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25 de maio de 2015 - 10:38F1

Monte Carlo Bronco

SÃO PAULO | A primeira coisa que vem à mente sobre o que a Mercedes fez com Hamilton em Mônaco, fora todas as associações com burrice, foi a corrida de 1992, quando Mansell voltou atrás de Senna e se deu aquela disputa inesquecível. Era possível imaginar que o inglês partiria para cima de Vettel, depois de tentar intimidá-lo, com tamanha volúpia que tudo que acontecera até então seria esquecido. Mas foram esboços de ataque, e o GP em Monte Carlo só serviu para acompanhar as reações de Hamilton e da Mercedes diante da pane.

Hamilton derrubou a placa que indicava sua terceira posição, andou lento até o pódio diferenciado, sentou-se nos degraus, ouviu educadamente o hino alemão, pegou a champanhe e saiu andando. Para quem tinha razões de ter um ataque de fúria, e que talvez em outros tempos até tivesse, foi bem comedido. Nas palavras após a corrida, evitou ataques diretos e indiretas, sem criar teorias conspiratórias.

O que se tira de Mônaco remete ao início do ano passado, quando tudo começou, a briga pelo campeonato polarizada entre dois companheiros de equipe de personalidades distintas, mas então igualmente bons. Antes, era a inteligência de Rosberg vs. o talento de Hamilton, sendo que este sucumbiria diante de um cenário que lhe afetasse psicologicamente. Pois não só Lewis se manteve firme diante das adversidades — aquela da classificação em Mônaco e depois o choque na Bélgica — como jogou para o outro lado a bomba que não é aguentar a pressão. Bomba, esta, que Nico segurou até a vitória 15 dias atrás na Espanha e que, de certa forma, ainda está ali guardadinha mesmo com a (pseudo)vitória nas ruas do Principado.

Pela postura que teve, Hamilton está livre da terapia. É, definitivamente, um piloto completo, e daqui um tempo, quando tiver de cabeça muito mais fria, há de notar como tratou tão bem este episódio. Alguém tem alguma dúvida do que ele vai fazer no Canadá, uma pista que adora e onde sempre se deu bem?

Sobre o resto, alguns pontos. Vettel é aquele peixe comensal que acompanha um animal marinho maior e se aproveita dos restos de comida que vai deixando ao largo. Se não se infiltrou entre as Mercedes na largada, manteve um ritmo inesperadamente forte atrás de Rosberg, visando roubar a segunda posição nos pits. Para isso, o time alemão foi esperto e, na volta seguinte à ida de Seb aos boxes, chamou seu piloto. Seria terceiro e tal, mas acabou agraciado. E com todas as limitações de seu equipamento, ainda assim se mantém relativamente perto na classificação do campeonato. Quanto a Rosberg, o desempenho que vinha tendo na parte ‘normal’ da prova denota que a prova em Barcelona foi a exceção do campeonato. Segue sem convencer ou permitir que se ache que haverá, de fato, uma briga pelo título com Hamilton.

Mas é inegável que a vitória de ontem o coloca num patamar especial ao menos em Mônaco.

O caso que mudou a corrida gera uma divisão de opiniões muito forte. No momento do acidente, a câmera on-board em Verstappen era a principal e pegou o violento choque. Na hora, sem nenhuma hesitação, entendi que Grosjean havia freado cedo demais; a visão aérea da cena só comprovava pelo ponto onde houve a batida. Não é ali que os pilotos costumam brecar para fazer o contorno da Sainte Dévote, mas um pouco mais à frente. Assim, a punição a Max com a perda de cinco lugares no grid do Canadá mais dois pontos na carteira me parece totalmente injusta.

Vi que Massa e alguns outros expressaram preocupação com o ‘perigoso’ Verstappinho. Sei lá, eu prefiro um piloto perigoso a um covarde. Prefiro ver que Verstappen, com 17 anos e sua intempestividade, foi um dos nomes do fim de semana — mais uma vez, digassidipassage —, andando em segundo lugar em seu primeiro treino livre em Mônaco e fazendo ultrapassagens na corrida a ter de ver alguém que não tenta e se acomoda. Esse moleque tem muito futuro. Muito.

Felipe teve sua prova arruinada logo na primeira volta. A TV não mostrou, não há registros de cena; uma lástima, essa TV Monte Carlo, que faz questão desde 1990 de exibir as corridas e não deixa a FOM fazer seu trabalho. A princípio, falaram em Maldonado; depois, o próprio Massa é quem explicou: foi Hülkenberg, e pediu punição. Mas como pedir a punição se não se tem a imagem? De qualquer forma, Massa só poderia sonhar ali com um sétimo ou oitavo lugar, o que para esta Williams já começa a ser vexaminoso.

Quanto a Nasr, foi inteligente. Com o segundo pior carro do grid, afastou-se dos problemas e foi se aproveitando com as quedas alheias. Primeiro foi Massa e Hülkenberg, depois Maldonado — aliás, e se não foi com Felipe seu problema, onde é que ele se iniciou? —, aí então o abandono de Alonso e o acidente que tirou Verstappen e Grosjean da frente. Largou em 15º, seis à frente tiveram problemas, ficou em nono. Matemática pura e simples. Aquela que a Mercedes não soube fazer.

