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SÃO PAULO | Assim que achou o único bar aberto depois das 19h entre Malmedy e Verviers, Ricciardo começou a comemorar sem pestanejar muito com a melhor cerveja trapista da casa. O pessoal foi no embalo, e quando estavam no quarto copo, o pessoal estava fazendo coisa que nenhum padre de bem e de família faria. Um ou dois, mais resistentes à bebida, ainda conseguiram ouvir algumas palavras do piloto, muito mais fluentes que o australiano sóbrio de Webber. Eles garantiram que ouviram um “I wanna see the circus on fire”.

Ricciardo é o maior aproveitador da crise da Mercedes, escondendo por trás do tão falado sorriso um atávico jeito de ganhador em uma companhia que, se é famosa pelas conquistas, da mesma forma é implacável em queimar carreiras. Em 12 corridas, firmou-se piloto de ponta e transformou-se na terceira via que a F1 não imaginava ter para esta temporada, ganhando peso justamente quando a Red Bull consegue dar seu maior salto durante a competição. Depois de impor duas derrotas, Daniel vai obrigar a Mercedes a fazer um intensivão de gestão para que o campeonato não tenha o mesmo rumo do ocorrido em 2007.

A vitória de Ricciardo foi construída em dois momentos. O primeiro foi o erro que Vettel cometeu na curva 12, a Pouhon, escapando de leve e permitindo a ultrapassagem do companheiro quando ambos perseguiam a afetada Mercedes de Rosberg. Uma vez livre, o australiano encaixou uma sequência de voltas que lhe permitissem desgarrar de Vettel, envolto na briga com Alonso e Bottas. Quando Rosberg, devidamente ajeitado, voltou à pista, encontrou um pelotão do qual não conseguiu se livrar com facilidade.

Mas mesmo que Rosberg encontrasse caminho livre para atacar Ricciardo, dificilmente conseguiria ultrapassá-lo. A Red Bull teve de cortar a própria essência em Spa-Francorchamps, e em vez de fazer seu carro render nas curvas, tirou carga aerodinâmica para extrair o máximo do motor Renault. Não à toa, os carros tinham velocidade de reta maior até que os da Mercedes – situação melhor vista quando Vettel, após a largada, estilingou para passar Hamilton. Aliás, Vettel bem que poderia ter umas aulinhas com o parca de como guiar esse carro. Talvez lhe fossem bem úteis.

Aquela tungada de 18 pontos na Austrália por causa do negócio do fluxômetro… não fosse isso, a diferença de Ricciardo para Hamilton seria menor que a do inglês para este Rosberg mimizento. É que dificilmente, na próxima corrida, Ricciardo consiga fazer a quadra: todo mundo em Monza vai usar carga aerodinâmica nula para andar nas retas, e aí os motores Mercedes vão contar muito.

Mas vai que Hamilton e Rosberg se matem na chicane, os restos sobrem sobre Massa e Bottas tenha um mau súbito. Do jeito que a vida brilha para Ricciardo, tudo é possível.

O fogo ainda consome o circo da Mercedes. Daniel, claro, sorri.

Detalhe: desde que começou a vencer, no Canadá, Ricciardo fez 102 pontos. Rosberg somou 98 e Hamilton, 73.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

3 Comentários

  • Tava pensando aqui. O Hamilton é inglês, burro e emotivo. O Rosberg, alemão, inteligete e frio. Acho que Lewis vai afinar. E tava pensando ainda, se ele sair de lá, é claro que a McLaren passa a ser o destino óbvio, assim como o de Bottas na Mercedes, já que ele tem ligação com Toto Wolff, sócio do time. Sendo assim, Bottas e McLaren são Rosberg desde pequenininhos :) E quem faria companhia à Massa numa possivel saida do Bottas da Williams? Nasr? Ou a Williams chutaria Massa e traria Button de volta, mais competente, constante e menos azarado, além d’encerrar a carrria na mesma Williams onde começou? Interessante…

    • A mercedez puxa pro lado de rosbeg, assim como puxou a maclaren pro estreante hamilton em 2077; resumnido: tá recebendo com a mesma moeda. Mais eu sou fã do hamilton e acho que será campeão outra vez.

Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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