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21 de junho de 2014 - 15:22F1

Steven Spielberg

SÃO PAULO | A falta de luz e a pressa repentina para chegar à redação a tempo de pegar os minutos finais do Q3 me fizeram acompanhar a classificação pelo Twitter, e já imaginava escrever algo sobre a experiência quase que de rádio, em que você imagina as jogadas e os vários narradores dão, em suas línguas e tons, as emoções em poucos caracteres. Xá pra lá isso. Pole de Massa.

Que vitória. Seja lá qual for o resultado amanhã, o que Felipe viveu hoje na Áustria é uma recompensa. A gente bem sabe que ele não foi o mesmo dos tempos em que havia conseguido aquela última pole, que a vida lhe pôs uma mola na cabeça, que Alonso e a Ferrari tiraram seus miolos, que não foi fácil, nada fácil, tentar provar que ainda era um piloto de F1. As críticas e a desconfiança que recebeu – muitas delas pertinentes – encontravam ecos em cada sexto ou sétimo lugar, em todas as quedas de rendimentos, em que cada frase que dizia que soava como desculpa e que dava lenha aos detratores.

Ao mudar para a Williams, tentou se libertar deste passado atrelado ao insucesso numa equipe que vinha na mesma sintonia descendente. O regulamento mudou e chacoalhou a ordem, a equipe subiu, mas Felipe continuava a ser pesado com o peso que carregava. Foi no Canadá que o sopro de mudança veio, mas que se foi como brisa e em alta velocidade na batida com Pérez. E quando ninguém esperava, talvez nem ele mesmo, a pole lhe caiu como uma dádiva e não no colo.

O Red Bull Ring é o mais curto dos circuitos da F1 em termos de volta e tem características únicas e simples. A proximidade da Williams à Mercedes encontra no motor uma grande resposta. Mas era cláusula petrea que Hamilton e Rosberg mais uma vez disputariam entre si os lugares da primeira fila. O inglês cometeu um erro em sua primeira passagem que desalojou sua volta rápida no Q3 e um erro ainda maior na final – dizem até que o companheiro achou bem esquisita a rodada; o alemão fez o que se esperava dele. Foram Massa e Bottas que andaram muito além do que esperado. Era necessário que Felipe tirasse o parceiro da primeira posição, com um ótimo tempo, em sua passagem final. E o fez, com brilhantismo.

É um resultado que agrada a todos. Não é questão de campeonato, longe disso. É o tipo de cena que faz todo mundo se sentir feliz por um cara que, se tem suas limitações, sempre se mostrou correto como poucos. Felipe recebeu do filho um bonequinho de Neymar, que acabou usando como amuleto. Sentiu-se bem, motivado, positivo, impulsionado por esta Copa no Brasil que nos faz pensar em como será a vida sem ela daqui algumas semanas.

Pois que os bons ventos das partidas sejam aqueles necessários para que Massa retire suas zicas e azares. E que parta para uma vitória tão linda quanto tem sido essa Copa.

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