causou frustração aos brasileiros, mas, indubitavelmente, o Galvão e o Rubens se excederam. Careceram de compostura e profissionalismo.Em relação ao Galvão Bueno, não há escusa, pois labora como locutor faz décadas. O Rubens Barrichello me causou ojeriza, pois se trata de ex-piloto da categoria sendo, ademais, o recordista em grandes prêmios. O Rubinho, este, sim, poderia deduzir, pelo tirocínio, que adveio problema mecânico e/ou eletrônico. Quanto mais, agora, com a introdução de novas tecnologias na F-1 que, naturalmente, podem não funcionar a contento desde o princípio. Será que a Rede Globo terá a HONRADEZ de pedir desculpas na próxima etapa? A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) inocentou o Kamui Kobayashi no acidente que causou o abandono de Felipe Massa no GP da Austrália, pois os freios traseiros da Caterham não funcionaram (falha técnica).

  3. Pedro disse:

    Corrida razoável. O que me preocupa são esses freios eletrônicos. Imagine um defeito como o do Koba no fim da reta em Monza, ou em Spa, a cerca de 350, 360 km/h.

  4. Guilherme disse:

    E a estréia do Hamilton, em 2007, quando foi segundo? Não foi a melhor estréia desde Villeneuve.

  5. Celso GRECO disse:

    Sr. Victor Martins:

    O Felipe Massa nunca me enganou. Aliás, minto, pois, na Sauber, pensei que ele se transformaria, no futuro, num grande campeão. Ao ser contratado pela célebre Ferrari, o brasileiro teve o seu melhor momento quando disputou o título com o Hamilton, o que não quer dizer muita coisa. O Lewis jamais foi lá isso tudo. Habitualmente, no time italiano, era dominado pelos seus colegas, ou seja, Schumacher, Räikkönen e Alonso. Quem não se recorda do “Fernando is faster than you”? Com o tempo, todavia, a impressão que eu tenho é que: 1) o Felipe é uma versão piorado do Rubens Barrichello; 2) o Massa, com a idade, está cada vez mais parecido com o Boneco Chuck, mormente quando está encolerizado. Por fim, que saudades do Ayrton Senna!

  6. Ao contrário do que foi dito, a corrida foi empolgante! Novas faces estão aparecendo ou posso dizer, equipes estão crescendo e aproveitando o novo motor V6 turbo e o novo sistema de recuperação de energia ERS possibilitando uma melhor potência. A Mercedes pelo visto está com tudo nessa temporada, apesar de o Hamilton não ter conseguido ir muito longe. Mas ainda há muita estrada para correr, a Red Bull não vai ficar de fora dessa disputa, apesar da saída do Vettel. A Williams surpreendeu a todos, e esperamos que surpreenda ainda mais com o Massa, que terá que mostrar serviço depois da corrida do Bottas. A McLarem conta com o “faminto” Magnussen. Quanto à Lotus é preferível nem comentar.É cedo para dizer qualquer coisa sobre o futuro das corridas, mas pode-se notar que muitos espetáculos estão por vir. É o que esperamos depois da esvaecida temporada de 2013!.

  7. paulo disse:

    Destaque absoluto da prova: Kevin Magnussen

  8. Wagner Campos disse:

    Como é possível a toro rosso ter ido bem, o Ricciardo ter ido muito bem (mesmo q de nada tenha servido) e justo o Vettel estar com problemas? O que há de melhor no mundo dos energéticos não vai pra ele?

  9. Pedro Jungbluth disse:

    Quero falar de algo paralelo aqui.
    A F1 modernizou esse ano, pelo menos tecnologicamente. As novas tecnologias aplicadas tem uma boa chance de chamar a atenção dos mais jovens, que são antenados em tecnologia e vêem a F1 e o automobilismo em geral como algo antiquado.
    Então, a existência de complexos sistemas de energia, as MGU (K e H) são interessantes e devem ser exploradas pela mídia para conquistar fãs mais jovens.
    O que me espantou muito foi o comportamento do Galvão Bueno na transmissão, interrompendo explicações sobre o sistema a resumindo tudo como “caixinhas”, claramente para tentar conquistar um público mais popular, que na cabeça dele tem dificuldade de compreender tecnologia.
    Pois bem, a F1 cada vez mais vai conquistar um público mais específico. É triste ver que a Globo ainda sonha com um novo Senna e quer desesperadamente “popularizar” a F1 entre um público que de fato não existe mais. hoje em dia até música sertaneja fala em tecnologia, as pessoas levam tecnologia nos bolsos que são mais complexas do que a F1, e a simplificação idiotizante do Galvão me parece que tem mais chances de espantar o público específico do que atrair o grande público. O artificialismo ao falar da competição já deixa a imagem da F1 manchada nos últimos anos, será que eles não aprendem?

