Parem, meninas!

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SÃO PAULO | A FIA, que não tem nada de boba, colocou Adrian Sutil e Jarno Trulli na sala de coletiva hoje. Precisava dar uma apimentada no fim de semana no emirado capital dos EAU. Conseguiu.

Foi só tocar no assunto da batida do GP do Brasil para ganhar o dia. Começou o pitizento italiano, falando que estava bastante desapontado por terminar a corrida daquela forma, “especialmente na primeira volta”. “Tinha toda razão de estar bem furioso. Tenho todas as provas para mostrar que estava lá e estava perto dele, e amanhã vamos discutir isso”, referindo-se ao briefing, e zás, zás.

Aí Sutil desdenhou. “Não tem nada para ser discutido. Foi um incidente óbvio. Era eu quem estava guiando e ele perdeu o controle do carro e bateu na minha traseira.” E foi respondão. “Isso é não é problema meu, é problema seu. Não sei por que ele está tão fora de si, sinceramente.”

Aí Trulli ficou putinho. “Não sei se você é cego ou o quê, mas eu posso mostrar claramente que minha asa dianteira estava perto de sua asa dianteira”, e aí mostrou uma série de fotos, como num tribunal.

Sutil devolveu, sem dar muita bola. “Mas você estava tentando me passar pelo lado de fora na zebra. Não foi um problema. Você perdeu potência.” E foi o mote para o exaltadinho alemão remexer no passado. “O mesmo aconteceu em Barcelona, onde você perdeu o controle do carro e bateu de novo contra um carro da Force India.”

Por sinal, o carro de Sutil.

“Às vezes você tem de respeitar os limites do seu carro”, continuou Sutil, emendando em tom professoral. “Se você não tem para onde ir, fique atrás. Corridas são assim. Não sei o quanto você vai levar para aprender isso.”

Com o sangue nos olhos, Trulli se defendeu. “Em Barcelona eu rodei, e ele me acertou porque cortou a zebra, cortou a pista completamente, e ele não tirou o pé.”

Foi a vez de Sutil se enervar. “Eu não acertei você. Você me acertou. Não sei qual é seu problema. Não entendo, realmente.”

O problemático Trulli foi perguntado sobre o que foi falar com o adversário naqueles momentos de tentativa bizarra de UFC em Interlagos. “Eu estava furioso porque ele não me viu. Estava do lado dele e ele continuou me empurrando para fora até que eu fosse para a zebra.”

Segundo round teve início. “Não é problema algum ir para a zebra. Qual é o problema?”, perguntou Sutil, e Trulli fez-se irônico até o último fio de cabelo. “Ah, claro, nenhum problema. Contanto que se conheça as regras…”

Sutil respondeu o que se esperava: “Pois eu conheço as regras…”, e Trulli rebateu, ainda revestido do manto do sarcasmo: “Fantástico.”

A reação de Kimi Raikkonen e Fernando Alonso ao embate diz muito o que aconteceu.

Alonso_Kimi

E no fim, Alonso, sarrista, ainda virou para Kimi e perguntou: “Podemos ir?”

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O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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