MENU

7 de setembro de 2015 - 13:37F1

Vendo Monza 86 único dono, 2

SÃO PAULO | Mais uns pitacos em relação ao que movimentou o GP da Itália: o calhorda porém adorável Fábio Seixas resumiu a questão em seu blog dizendo que se tratava de uma recomendação e não uma regra, assim entendendo que Hamilton não merecia ser punido.

Se fosse de fato uma recomendação e não houvesse problema algum com esta interpretação, a Mercedes não teria aborrecido Hamilton no fim da prova — e ele claramente não gostou da situação — temerosa em ser punida com o acréscimo de pelo menos 25s ao tempo de corrida. Ou seja: ela mesma sabia que, ainda que fosse uma recomendação, era passível de ao menos uma punição. As reações dos demais engenheiros da F1 também contam a favor disso: todos estavam cientes de que era caso de exclusão da prova porque assim havia sido definido durante o fim de semana.

Seixas também apontou o caso de Evans e Canamasas na GP2 e falou que “provavelmente, a defesa da Mercedes foi melhor que a das equipes Russian Time e Lazarus”. O que torna, então, um campeonato de argumentações. Só faltava ter de levar advogados para as salas de reuniões da FIA para explicar que no parágrafo 7, alínea 3 do regulamento esportivo 2.1 que tal coisa não está clara — embora, na prática, aconteça aqui com a digníssima esfera brasileira; não tem em regulamento nenhum que não se pode chamar os caras da CBA de “um bando de imbecis” particularmente via rádio, mas aí o piloto (Cacá Bueno) é punido com suspensão de uma corrida.

Durante todo o fim de semana, a Pirelli e a FIA trabalharam juntas e deixaram explícito que os valores 21 psi na frente e 19,5 atrás deveriam ser obedecidos. Se a entidade resolveu fazer uma nova medição logo antes da largada por sua própria conta, surpreendendo a Mercedes, também deveria ter sido pensado pelas equipes — a Ferrari estava acima do permitido, bem como as demais. O fato é que, como há margens imensas para interpretação, a Mercedes pode ter se aproveitado desta área cinza, como todas as vezes em que são procuradas brechas nos regulamentos.

Como disse Seixas, e aí concordamos, a grande questão de tudo isso é realmente como a FIA avacalha o campeonato porque aplica recomendações a seu bel-prazer, muda a regra conforme a banda toca ou escreve um regulamento esdrúxulo, que dá margem a este tipo de discussão. Por exemplo: chega em um determinado fim de semana, ela observa que os pilotos estão exagerando em determinada área de escape para ganhar tempo. Aí vem lá a direção de prova e fala que, se alguém exagerar e passar o limite da curva X, vai ter o tempo de volta eliminado ou será punido. Isso não é regra. E já aconteceu neste campeonato de piloto Y ou Z ter seu tempo deletado. Agora cá entre nós: quem é que determina que os autódromos tenham essas largas áreas de escape dando ao piloto esta benesse de ir além do, como diria o outro, “limite extremo”?

No outro caso, há a questão da quantidade de punições por troca de peças na unidade de potência. O regulamento agora é outro em relação ao começo do ano e, na prática, só acabou com a história de nego ter de pagar a punição na corrida. Continua ridículo ver a McLaren ter, somados, 105 lugares de penalização.

Novamente: não fez diferença alguma para Hamilton a tal história do pneu calibrado erroneamente? Nenhuma. Contornou a chicane ali na frente depois da largada, todos sabiam que ele caminharia loiro, leve e solto para a vitória. Seria injusto à beça tirar dele a vitória? Claro que sim, que diabos ele tinha que ver com o angu? Mas não se pode ver um caso que já tinha ocorrido no mesmo fim de semana com outros olhos. O pneu não estava corretamente aquecido e Lewis não pode pagar por isso? Ué, tem de pagar. Bottas não tinha nada que ver com o fato de a Williams ser daltônica e tomou um drive-through por andar com um pneu diferente dos demais — e, novamente, não é muito claro que punição deve ser aplicada ao caso. Com a decisão de não punir Hamilton, a FIA estabelece a regra de não precisar obedecer as eventuais recomendações.