13 comentários

  1. Bruz disse:

    Meu caro Vitico, vc já pensou na posibilidade de que os dois carros da Mercedes não tivessem parado e Vettel sim?
    Ele era o dono da jogada e acredito que a Mercedes também pensou isso, por tanto a estrategia do livro é muito clara. Cobre as duas variaveis, o importante é que a equipe ganhe a corrida. Mas pg não parar Rosberg? Pq se o Vettel não entra a Pits para a troca de pneus practicamente estas dando de presente o P2, além de existir a posbilidade de que de os dois pararem para colocar os supermacios, a Ferrari consiga liverar a Vettel primeiro. Ai não só perde o P2, se não que seguramente Vettel tivesse passado o Hamilton, como ele temia. E é claro que tinha que temer. Domingo se dabam condições especiais de Temp. baixas em Monaco, que fazia dificil fazer trabalhar os pneus brandos, mais ainda quando se esfriavam e eram usados, e veja o que fez Ricciardo sobre Kimi e o que poderia ter feito o Max sobre o Groja, mas ainda Vettel nas ultimas 10 voltas com uns pneus Chliquettes e os Mercedes com os deslizantes.
    Voltamos à primeira hipotesse, os dois Mercedes não trocam e o Vettel sim. Mesmo que fossem só 5 voltas restantes, Vettel engule as duas prateadas.
    Não ouve erro, a Mercedes precissava cobrir as duas variaves de Vettel, e por apenas 3 ou 4 metrinhos não consegue fazer 1 e 2. Que se foda Hamilton, a Mercedes ganhou.

  2. eduardo disse:

    O Grojean que foi o prejudicado não detonou o moleque(porque sabe que foi malandro) que direito tem o piloto que andou na lanterna a corrida toda falar alguma coisa,o que parece é que não é só o Kyviat que esta sentido a pressão

  3. eduardo disse:

    Que o Galvão desfilasse bobagem contra o Verstappen que eu felizmente escapei de escutar é normal,que outros como o Massa ai passa do aturável,um piloto novato bater não é nada de mais e um menor de idade quase sem experiencial bater na quinta prova dando a cara para bater em todas as provas é sensacional,o Senna só parou de fazer besteiras eventuais depois do bi mas ninguém pode falar nada do Deus sem ser linchado,o Schumacher nunca parou de fazer besteiras eventuais,o Verstappen pelo que eu vi até agora é um prodigio de precosidade e em piloto totalmente concentrado e duvido que ele vai cair de novo no velho truque de antecipar a freada para ferrar o carro de traz,Nasr e Sains estão de parabens pelo resultado mas até agora são pilotos fejão com arroz,o Verstappen não é para mim foi o melhor da corrida junto com o Hamilton

  4. En mi opinión, fue falta de ambos. Verstappen tiene que poner cuidado con esas maniobras pero Grosjean no puede pegar un frenazo cuando tienes a alguien pegado. En cualquier caso enhorabuena a Rosberg es la tercera vez que gana en Montecarlo. Nada mal…

  5. dc disse:

    Devagar com o andor. Ano passado tu incensou o Magnussen e agora nem no grid ele está.

  6. Hamilton disse:

    Na verdade Grojã e Verstappen estavam atrás do Nasr,

  7. Ricardo disse:

    Victor, parabéns pelos comentários.
    Fiquei muito contrariado com o que ouvi na Globo, pq entre tantas besteira, falaram que o Hamilton estava exagerando!! Brincadeira né?
    Abraço

  8. Marcelo Witt disse:

    Há alguns anos, não lembro quem foi o piloto, que foi muito “criticado” porque só tinha vencido porque o primeiro colocado quebrou, senão não teria ganho a corrida. E lembro que ele respondeu: “pra ganhar quando o primeiro quebra, é preciso estar em segundo…” Ou seja, melhor que todo o resto. Não deixa de fazer parte das corridas. Aconteceu com Rosberg. E, guardadas as devidas proporções, Nasr fez o mesmo. Não quebrou. E foi herdando as posições. Afinal, também é verdade que, pra herdar posições, é preciso terminar a corrida. Pode não levar alguém a ser campeão, mas tem também as suas qualidades. Se as corridas fossem feitas apenas de quem tem condições de ser campeão, teríamos corridas de quantos carros? Meia dúzia talvez… Como qualquer filme, sempre teremos os protagonistas, e os coadjuvantes. E às vezes os coadjuvantes roubam a cena.

  9. Bruno Molina disse:

    Esse Toto Wolf da Mercedez é um “cone” com dinheiro!

    Queria eu ser um cone com dinheiro…rsrs…mas falando sério agora…o cara caiu de paraquedas e bolso cheio na F1…ou alguém acha que o Ross Brawn cometeria um erro desses? Nunca!

    Quem puder, acesse o blog fanaticosporf1.wordpress.com e curta a página Fanaticos por F1 no facebook.
    Gracías! :o)

  10. Richard disse:

    O post mais sensato que li até agora.
    Parabéns

  11. Hélio Rocha disse:

    De que adianta assumir posição (corretamente) de não proteger pilotos brasileiros, se essa agência está protegendo o Verstappen? “Não teve culpa”, “Ótimo piloto”, “Destaque entre os novos pilotos”, já li um pouco disso tudo por aqui. E a verdade é que, com um bom carro, ele está com 6 pontos no campeonato, um a mais que o fraco Marcus Ericsson…

  12. João Paulo disse:

    O acidente ocorreu logo atrás do Nasr, e não na frente

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