  10. Regi´s Campos disse:

    Oiá, pelo que percebi, esse campeonato têm tudo para ser encomendado de bandeja para a Merc. E pelo que senti, e ouvi (ou não) esses motores turbo 1.6 não duram mais que duas temporadas, no máximo. Em 2016 ou usam Vsix maiores ou voltam para os V8ito, que poderão ser turbinados e hibridizados “em nome da ecologia”.

  11. Pedro Barrio disse:

    Bom texto e ótimo último parágrafo.

    A grande diferença este ano será realmente o fato dos pilotos da Mercedes estarem em disputa muito mais franca que no caso da RedBull… não a toa parece que já houve conversas á respeito da possibilidade/ necessidade do jogo de equipe, confere?

    Abç!

  12. O Bottas começa sua escalada em cima do Massa que agora quer Brigar com o Mundo por causa dessa Batida. Se a Ferrari não mudar Logo, vai ficar Coadjuvante, mesmo com os Dois Campeões pilotando seus dois carros. A Mercedes tem que aproveitar o momento em que tem o melhor carro da Temporada, A Red Bull tinha só o Daniel Ricciardo como sua Força Alternativa, mas acabou morrendo na praia com sua Desclassificação, e o Vettel só apareceu abandonando, num tipo de GP que ele nem Lembrava Mais.

  13. Marques disse:

    Passão de Rosberg? Com o companheiro com um cilindro a menos deve ter sido bem difícil…

  14. Cranio disse:

    Sei não Victor… Eu ainda acho que esta temporada combina com o Button. Não deve ganhar muitas corridas, mas deve pontuar em todas, salvo problemas de “Power Unit”.

    Tem aquela pegada light, cuida bem dos pneus, sabe pisar quando precisa, enfim… É a minha aposta pro caneco de 2014.

  15. Ricardo Talarico disse:

    Caro Vitones,

    Se me permite, gostaria de entender o significado de uma palavra que já li outras vezes nos seus comentários: “lavabescamente”.
    Procurei pelo termo mas não encontrei, embora ela me lembre a palavra “nababescamente”, esta sim com um significado conhecido e encontrado em dicionários e que até combina com o texto.

    Outra parte que não compreendi, foi “…Magnussen …, honrando nossa nação…”
    O Magnussen é brasileiro, ou você é Dinamarques ?

    :-)

    Abrax !!
    Tala

  16. Fernando Passos disse:

    De bom na corrida, mesmo, foi ver a bandeira do Verdão no final da prova.

    Próxima!…

  17. eduardo disse:

    É talvez a unica chance do Rosberg ser campeão e nos ultimos anos ele sempre teve periodos de resuntados ruins que atrapalharão o resuntado final do campeonato,o campeonato é longo e terão muintos abandonos para ambos os lados. Considerando que os pilotos atuais quase não treinam antes da temporada começar a estreia do Magnussen foi fantastica. O Vergner mostrou atitude de liderar a equipe que ele não teve até então mas a impresão é que o Kvyat andou com folga sem forçar o ritimo para ganhar esperiencia e se ele acelerar tudo que sabe bota o Vergner no bolso

  18. Rodrigo disse:

    “Hamilton, sabedor de que esta pode ser sua última chance de conquistar o bi…”
    Última chance do bi?
    O rapaz ainda é novo pô!
    Dá mais umas chances pra ele, vai.

    Abs

    • Douglas Arruda disse:

      Também não entendi. Houveram várias equipes que mantiveram grande performance e se mantiveram como tal por algumas temporadas consecutivamente, por que não a Mercedes?

    • Anchor disse:

      Essa temporada vai ser dos pilotos com a tocada mais suave, as próximas com os conjuntos mecânicos mais confiáveis, pneus mais duradouros vai ser dos pilotos arrojados, velocidade pura. Com as pistas cada vez mais seguras podiam diminuir ainda mais o downforce, assim o piloto terá um peso maior, quem tem mais braço vai se dar bem.

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