18 comentários

  1. Strubleou disse:

    Canamassas e Evans foram punidos na qualificação, com a perda de posições no grid, a verificação de pressão na gp2 ocorre durante o qualify. Não existe relação nenhuma com o fato de os pneus da Mercedes terem sido montados com a pressão correta, e a reverificação apontar discrepâncias por diferenças de temperatura. Que forçada, hein pessoal do grandepremio? Dessa vez não sei quem foi pior, você ou o Seixas.

  2. Celio Ferreira disse:

    È os ricos da Mercedes sairam livres, e os pobres da GP2 foram
    condenados , parece nossa justiça ném Vitão.

  3. tulio.nascimento@trf1.jus.br disse:

    Como até entre vcs jornalistas tem opinião divergente, nao seria razoável punir hamilton, com no Direito , a punição da perda da vitoria seria excessiva pela pelo ilícito cometido por ele.

  4. Carlos disse:

    Eu entendi que a recomendação da Pirelli se referia aos pneus frios. Numa entrevista, um engenheiro da Pirelli que não me lembro o nome teria dito isto (tenho quase certeza disto). Logo, cabe às equipes calcularem quanto de pressão seus pneus irão perder ao desligar o aquecedor, já que 110 C é a temperatura de trabalho desses pneus. Se eles são capazes de calcular no detalhe as pressões exercidas no chassi pelo ar ao projetar o carro, fica fácil calcular qual seria a pressão no grid.

    Vitor, seria interessante apurar se a regra se referia aos pneus frios, ou enquanto estavam aquecidos a 110C. Se for pneus frios, está claro que Mercedes violou o que foi determinado pela Pirelli. E se violou, deveria ser punida e ponto final.

  5. Shark disse:

    Entenda Victor Martins, as pressões estavam corretas quando os pneus foram colocados no carro (os engenheiros da Pirelli têm com procedimento aferir as pressões dos pneus com os quais os carros largarão quando eles ainda estão nos cobertores de aquecimento, e isso foi feito nos carros da Mercedes – a pressão observada estava acima do limite)

    A medição da FIA foi feita fora dos parâmetros determinados por ela mesma (com o pneu abaixo da temperatura devida)

    • David Santos disse:

      Boa Shark! O procedimento pelo que eu entendi, a medição éh feita no box com o cobertor elétrico quando o carro esta prestes a sair. E quando foi feito este procedimento os pneus dos Mercedes estavam com a calibragem correta. Então não há mais o que se discutir! Inês morta!

  6. Evandro disse:

    Uma punição seria absurda, quem entende um mínimo de Termodinâmica saberia que uma coisa é medir os pneus na garagem com os cobertores térmicos a 110 graus, outra é medir na pista sem os mesmos, a variação de temperatura incide diretamente na pressão, e por isso tal diferença. Agora dizer que 0,3 psi de pressão em um pneu é decisivo, por favor né. Está faltando conhecimento na física básica a muitos por ai. Inclusive ao Sr Pat Simonds, que inclusive é também responsável pelo caso de 2008 em Singapura, “”ah deixa pra lá…

    • luigi disse:

      E caro Evandro , ninguém (por melhor engenheiro de chassis ,que seja) pode definir sem testes prévios se pressão X ou Y é melhor ou pior para a performance em determinada pista e a unica pista em que as equipes tem muita referência é a de Barcelona onde são feitos a maioria dos testes no restante só por simulador e como já disse um “profeta” : Na pratica a teoria é outra ” . Na minha opinião é que estavam “armando”para dar a vitória a equipe da “CASA” mas deve ter aparecido alguém de bom senso e fez aquele anão de jardim ex empregado de Maranello e hoje travestido de presidente da F I A ,refletir que isto pegaria muito mal para a categoria e até mesmo para a equipe da “CASA” e outra coisinha ; quem deve definir a pressão de trabalho dos pneus é a equipe que projetou o carro, que calculou todos os esforços e cargas e aderência desejada e não o fornecedor de pneu , a menos que ele saiba muito bem “A porcaria que esta fabricando” pois é sabido que uma pressão mais baixa causa um esforço maior na carcaça pois há aumento de aderência e consequentemente temperatura ,maior dobra do anel radial e seu consequente stress que se não for bem projetado causa o ruptura (estouro). E tenho certeza que a fornecedora sabe que seu pneu em tempos de F 1 mais séria não seria aceito pelo mais pobre dos times se outros fornecedores houvessem.

  7. Tiago S. disse:

    Na verdade acho que tudo está com regra de mais, não faz sentido punir ninguém por isso, nem na F-1 nem na GP2. A FIA precisa é continuar no caminho de reduzir as facilidades criadas nos últimos anos e voltar a categoria ao patamar “esporte”, porque hoje entra mais no critério de “esporte eletrônico”, o piloto sai da corrida e ainda aguenta fazer uma maratona, alias, é mais provável que um piloto dos tempos atuais acabe a carreira com tendinite hehe.

    Enfim, acho uma bobagem terem punido os caras lá e isso ter gerado toda essa discussão na F1.

    Abs

  8. Fernando disse:

    “…O pneu não estava corretamente aquecido e Lewis não pode pagar por isso?…”

    Que frase… não, a questão é outra, a equipe deixa seus pneus na temperatura que quiser, não existe para as equipes “pneu corretamente aquecido”, não existe regra que obrigue uma equipe a ter seus pneus “corretamente aquecidos”, que ridículo, existe apenas o limite máximo de 110 graus C usando cobertores, só isso!

    Os pneus de todas as equipes tem necessariamente que estar na mesma temperatura ao serem medidas suas pressões, do contrário a medição não pode ser válida. Se foi feito assim na GP2 as punições foram corretas, se não foi foram injustas, não servem como exemplo para nada.

    No caso da Mercedes a medição não foi correta e a punição seria injusta simplesmente porque seria impossível adivinhar a pressão dos pneus, fisicamente impossível!

    “…a defesa da Mercedes provavelmente foi melhor…”, é difícil ler algo assim, a Mercedes não tinha de que se defender de nada porque a medição da pressão dos pneus de seus carros foi IRREGULAR. Independente de ser recomendação ou regra. Mas como conhece a FIA, tratou se se garantir no final da prova.

    O resto do texto e a bagunça que esta a administração da F1 é indiscutível. Abraço.

    • Victor disse:

      VM responde: E foi justamente o que eu disse, Fernando. Que se o pneu não estava corretamente aquecido, ele tinha que pagar por isso. E digamos que falar que a FIA fez uma medição irregular é levemente uma falta de senso. Abs.

      • Jurandir Pacheco disse:

        A questão é: se a aferição é feita antes de os pneus serem colocados nos carros, por que diabos os carros da Mercedes foram liberados para correr?

        Segundo, quem mediu foi a FIA, não a Pirelli. E os fiscais não conseguiram determinar em que situação a medição foi feita e sob que temperatura, o que pode alterar completamente o resultado.

        Como Niki Lauda disse, a recomendação é para temperatura de pista [e os pneus sem os cobertores ficam mais frios, logo, com menos pressão].

        Além disso, querendo punir, seria errado expulsar a Mercedes, ao meu ver, por que isso efetivamente só puniria Hamilton, Rosberg já havia abandonado de qualquer forma, estando muito mais irregular que o primeiro.

        • Victor disse:

          VM responde: Só que o campeonato não é um match entre os dois.

