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19 de maio de 2015 - 10:49F-Indy

O flerte que pode ser fatal

SÃO PAULO | Se três é demais, imagine como não ficou o ambiente em Indianápolis após o quarto acidente de grandes proporções visto nos treinos livres para a Indy 500 — descontando o de Pippa Mann, que até visualmente teve um impacto forte, mas não provocou decolagens nem ida ao hospital. A batida de Hinchcliffe foi diferente das demais, não só por ser de um carro parceiro da Honda, mas por ter levado o canadense à sala de cirurgia. E mesmo que o motivo tenha sido uma quebra de suspensão, coloca-se em xeque estes novos carros com uma configuração aerodinâmica que não havia sido testada.

Quando Kanaan vem a público dizer, em linhas gerais, que é da natureza do automobilismo o que está acontecendo, joga para baixo do tapete que há um erro e até um amadorismo por parte da direção da Indy. Não é porque os pilotos escolheram essa vida que beira os 400 km/h que eles têm de assentir que um carro se perde do nada a esta velocidade com possibilidade de dar piruetas. A corrida que se diz o “maior espetáculo da Terra” não tem de ser laboratório nem colocar ratos capazes de experimentar novas drogas que coloquem em risco suas vidas.

A Indy está flertando com o perigo e já deveria ter tomado medidas mais drásticas por não saber, ou mesmo ter alguma ideia, do que está causando as capotagens/decolagens nos carros da Chevrolet e se os da Honda têm essa mesma tendência. A corrida está logo aí, a seis dias, e enquanto nenhum engenheiro vier a público para indicar as causas, as consequências podem ser as piores quando os 33 carros estiverem todos reunidos gerando vácuo.

Em tempo: Hinchcliffe foi operado na noite de ontem de uma lesão na parte anterior da coxa esquerda, cuja extensão não foi devidamente esclarecida, e está “acordado e conversando”, segundo informou sua namorada, a ex-miss Kirsten Dee. O nome que pinta como substituto de Hinchcliffe na Schmidt Peterson na corrida é de Tristan Vautier, que classificou o carro #19 da Dale Coyne para James Davison, que não pôde participar das atividades do fim de semana porque estava correndo de turismo no Canadá. Vautier já foi piloto da SPM em 2013.

9 comentários

  1. Helder disse:

    Vai ter de morrer alguém durante a corrida para que esse mercenários venham a público e digam que isso faz parte do espetáculo. Nada vai mudar. Dane-se quem quer se arriscar. É parte do show. É business.

  2. Alex disse:

    Muito bom o texto. Pilotos não são cobaias e ninguém (ao menos ninguém de mente saudável) quer ver mortes nem acidentes graves.

  3. Pietro disse:

    nao existe problema nenhum com os kits
    o que acontece e que nao teve acidente nos 2 ultimos anos porque os carros ficaram mais faceis de guiar, se olhar apenas as edicoes do seculo 21 da indy 500, volta e meia acontece alguem dando uma panca seria, inclusive uma fatal em 2003 que ninguem lembra porque foi em testes privados e com um piloto novato, tonny renna
    se contar outras pistas teve tambem Paul Dana em 2006 e Dan Wheldon em 2011, entao nao venham dizer que so agora o carro e inseguro, sempre foi e e isso que o tonny kannan quis dizer

  4. Marcelo disse:

    Victão, no correio do povo há um comparativo do ângulo do impacto do Hinchcliffe com o do Senna em ímola e é bem pertinente a comparação, além do lance do braço de suspensão ser a causa dos ferimentos de ambos.
    http://www.correiodopovo.com.br/blogs/pitlane/?p=26162

  5. Bruno disse:

    Por favor cancelem essa prova! Ta com cheiro que vai dar M..
    É melhor nem começar a corrida, pq não vai terminar..
    Nenhum piloto ta com medo (e assume) isso??
    F1 varias vezes pilotos não correram por não achar seguro!

  6. Fernando M.A. disse:

    Será que alguém lembrou que os carros voando significa que podem voar acima do alambrado e repetir Le Mans 1955?
    A maioria dos acidentes voando foram mais cinematográficos do que realmente perigosos, porém na prova, com a soma de vários carros, não seria impossível que algum voasse um pouco mais alto e aí sim poder ser um desastre.

  7. Salvador Costa disse:

    Não sou o Salvador Costa mas apareceu o formulário já preenchido????

  8. Celio Ferreira disse:

    Os primeiros testes dos novos kits, deria ser em um superoval .
    Mas o show não pode parar , e a arrogância americana , pode
    fazer vitimas no proximo domingo . Com sorte dará tudo certo.

  9. Fernando disse:

    Sempre gostei da ideia dos aerokits na Indy. Achava que daria um pouco daquele tempo glorioso quando tinham chassis Lola, Reynard, Penske, Swift, até Rahal chegou a ter. Os carros seriam um pouco diferentes entre si e teria um componente novo.

    Mas como assim não testaram o kit aerodinâmico pra superoval antes da principal corrida da temporada que é em um superoval? Essa gente é doida? Só pra situar, em pistas de rua e autódromos, para a Indy, aerodinâmica importa apenas em ganhar ou perder segundos. Em Indianápolis mora a segurança do piloto. Essas asas precisam manter o carro no chão, a velocidade que eles atingem só elas mesmo para fazerem isso. Como essas asas funcionarão no vácuo? E na turbulência?

    Aeroportos dão espaço de dois minutos entre os aviões pousando e decolando não é a toa. Se o da frente for um 757 o espaçamento é maior. Tudo para evitar essas turbulências. Não dá para fazer isso numa corrida. Nem o líder da prova estará livre delas. Se ninguém estudou o comportamento dessas asas sob essas condições, os pilotos estarão entrando em uma roleta russa.

    se

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