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SÃO PAULO | Abro o Grande Prêmio e dou uma rápida passada nas manchetes da quinta-feira na gris Xangai antes de ir para uma reunião. Trago as três editadas em alguns trechos sem perder o sentido real.

Bottas admite que deixa Hamilton passar se receber ordem de equipe

Räikkönen diz que “poderia ter sido mais rápido” na Austrália

Hamilton: “Estou morrendo por duelo roda a roda com Vettel”

Não vou entrar novamente no mérito do que foi o GP da Austrália em termos de emoção e perspectiva para a temporada, sobretudo no que podem ser as demais 19 corridas. Melbourne, com muito otimismo, não é o melhor dos parâmetros para avaliar se ultrapassagens serão artigo de luxo. Xangai, com seu retão de mais de quilômetro e pouco, é um cenário muito mais crível — embora a previsão do tempo aponte chuva para o fim de semana. A questão aqui é o que se tira dos pilotos sem ao menos vê-los na pista.

2017 veio com a previsão de haver uma briga entre Mercedes e Ferrari pelo que as duas equipes haviam apresentado na pré-temporada. Obviamente que o desempenho na última década apontava para um duelo do tri Hamilton × o tetra Vettel. Os finlandeses Bottas e Räikkönen, no entanto, seriam, de novo com muito otimismo, agentes importantes no campeonato que poderiam/podem se intrometer na briga pelo título.

Em Melbourne, Bottas tomou de Hamilton mais de 0s5 nos treinos livres, 0s3 na classificação, e só chegou colado no companheiro porque este apresentou um desgaste de pneus alto ao usar os macios na parte final da corrida. Räikkönen só andou para trás e chegou a ficar 30s atrás de Vettel, num ritmo que permitiu a Verstappen sonhar com seu quarto lugar. De novo: o otimismo rifa aquela corrida achando que se trata de algo à parte.

Aí, às vésperas do fim de semana, Bottas já vem com esse discurso de lealdade à Mercedes e que, noves e eufemismos fora, significa que vai ser segundo piloto. Não tem coisa mais derrotista e lamentável que esta: em um esporte de altíssimo nível, o cara enfiar o rabinho entre as pernas e dar bênção ao seu empregador em seu próprio detrimento. E Räikkönen já começou com um “bwoah, espero ir melhor agora na China” e que, noves e eufemismos fora, viu que seu desempenho na Austrália foi um fracasso.

Enquanto isso, Hamilton está na pilha para brigar com Vettel. Que, óbvio, não precisa de manchete, está pilhado para impor uma segunda derrota a Lewis.

Com corridas ruins ou não, a F1 poderia ter uma disputa de campeonato interessantíssima entre quatro pilotos. Mal começaram os treinos livres em Xangai, já se sabe que dois são e estão lá para isso; os outros poderiam ser, mas se contentam com o mísero esforço de agarrar bem os papéis de coadjuvantes para se manterem no elenco.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

7 Comentários

  • É inaceitável, sob qualquer circunstância, que um piloto contratado para guiar o carro mais rápido de sua categoria considere, em nome do bem da equipe, abrir passagem para o companheiro. Esse cara não tem brio ou sangue pulsando nas veias?

    • Pode ser que seja força de contrato, que se não obedecer estaria fora da equipe de imediato.

      Não é impossível uma cláusula assim, visto que até o Senna impôs uma que impedia a contratação do Prost.

      • Cara, antes de escrever confira a informação que tem pra não falar besteiras.
        Isso nunca ocorreu, até porque quando Senna chegou à Mclaren, Prost já estava lá.
        E depois quando Senna foi pra Williams, Prost que resolveu sair da equipe.

  • Calma a Liberty Media chegou para mudar isso, como ja mudou muita coisa em pouco menos de 3 meses! Mas o contrato de Vettel lhe garante o maior salario da f1 e também prioridade como numero 1 na equipe, logo Kimi sendo segundao já foi visto muitas vezes ano passado e retrasado, nada vai mudar!!! Já Bottas na corrida parou muito mais tarde que Lewis e teve um pneu 8 voltas mais novo e melhor por tratar melhor que Lewis, se tivesse largado melhor ou na frente teria inclusive ganhado a corrida!!!

Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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