          • David Santos disse:

            Kro VM! Niguem com juízo irá condenar a Mercedes por esta regra que a própria FIA disse que não estava completa ou clara ou melhor: inacabada! E se fosse pra exercer justiça, que a FIA fizesse a medição também em TODAS as equipes que hipocritamente reclamam a exclusão da competentíssima Mercedes e seu indiscutível grande-piloto. No fundo o que incomoda éh a competência histórica desta dupla – Mercedes & Hamilton que sem dúvida estão escrevendo à ferro e fogo os seus nomes para a história!

      • Fernando disse:

        Sim Victor, vc quis dizer que o pneu deveria obrigatoriamente estar a 110 graus para ser medido. Só que nada disso foi regulamentado, a FIA e a Pirelli não implantaram esta “obrigatoriedade”, nem desenvolveram um método criterioso para medir a pressão dos pneus, logicamente as equipes continuam a fazer o que querem com a temperatura dos seus pneus porque é permitido (110 graus é apenas o limite).

        Se uma equipe pode desligar os cobertores antes, porque nada a proíbe de fazer isso, torna-se muito fácil burlar a regulamentação ou regra (alguém já descobriu?), e não há como ser punida, porque isto faz a medição da pressão correta ser impossível (realmente o termo “irregular” foi mal empregado por mim, impossível é melhor). A coisa foi mal feita na F1 e mal feita na GP2, não há regulamentação nem critério, ninguém deveria ser punido nem na F1 nem na GP2.

        Que implantem o procedimento corretamente e bem regulamentado para acabar com essa confusão que faz todos nós se perderem tamanha a incompetência da FIA e da Pirelli. Abraços e perdão pela insistência.

        • luigi disse:

          Desculpe-me me meter em seu comentário , mas o fato é que me incomoda a palavra ” O B R I G A T Ó R I O ” isto me soa como coisa de ” D I T A D O R E S ” uma vez que nem F I A e a fornecedora Sfarelli sejam o projetista do carro ,pois para quem é do ramo sabe que cada carro tem uma pressão ideal de funcionamento dos pneus e isto depende do projeto e condições climáticas ,barométricas e não deveria ser prerrogativa de um fornecedor protegido e apadrinhado que fabrica deliberadamente um pneu de má qualidade que venha a estragar um projeto bem sucedido de chassis determinando em que pressão ele deva usar o pneu. Fica obvio para mim que eles sabem (FIA e Sfarelli) qual a pressão ideal para cada carro e certamente esta pressão que “sugeriram”é a que melhor trabalha a suspensão do carro projetado e fabricado em Maranello e talvez menos eficiente para o carro dos “Tedescos”. Infelizmente as competições depois que deixaram de ser provas Automobilistica para se tornarem Shows televisivos de Velocidade estão ficando um nojo tal a quantidade factóides que inventam para alavancar audiência

    • Marques disse:

      Excelente. Exatamente isso que aconteceu. Os imbecis da FIA aparentemente não sabem que a temperatura interfere na pressão dos pneus.
      Li muitos falando em decisão política. Decisão política seria dar uma vitória ao alemão adorado no tapetão e botar fogo no campeonato. Foi UM, UM pneu com um pressão reduzida. e como bem dito pelo colega, a temperatura era diferente, portanto a pressão seria diferente.
      E o fato da temperatura estar diversa não prevê punição a absolutamente ninguém. Diante da completa irrelevância da discrepância da pressão, e da forma completamente idiota e ridícula que a dona FIA fez a medição nada seria feito. Causaram uma polêmica completamente inútil.

      • JR disse:

        Concordo com a sua opinião. Falha na determinação da regra (ou recomendação, que seja), falha na apuração dos fatos. Não faz sentido a Mercedes ter agido de má fé por 2 motivos.
        1. A ninharia de pressão a menos no pneu, faria alguma diferença significativa? E mesmo se sim, em um único pneu? Dúvido.
        2. O carro da Mercedes está anos-luz na frente dos demais. Os pneus poderiam estar com 30 libras cada que mesmo assim o Lewis ganharia a corrida. – Não faz sentido de novo a Mercedes querer ´tirar vantagem´dos pneus…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>